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Música do Brasil

Música do Brasil

Djavan e Rosa Passos em simultâneo

Duas propostas imperdíveis para ouvir amanhã no Coliseu de Lisboa e no CCB, infelizmente à mesma hora.

 

DR

 

Prossegue o auto de visitação das sonoridades a verde e amarelo por palcos de Portugal, que se intensifica com o sol a pino do Verão. Djavan e Rosa Passos são os ilustres que se seguem, ambos amanhã à noite: ele no Coliseu, ela no Centro Cultural de Belém. Desta vez, há que escolher. Tratando-se de quem se trata, a escolha será sempre penosa. É certo que até lá tem 24h para optar. Caso não lhe cheguem para se decidir, atire a moeda ao ar. Cara ou coroa, será sempre uma grande noite de 6.ª feira. Pela nossa parte, prometemos contar-lhe depois a que plateia a sorte nos lançou.

 

 

O 'Romance' de Rosa

Felizmente que, desde aquela noite no Fórum Lisboa, a 23 de Maio de 2005, em que a Uguru teve a audaciosa sensatez de trazer a baiana da bossa para cantar pela 1.ª vez em Portugal, que os ventos não cessaram de soprar Rosa Passos por cá.

Desta vez chega com Romance, um talismã de 12 faces, onde delapida clássicos que entraram para a história nas vozes de Elis, Caetano, Chico, Bethânia e outros gigantes, mais ao jeito do jazz - próximo de Chet Baker e de Billie Holiday no final da década de 50 - do que da sua bossa filiada a João Gilberto, tão indiscutivelmente merecida como redutora de um talento portentoso de autenticidades como o de Rosa. Eu Sei Que Vou Te Amar, Álibi e Tatuagem são exemplos esplendorosos, a fazerem repensar a ideia de que a perfeição não se acrescenta.

O novo espectáculo que Rosa traz agora a Portugal estreou, aliás, numa temporada de 16 apresentações consecutivas, em Fevereiro e Março último, no Teatro FECAP em S. Paulo. Para quem souber ler nas entrelinhas fica quase tudo dito.

As 'Matizes' de Djavan

Prodigioso inventor de métricas e rítmicas onde a canção se faz no burilado de cada palavra à flor pura da pele, o nordestino cujo timbre e autoria têm o dom de tornar 'djavânico' tudo quanto tocam - e que não tem parado de germinar na geração à frente (vejam-se Tom Cleber, Zé Ricardo e Jorge Vercillo) - vem para um Coliseu que, ao contrário de 2006, promete acrescentar algo novo ao legado de êxitos semeados por cá. Matizes, álbum editado no começo da semana, será o caroço do alinhamento.

 

Fonte: Destak