Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

Caetano Veloso aquece Coliseu em noite emotiva

No primeiro dos dois concertos prometidos para Lisboa, Caetano Veloso conseguiu aquilo que parecia impossível: aquecer ainda mais uma noite de Julho abrasadora. Num espectáculo sóbrio mas que entusiasmou um Coliseu dos Recreios quase cheio, o cantor percorreu vários estilos musicais, mostrou toda a força do seu rock, cantou em inglês e espanhol, sem nunca perder o balanço do samba. E, acima de tudo, apresentou ao público o seu mais recente trabalho discográfico – o inspirado ‘Zii e Zie’, de 2009.

 

 

O concerto começou com dez minutos de atraso – com o público já a ficar impaciente – e arrancou morno, apesar dos fortes aplausos com que Caetano Veloso foi recebido.

 

Na plateia, camarotes ou galeria, havia gente de todas as faixas etárias, muito atenta e bem comportada. Apesar da rápida sucessão de canções ritmadas – mesmo a pedir um pezinho de dança – o público manteve-se sentado, como que hipnotizado pela figura magra de Caetano, que, aos 68 anos, mantém uma forma invejável.

 

Mas a partir do momento em que Caetano Veloso cantou ‘Maria Bethânia’ – o tema que compôs em 1971 altura em que estava exilado em Londres e que descreveu como “um pedido de socorro à minha irmã Maria Bethânia” – o concerto entrou numa nova fase.

 

Recordando temas bem conhecidos – e amados pelo público – como ‘Irene’, ‘Desde que o Samba é Samba’ ou ‘Objeto Não Identificado’, o brasileiro acabou de derreter os corações presentes. Nem os leques – que se viam a abanar por toda a sala – os salvaram.

 

Antes do encore, ainda houve tempo para ouvir o divertido ‘Odeio Você’ e três das melhores canções do disco ‘Zie e Zii’: ‘Tarado ni Você’, ‘Lapa’ e a altamente politizada ‘A Base de Guantanamo’. 

Caetano despediu-se do público com ‘A Luz de Tieta’ e no fim não houve como reclamar de um concerto impecável. Soube a pouco.

 

Fonte: Correio da Manhã