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Música do Brasil

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Em carreira solo, Edson lança CD para brigar com os piratas

 

Em 30 anos de carreira, a extinta dupla sertaneja Edson e Hudson pode ser considerada "precursora" da atual febre do sertanejo universitário, por suas músicas animadas, com uma pegada forte de guitarra e letras engraçadas falando sobre festa e namoro. Em 2008, os amigos Edson e Hudson decidiram seguir caminhos diferentes e agora Edson lança Edson Voz e Violão, um CD intimista, com voz e violão, como o título indica, projeto que ele, em entrevista ao Terra, disse que queria fazer há tempos.

"Essa ideia já existia há muitos anos, ainda com o Edson e Hudson, junto com meu empresário Wagner Mendes. Quando a dupla acabou, gravei meu primeiro disco solo e já quis fazer esse projeto, porque hoje o mercado está muito rápido. Queríamos ter esse clima intimista mas com um show mais 'cheio', e nosso produtor fez um bom trabalho."

 

Romantismo
As letras, como não poderiam deixar de ser, falam muito de amor e paixão. "Eu tava conversando com o Walter Lima, que trabalhou com gente como Antonio Marcos e Elis Regina, um dos maiores masterizadores do Brasil, e ele me falou uma vez: 'Eu tinha tanta raiva desse negócio de falar de paixão em música, até que me apaixonei e entendi tudo'. A gente tem sangue latino, sente o amor forte na veia. Qual é o maior sentimento que tem? É o amor!", afirma.

Mas ele conta que tentou desenvolver novas abordagens para esse tema clássico nas composições, e gravou o disco em casa, aproveitando o clima descontraído. "A gente brincou muito quando criava esse disco, conseguimos fazer algo pra curtir, dançar... Gravamos na minha casa, pra ficar mais a vontade. As letras falam de amor, mas de uma forma engraçada, diferente, coisas como o amigo que tá apaixonado pela amiga, outro que ligou pra amiga falando que tá apaixonado por uma pessoa e pedindo conselho, na faixa Oi, tô te ligando.... Aquela coisa do cotidiano mesmo", explica.

 

Pirataria
Para competir com a pirataria, Edson fez uma parceria com a rede de lanchonetes Graal, espalhada pelas estradas do Estado de São Paulo, para vender Edson Voz e Violão a preços populares, e ele avalia que a estratégia deu muito certo. "Pelo fato de a gravadora ser nossa pudemos fazer essa parceria com o Graal e vender o CD a R$ 12, e a primeira tiragem já saiu com 60 mil cópias. Hoje o CD é mais um flyer de divulgação do que outra coisa, e essa foi uma forma que a gente encontrou de valorizar o produto, vender com uma capa e um encarte bacana, a um preço pra bater de frente com o pirata. Foi uma maneira de brigar, dar uma de Davi contra o Golias da pirataria", afirma.

Ele opina que muita coisa deve mudar na indústria fonográfica para que ela sobreviva nesta era de internet e piratas. "A primeira coisa que tem mudar é a lei de Direito Autoral. Eu tenho muitas críticas ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação de Direitos), que tem problemas muito antigos. E as gravadoras ainda exageram nos preços, mas acho que o governo podia ajudar fazendo uma tributação menor, porque do jeito que está não dá pra brigar com o cara que tá vendendo o pirata na esquina, até porque ele está lá para dar um sustento a sua família. E a internet é boa para muitas coisas, principalmente para os novos artistas que estão chegando divulgarem seu trabalho. E a gente tá vivenciando um momento agora que estamos conseguindo legalizar as músicas na internet, como no serviço de vocês, o Sonora, que funciona muito bem. Acho que é uma ótima saída."

 

Sertanejo universitário
Ele admite que ajudou a popularizar a música que passou a ser conhecida como sertanejo universitário, diz que está feliz com o sucesso da nova geração e afirma que o gênero ainda sofre com o preconceito. "Eu fico feliz porque eu e o Hudson puxamos essa fila. Trouxemos a guitarra, tanto que passamos a ser quase uma dupla de roqueiros. Gravamos com o Fernando e Seorocaba, e também com os antigos, como o Chitãozinho e Xororó. Acho que fizemos essa ponte. Nunca critiquei o sertanejo universitário. Vivemos num país caipira. A música sertaneja é tão forte que é difícil de bater. Desde 1992, quando estourou Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, todo ano o sertanejo tá no topo da lista dos mais vendidos. Antes muita gente comprava o disco de sertanejo escondido, hoje a gente conseguiu quebrar um pouco esse preconceito, mas ainda existe uma discriminação musical no Brasil."

Para encerrar, ele deseja boa sorte para os amigos Rick e Renner, outra dupla que se separou recentemente. "A separação é apenas uma etapa, nada é o fim. Tenho certeza que eles decidiram isso pensando na música e desejo toda a sorte aos dois."

 

Fonte: Terra Música

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