«Beijo Bandido», Ney Matogrosso
Ney Matogrosso sacia a curiosidade perante alguns clássicos brasileiros com um «recital» em que, pela primeira vez, só há cordas a envolver a sua voz.
Em comparação directa com o seu predecessor «Inclassificáveis», «Beijo Bandido» é o contraponto à energia quase rockeira de um disco exuberante. A atmosfera de recital surge por necessidade de um artista eternamente insatisfeito, sequioso de novas experiências e aventuras. Despidos os excessos é a essência que sobra. O esqueleto de canções criteriosamente seleccionadas a partir do cancioneiro do Brasil.
«Beijo Bandido» é Ney Matogrosso na pele de uma nova personagem, mais contida mas igualmente superlativa no recurso à voz. O formato acústico da banda convocada permite-lhe recuperar o espaço necessário para que as capacidades de cantor sejam exponenciadas. Pela primeira vez, Ney trabalha com um colectivo exclusivamente constituído por cordas.
Pérola como «Tango para Tereza» (Evaldo Gouveia/Jair Amorim), imortalizado na voz de Ângela Maria; «De cigarro em cigarro» (Luiz Bonfá) e «Segredo» (Herivelto Martins/Marino Pinto) ganham nova vida. Já a parceria de Chico Buarque e Edu Lobo, «A Bela e a Fera» e «Nada por mim», balada de Herbert Vianna e Paula Toller, revestem-se de novos contornos sem perderem o ADN.
Originalmente concebido para os palcos, «Beijo Bandido» não pode ser desligado da expressividade de um Ney Matogrosso em permanente representação. A cama está feita com a recuperação de uma série de clássicos que já conhecia de trás para a frente mas aos quais soube acrescentar a sua personalidade sem necessidade de recorrer a imposições.
Fonte: Disco Digital