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Música do Brasil

Música do Brasil

Adriana Calcanhotto no Coliseu de Lisboa

 
Senhora dos mares resiste a apagão que deixou Coliseu às escuras.
Foi uma Adriana Calcanhotto igual a si própria que subiu esta noite ao palco da sala nobre lisboeta. O Coliseu dos Recreios, bem composto mas não lotado, recebeu-a e aos seus sonhos marítimos de braços bem abertos. Do alinhamento fizeram parte canções de Maré , o novo registo, mas também os temas que a tornaram um dos fenómenos mais amados da música brasileira em território nacional.


Quando o concerto se encaminhava a passos largos para o final, o inesperado aconteceu: o Coliseu ficou na penumbra (bem como, segundo ouvimos alguns elementos da organização dizer, a Avenida da Liberdade). A cantora não se intimidou e mesmo sem amplificação ofereceu ao público, com a sua banda e bem junto da frente de palco, três canções privilegiadamente acústicas.


O palco, adornado com temas marítimos: um búzio gigante e desenhos de golfinhos e leões marinhos em pano de fundo, foi pequeno para receber a voz límpida e doce de uma mulher que ainda parece menina. Vestida com uma túnica vermelha (o quente a contrastar com o frio do fundo do mar), Calcanhotto permaneceu grande parte do tempo sentada e raras vezes interagiu com o público. A simpatia, no entanto não se mede por palavras, e entre sorrisos foi apresentando as canções e matando saudades de Lisboa.


A abertura ficou a cargo de «Maré», com direito ao som agreste de búzio, e logo de seguida foi servido «Três», com final forte bem aplaudido. A pose de menina manteve-se entre as melodias ondulantes (de ondas mansinhas) do belíssimo «Seu Pensamento». Ao fim das três primeiras canções de Maré , a cantora dirigiu-se finalmente ao público lisboeta, agradecendo os aplausos e abençoando a noite.


A viagem pára então em 1998, no álbum «irmão» Marítimo , e «Mais Feliz» arranca palavras da ponta da língua. A voz cristalina canta «O nosso amor não vai parar de rolar» e os aplausos rebentam em catadupa. A simplicidade eficaz de Calcanhotto continua a tocar o público com o cheiro a maresia de «Asas» (também de Marítimo ), que a cantora explica só ter tocado nos primeiros concertos de promoção ao álbum que completa este ano uma década de existência.


Sucedem-se então canções/parcerias com Arnaldo Antunes e o falecido Waly Salomão: «Teu Nome Mais Secreto». «Vai Saber» marca o ritmo e o velhinho «Esquadros» tem direito a coro. Depois de apresentar os músicos que a acompanham, a cantora continua na rota do intimismo, com rasgos de emergência, em «Sem Saída».

 

Um dos momentos altos do concerto chega com um tema que Calcanhotto diz não estar em Maré «não sei bem porquê», tocado ao violoncelo em tom solene e com o palco pintado em tons de roxo. A pergunta «Tem criança na plateia?» faz adivinhar «Fico Assim Sem Você», de Adriana Partimpim e logo o coro se eleva afinado.

«Um Dia Desses» leva a cantora a levantar-se e «Vambora» exalta o público. É durante a apresentação de «Mulher Sem Razão» que se dá a quebra de electricidade. Cerca de vinte minutos depois, a banda regressa ao palco, e a média luz apresenta sem rede: «Quem Vem Pra Beira do Mar», de novo «Mulher Sem Razão» e para finalizar em beleza, já com o público a aplaudir de pé, «Maresia».

 

 

Fonte: Blitz

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