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Música do Brasil

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Entrevista: Pitty

 

Pitty se destaca no cenário do rock nacional pelas canções cheias de introspecção e é, juntamente com o Paralamas do Sucesso, a maior vencedora da história do Video Music Brasil da MTV, com quinze prêmios. No VMB deste ano, ela venceu a categoria “Rock”. Com o intuito de explorar seu talento também nas músicas calmas e melancólicas, ela criou recentemente o projeto Agridoce, junto com seu guitarrista Martin. As primeiras canções, disponíveis no MySpace, geraram críticas bastante positivas. O último álbum de Pitty, Chiaroscuro, foi lançado em agosto de 2009. O título é uma das técnicas de pintura de Leonardo Da Vinci e significa “claro e escuro” em italiano, justificando os contrastes na sonoridade. As canções são pesadas e leves, vicerais e sutis.  

O aniversário de Pitty é neste mês de outubro (7), e o Reduto do Rock preparou uma entrevista + promoção para presentear seus leitores. Vamos sortear o DVD Chiaroscope, que traz imagens da gravação do álbum no Estúdio Madeira e ganhou o prêmio Multishow 2010 (participe e veja regulamento, clicando aqui). Confira abaixo a entrevista na íntegra.

 

Reduto do Rock – Como surgiu a idéia da Dupla Agridoce? Quais as expectativas através desse projeto? Pretendem lançar um álbum/clipe?  

Pitty – Surgiu despretensiosamente, eu e Martin dedilhando umas coisas no violão, meu piano por perto… começamos a fazer um som e decidimos gravar de forma caseira só pela experiência mesmo. Até por isso, nunca houve nenhuma expectativa específica. Nem achávamos que iria chamar atenção desse jeito, só queríamos mesmo um laboratório ali. A coisa continua assim, a gente faz quando dá tempo e vontade. Se vai rolar disco, clipe ou algo mais eu não sei. Agora é deixar rolar mesmo.  

 

RR – Por que explora tanto a subjetividade e introspecção em suas letras e clipes?  

Pitty – Talvez porque eu seja assim. Penso demais, a cabeça não para e estou sempre me fazendo perguntas infindáveis. Tenho um apreço especial pelos mistérios e pelas coisas escondidas; por tudo aquilo que não está na superfície e ainda assim é a argamassa que segura o todo. Gosto de ter o que descobrir, e nas letras e clipes esse jogo aparece quase sem querer. 

 

RR – Dizem que a gente vai mudando de estilo, conforme amadurece. E você, já adotou outros estilos?  

Pitty – A gente muda o tempo todo, desde que nasce até quando morre. É inevitável e pode ser sutil ou mais óbvio; mas muda. Já passei por muitos estilos, vontades, aspirações, certezas que se mostraram não tão certas. E tudo só serviu pra somar, aprender e no final definir o que realmente me interessa. No começo só ouvia punk e hardcore, depois me embrenhei mais no metal e no alternativo, descobri o jazz e o blues e me apaixonei, tive uma fase mais indie, encontrei coisas na MPB que são muito especiais.  Hoje nenhum rótulo me interessa; música boa pra mim é aquela que me toca de alguma forma e pronto, seja lá de onde ela venha.  

 

RR – Cite uma representante feminina do rock nacional e uma do rock internacional, pelas quais tem grande admiração. Explicando o porquê, se possível.  

Pitty – Na verdade, tenho uma grande dificuldade em escolher ícones femininos. Minhas maiores referências sempre foram masculinas. Mas vá lá, Rita Lee e Beth Ditto. A primeira por toda história com os Mutantes e depois solo, pela coragem e pela transformação que causou na imagem da mulher brasileira-roqueira. A segunda por toda a atitude de ser o que é, de não se render a padrões estéticos e mostrar que é possível ser interessante e feminina desse jeito. Mas citaria várias que não seriam rotuladas como rock, mas que são mais rock do que qualquer coisa: Elis Regina, Billie Holiday, etc.  

 

RR – Mesmo com o tempo corrido, você continua respondendo aos fãs e estimulando questionamentos por meio de seu blog. Qual a importância desse meio para você?  

Pitty – Essa relação me alimenta. Escrever é minha principal válvula de escape, tão ou mais importante quanto a música. E essa troca de ideias me fortalece, me traz argumentos, abre a cabeça. Nasci para me comunicar, não saberia viver sem isso.   

 

RR – Em um dos posts, você comenta que a música foi uma defesa das desigualdades/injustiças vividas por você. Acredita que seja isso que seus fãs encontrem ao ouvir suas músicas também?  

Pitty – Alguns sim, outros não. A relação de cada um com a música é pessoal, intransferível e só cabe na realidade da própria pessoa. E cada uma é única; sendo assim cada um vai encontrar ali o que precisa para completar o seu próprio micro-cosmo.  

 

RR – O que está lendo no momento?  

Pitty – A autobiografia de Ozzy Osbourne. Incrível e extremamente necessária a todo mundo que curte rock.

 

Links:
Site oficial: www.pitty.com.br
Twitter: @pittyleone
Facebook: www.facebook.com/pages/Pitty/133281290022124?v=wall&ref=ts
MySpace: www.myspace.com/bandapitty

 

Fonte: Reduto do Rock