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Música do Brasil

Música do Brasil

Entrevista: Daniela Mercury

 

Na entrevista a rainha do axé revelou o que está preparando para o carnaval 2011, seu ponto de vista sobre as recentes comparações que vem recebendo da mídia estrangeira, sua consagrada carreira internacional, e sobre o seu audacioso projeto do DVD que será gravado em pleno réveillon do Rio de Janeiro. Confiram a entrevista completa!
 
Portal Axezeiro: 25 anos de Axé Music e 18 anos de predominância no cenário da música brasileira. Qual a sua contribuição dentro desse universo?
Daniela Mercury
- Eu acredito que minha contribuição tenha sido a própria caracterização do gênero.  Eu trouxe o lado da MPB pra cima do trio elétrico.  Essa é minha contribuição para a história da música popular brasileira como um todo. Toda a história do samba da Bahia, o meu vínculo com o samba reggae faz essa ponte do samba, desde Dorival Caymmi, Assis Valente e tantos outros grandes artistas brasileiros. E daí pra diante a minha relação também com a cultura, sempre vinculando alguma raiz, alguma tradição, como os galopes, que vêm do São João, letras que são crônicas da nossa vida nesse período. Sempre um olhar de fortalecimento da população, da comunidade, da negritude, do povo negro que predomina na minha cidade e a auto-estima do meu povo através das minhas canções. Essa tem sido minha contribuição. Manter essa relação entre a história da música brasileira e a minha geração e tudo que a gente faz.
Sempre busquei ser uma provocadora e sou muito inquieta. Procuro trazer outras linguagens para o trabalho, fazendo fusões, provocando o novo. Estou sempre buscando renovar.
Não tenho a pretensão de dizer o que precisa ser feito. Meu desejo é sempre de que as pessoas tenham coragem de lutar pela arte, de construir carreiras pautadas na arte, de forma criativa, renovadora. Isso é sempre bem vindo.
Desejo que sempre apareçam artistas novos, renovando a música brasileira, com coragem, criatividade e que os que já estão estabelecidos tenham sempre coragem de reinventar suas carreiras, de ir por caminhos inusitados. Isso é muito rico, já que o Brasil é um país com tanta diversidade musical. Isso é o que dá frescor, isso é o que fortalece a musica brasileira: gente criativa, talentosa e corajosa

PA: 6° DVD de sua carreira, especulação enorme em cima deste novo projeto. Porque o Rio de Janeiro foi escolhido como cenário deste concerto?
DM:
Porque o Rio de Janeiro é um dos centros culturais mais importantes do país, onde eu encontro uma identidade muito forte com o meu trabalho, através dos ritmos, da vibração, da alegria. Quando chega o verão, essa proximidade fica maior ainda. É uma cidade litorânea, linda, de um povo vibrante, comunicativo. É um lugar extraordinário pra fazer um DVD. Eu já tive a chance de fazer grandes apresentações no Rio, como o show da Apoteose, que gerou um Especial para a TV Globo; o PanAmericano e tantos outros grandes eventos, mas nunca havia gravado um DVD na cidade maravilhosa . Com esse DVD provocarei um diálogo maior com a população do Rio e com o Brasil através do Rio de Janeiro.

PA: Você já gravou DVD em cima do trio, no Farol da Barra, em casas de shows e agora irá gravar dentro no reveillon. Como surgiu essa idéia?
DM
: Eu já estava programada para gravar o DVD no Rio. Já tinha o projeto e estava aguardando a melhor oportunidade para isso. Queria que fosse uma data especial em que o show - Canibália - pudesse ser uma grande celebração, na rua, para o povo do Rio de Janeiro. E aconteceu de eu ser convidada pela Globo para fazer o reveillon. Eu achei que era uma data maravilhosa, com um cenário espetacular. Milhões de pessoas nas areias de Copacabana, com o espírito de renovação que o réveillon traz. O meu show tem muito de música popular brasileira. É um show vibrante, alegre, com muito samba. Achei que seria uma grande celebração do Brasil, dentro de uma festa que já tem esse espírito. Achei que esses dois projetos combinavam e se completavam. Fiquei muito honrada e alegre com o convite e aceitei esse desafio. Espero que o "Canibália" faça as pessoas virarem o ano com mais amor pelo Brasil.

