“A música é para limpar por dentro, não por fora”
Seu Jorge, Músico brasileiro sobre novo projecto e concertos de hoje no Porto e de amanhã em Lisboa.

Correio da Manhã - O novo projecto ‘Seu Jorge and Almaz' nasceu na banda sonora do último filme de Walter Salles. Como é que daí se passou a um disco?
Seu Jorge - Foi inesperado. Reparámos que o resultado final superou as expectativas. Depois, percebemos que estávamos todos livres. Daí fomos para o estúdio e apareceu este trabalho.
- Têm versões de Kraftwerk, Jorge Ben e Michael Jackson. Como se chegou a esta lista final?
- São gostos pessoais de todos. Era também uma forma de homenagear a música brasileira. Quero elevar o som a um outro horizonte.
- O resultado final é menos festivo e mais obscuro, eléctrico...
- Foi a maneira que encontrámos para experimentar. Deste tipo de música ninguém estava à espera de ver no Seu Jorge, até porque é, à sua maneira, psicadélica. Um pouco mais cósmica.
- Pretende repetir o projecto?
- Quero muito repeti-lo. É algo que me veio contagiando e quebrou uma estética. Amo as minhas raízes, mas quero muito testar outra maneira de falar.
-Trabalhou com músicos da Nação Zumbi. Antes lançou um disco com Ana Carolina. Não teme que isso o desvie da carreira?
- Já cantei com muita gente e encaro-o como uma forma de fazer parte da música brasileira. Faz parte da maneira como vejo a minha cultura. A arte também premeia a realização conjunta. Isso agrada--me muito: são estímulos, seja intelectual, seja musicalmente.
- Está de volta a Portugal [hoje no Coliseu do Porto e amanhã no Coliseu de Lisboa]. O que podem os fãs esperar desta vez?
- Espero que todos amem este projecto. Vão ter uma festa de celebração brasileira. Não teremos o espectáculo do costume, mas sim música brasileira num ambiente novo. A música é para limpar por dentro, não para limpar por fora.
Fonte: Correio da Manhã