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Música do Brasil

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PAULA FERNANDES SOBRE MULHERES NO SERTANEJO: “ERA MATA FECHADA, ABRI CLAREIRAS”

O tempo passa e pode não parecer, mas a cantora Paula Fernandes já soma 23 anos de carreira – ela começou bem cedo e seu primeiro disco, independente, foi lançado quando ela tinha apenas 10 anos de idade.

Depois do lançamento de Amanhecer, seu mais recente álbum de estúdio, de 2015, e Amanhecer Ao Vivo, a cantora segue com a turnê que passa por grandes festas agropecuárias. Só que veio a vontade de relembrar os velhos tempos voz e violão em barzinhos e a cantora resolveu fazer, em paralelo, uma outra turnê: Acústico – Voz & Violão. “Menos é mais. Vai ter uma infra menor, vou cantar em lugares menores, com uma luz bonita, só voz e violão”, explica a cantora em conversa com a Billboard Brasil.

A cantora falou também sobre o sucesso das vozes femininas no sertanejo atual: “É um momento interessante e cada uma tem seu estilo. Quando comecei era uma mata fechada, abri clareiras com facão. E estou aqui pra aplaudi-las”.

Leia o papo abaixo:

É a primeira vez que você viaja com esse formato reduzido, voz e violão?
Sim, e estou muito ansiosa porque a gente já começa logo com Rio de Janeiro e São Paulo. Sem desmerecer o país, mas é um público importante. Acho que nessa turnê, menos é mais. Vai ter uma infra menor, vou cantar em lugares menores, com uma luz bonita, só voz e violão. Tem gente de todas as idades no meu público, da molecada aos mais velhos, e sei que alguns fãs não se sentem dispostos a ir num grande evento agropecuário pra me ver, é gente que quer mais conforto, quer ver o show sentado. É um show pra eles.

Vi que além do seu repertório tem até Kansas no setlist, que é uma banda muito admirada no sertanejo...
Sim, gosto muito. Esse show é voz e violão, mas é pra cima, sabe? Eu sempre disse que sou folk mesmo quando ainda não era comum no Brasil, nem sabiam o que queria dizer. Eu faço pop rural e esse tipo de show vai abrindo milhões de oportunidades, a minha voz pode cantar internacional, samba, rock... de tudo.

Você abre duas turnês paralelas mesmo num ano complicado para a economia. Qual a sua expectativa em relação a isso?
Ano passado, 2016, já foi péssimo, né... então a gente precisa fazer adaptações. As pessoas às vezes têm que escolher entre a comida e um show. Mas eu sou otimista... tenho também uma grande demanda de fora do Brasil. Em 2017, vou pra Portugal, tenho lançamento na Espanha... eu não reclamo, sabe? Ano passado teve Latin Grammy [a cantora ganhou na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja com Amanhecer], mudanças pessoas que me fizeram enxergar outras coisas... nem tudo é dinheiro.

E como você vê as mulheres dominando o sertanejo hoje? Qual a diferença que você vê entre o cenário de hoje e o que você encarou quando começou?
É um momento interessante e cada uma tem seu estilo. Me sinto orgulhosa da minha trajetória nesse sentido. Em 2009, quando eu já tinha música em novela, eu via muitas meninas se encorajando a cantar, gravar. Tenho muito orgulho de ter ocupado o meu lugar sem tomar o lugar de ninguém. Eu tenho esse jeito de gostar de canções, sou quase “brejeira”, né. Mas quando comecei era uma mata fechada, abri clareiras com facão. E estou aqui pra aplaudi-las.

 

Fonte: Billboard Brasil