PA: Quais são as participações que estarão presentes na gravação e qual o critério que você adotou para convidá-las?
DM
: Escola de Samba Unidos da Tijuca e AfroReggae, do Rio de Janeiro; Banda Didá, da Bahia;  e o Boi Garantido, do Festival de Parintins, do Amazonas. Quatro vertentes percussivas do Brasil, algumas mais urbanas, mais ligadas às fusões do funk com o samba e com as levadas percussivas cariocas, como o AfroReggae. A banda Didá que é uma síntese da música afro baiana recente. A escola de samba Unidos da Tijuca que vem trazendo todo o esplendor do Rio de Janeiro, com a força e com suas fantasias e carnavalescos extraordinários numa visão estética única que o Brasil tem, não só rítmica, mas estética também... E Parintins, trazendo sua batucada. Lá, eles chamam a percussão de batucada. A batucada deles tem variações rítmicas que não são populares no Brasil ainda. Estou levando para o DVD essa estética do Norte, com suas rendas, figurinistas e artistas plásticos. Essas quatro vertentes vêm para complementar todo o roteiro do show, que traz dezenas de variações rítmicas brasileiras, baseadas na MPB e também na tradição, mas com a renovação que eu trouxe para o meu trabalho. Trago com isso estéticas plásticas e visuais junto com as rítmicas, o que contribui para a diversidade cênica e musical do Projeto Canibália.

PA: Esse ano você lançou uma música forte para o carnaval de 2011. Como andam os projetos para a folia de Momo?
DM
: "É carnaval", sem dúvidas, é uma musica que reforça essa festa que é uma das bases do meu trabalho, em um ambiente que eu estou sempre muito presente, buscando sempre acrescentar visualmente, musicalmente... É uma canção que dá vitalidade para a festa. A própria canção fala disso: "Preta festa santa/ santa fé pagã/ alegria, dança/ a pé de manha. Luminosa arte/ cria de olorum/ se o amor se reparte/ somos todos um". O tema do meu carnaval é "Carnaval é arte" e eu vou misturar diversas linguagens artísticas: teatro, artes plásticas, dança e música em cima do trio. Isso feito com o mesmo cuidado estético que eu tenho tido, mas trazendo obviamente novidades e trazendo as artes plásticas mais fortemente para a cena do carnaval, para enfeitar ainda mais o carnaval. Comando o Bloco Crocodilo, domingo, segunda e terça, na Barra. Ainda o trio sem cordas e o meu camarote, em parceira com a Revista Contigo!, que é realmente um centro de divulgação do carnaval, para onde eu convido o mundo inteiro para vir sentir de perto a beleza do nosso povo nas ruas. O carnaval da Bahia ganhou força com grandes artistas brasileiros que estão sempre fortalecendo a festa, que é uma festa antropofágica, de diversidade. Junto com "Carnaval é arte", vou contemplar o tema do carnaval escolhido pela Prefeitura, que é a percussão. Como meu trabalho tem a percussão como base, eu vou fazer invenções para mostrar como essa percussão tem contribuído para a música do Brasil, que tem tudo a ver com o meu DVD.

 

 

 PA: 2 milhões de pessoas irão assistir a essa gravação do seu DVD no reveillon da cidade maravilhosa. O que essas pessoas podem aguardar da Daniela?
DM
: Um espetáculo cênico, colorido, plástico... Tem um telão enorme no palco e Gringo Cardia que é o cenógrafo do show e do DVD está preparando imagens lindas. Será um espetáculo vibrante, belo para se ver, divertido para se dançar e rico de brasilidade. Um espetáculo de integração com o público, de aproximação, de diálogo contínuo e de celebração da virada do ano, que é o que todo mundo está esperando por lá. Eu vou entrar nesse espírito e colaborar para que a gente vire o ano com muita alegria, força, paz, energia positiva e reforço a nossa brasilidade.

PA: Daniela, você é uma artista que não expõe sua vida pessoal para o público. Esse seu resguardo não atrapalha sua carreira artística?
DM
: A intimidade que eu acho interessante para as pessoas é mostrada. O que eu acho que pode acrescentar no processo criativo, como eu trabalho com a banda, como são construídos os arranjos, quais são as inspirações poéticas... Eu digo que há muito mais intimidade nas músicas do que as pessoas poderiam perceber, ainda que abrisse a minha casa todos os dias. Eu não sou diferente no palco do que sou na minha casa. Então eu dou para o público o que eu acho que é interessante, o que é rico e que pode acrescentar algo para as pessoas. E tento oferecer o melhor de mim o tempo inteiro, já que sou uma artista que estou sempre em contato com a maioria da população, com um contato humano contínuo, através de entrevistas, shows, making ofs, redes sociais, através de meu blog, meu twitter, sites... Tento comunicar tudo relacionado ao que faço porque eu acho que é o que há de mais interessante e enriquecedor para as pessoas. E o meu trabalho é o fruto de minha alma, de meu coração e da pessoa que eu sou.

PA: Você é uma das poucas artistas brasileiras que consegue atingir as comunidades de diversos locais fora do país, muitos críticos te comparam a Carmen Miranda, outros a Madonna, e recentemente a intelectual pós-feminista dos Estados Unidos Camille Paglia polemizou com o trabalho de Lady Gaga comparando com a sua originalidade. Como você lida com essas comparações?
DM: Fico lisonjeada com o reconhecimento sobre minha espontaneidade, a força do meu trabalho, a minha feminilidade pessoal, a minha capacidade de cantar e dançar, o reconhecimento a essa minha expressão maior que é a minha arte e até à minha pessoa. Algumas críticas de Camille Paglia obviamente me reforçam e me estimulam a manter o caminho que eu venho traçando desde o início da minha carreira. Um caminho de seguir meu coração, minha intuição, de valorizar a brasilidade, a baianidade, a cultura do meu país, que foi isso que mais me interessou e foram coisas citadas por Camille Paglia. Fico muito feliz do reconhecimento também da cultura brasileira, junto com meu trabalho, do interesse pela música brasileira. Que eu possa não só mostrar o meu trabalho e ter esse reconhecimento, mas que isso seja um canal para que a própria Camille conheça mais a música brasileira. Sou uma artista que convivo com as diferentes linguagens e vejo isso com curiosidade e interesse sem fazer juízo de valor.

PA: Falando nesse seu reconhecimento internacional, você tem interesse em gravar um DVD no exterior?
DM
: Eu já fiz especiais de TV em Portugal, na Argentina, que não foram lançados como produtos, tipo DVD, mas eu tenho muitos shows transmitidos para o mundo inteiro, feitos originalmente no exterior e que o Brasil nem teve conhecimento. São muitos projetos, muitos shows no mundo todo, incluindo Estados Unidos com shows em grandes centros culturais como Lincoln Center, Kennedy Center, Hollywood Bowl, shows grandes de rua, em estádios de futebol, tem o DVD do Cirque Du Soleil, que celebra os 25 anos do Cirque e que foi gravado em Montreal, em 2004, cantando 2 canções compostas por eles especialmente para eu cantar. Já fiz bastante coisa fora do país e gravar um DVD no exterior é algo que pode acontecer a qualquer momento.

PA: Para finalizar mande um recado especial a todos os seus fãs e internautas do Portal Axezeiro que estão torcendo por mais uma realização na sua carreira profissional.
DM: Alô turma do Portal Axezeiro, parabéns pelo trabalho de vocês, sempre divulgando a música baiana e ligados em tudo que acontece na cidade. Todo mundo deve acessar o Portal Axezeiro, para sentir a energia dessa cidade e saber o que está acontecendo. Parabéns pelo talento de fazer esse site. Quero mandar um beijo para cada um e convido vocês para viverem o espírito dessa nova canção "É Carnaval". Convido o mundo pra vir pra cá no carnaval. Esse ano eu estou com o Bloco Crocodilo, com a parceria com a Revista Contigo! divulgando pro mundo inteiro o nosso carnaval, pra gente trazer mais gente, para o bloco ficar mais animado, mais poderoso. Vou fazer o trio sem cordas, meu camarote vai estar badaladíssimo esse ano, vocês já são meus convidados. Espero vocês no carnaval. Estou com vocês!

 

 

Fonte: Axezeiro

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