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Música do Brasil

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O mais novo show de Zeca Baleiro vai virar CD em breve

De volta ao Teatro FECAP, em São Paulo, Zeca Baleiro registrou, no último final de semana,  composições e recriações que irão se transformar em um novo CD.

 

 

 

 

Esse novo show, intitulado “Concerto”, foi montado e apresentado tal como um recital. Com uma enxuta e extremista formação, Zeca juntou dois exímios músicos com pegadas e estilos bem diferentes: o violonista Swami Jr e o multi instrumentista Tuco Marcondes, seu sideman de longa data, que é um músico de pegada roqueira, participando de quase todas bandas e turnês do artista.

Dono de uma poética ácida e cortante, letras extremamente inteligentes apoiadas por levadas e harmonias bem pessoais, ele praticamente hipnotizou o público, que cantou junto muitas vezes.

No show ouvimos novas canções, tais como A Depender de Mim, Mais um Dia Cinza em São Paulo, e recriações de antigas, tal como Canção para Ninar um Neguim, composta para Michael Jackson em 93.

Interessantes releituras do show foram com Eu não matei Joana D’arc, do grupo roqueiro Camisa de Vênus, e Best of You dos Foo Fighters.

O público pôde participar, escolhendo as músicas que estarão no CD, depositando em uma urna e através de seu site.

Veja como foi o show em nosso vídeo:

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois, ele e o guitarrista Tuco Marcondes nos receberam no camarim, para uma conversa exclusiva, contando detalhes desse show.
 

Zeca Baleiro – A idéia é antiga, mas dependia da disponibilidade de todo mundo, da minha agenda, e do fato de eu estar na estrada fazendo shows de outros discos. Esse era um show que necessitava certo tempo de preparação e acabámos enfurnados em meu estúdio, em São Paulo, durante uma semana. Ficámos testando coisas: isso aqui funciona, isso aqui talvez... E assim foi. A idéia era essa fazer um show juntando o Tuco Marcondes, que é um músico de pegada mais pop, rock e blues, com o Swami, que vem de formação clássica, mais emepebistíca. O meu trabalho transita nestes dois extremos. Eu acho que deu a maior liga, porque, apesar de serem diferentes, eles são muito afinados e amigos, têm muita afinidade. Queria tocar coisas minhas, mas basicamente releituras. Tudo começou com um show de releituras. Nós fizemos nove shows aqui durante três finais de semana em Setembro e Outubro de 2009, e foi uma temporada muito boa. Aproveitámos e gravámos todos, pois aqui no teatro FECAP tem um ótimo estúdio aonde muitos discos já foram gravados, e assim alimentámos a idéia de fazer um registro ao vivo para virar um disco.

PP – Uma coisa que chama a atenção são os arranjos entre os três violões. Como são elaborados?

ZB – De forma coletiva, e nós acabamos criando juntos.

Tuco Marcondes – Eu e o Swami somos muito diferentes. Então, naturalmente, quando o Zeca começa a mostrar uma música, ele vai para um lugar e eu vou para outro. Depois apenas aparamos as arestas.

PP – E vocês ficaram satisfeitos com o material coletado nestes três dias aqui?

ZB – Sim, até agora temos indícios que sim. Quando nós fizemos os nove shows no ano passado, tudo era muito fresco, e, de lá para cá, nós fomos decupando os arranjos, vendo o que estava excessivo, tirando as notas que sobravam, e agora ficou algo mais enxuto. Os timbres são muito próximos e é difícil saber como ornar isso. O que existe nesse show é muito labor nosso e não é só inspiração.

PP – E sobre essa possibilidade que você  deu aos seus fãs de votarem e ajudar a decidir as músicas que estarão no novo CD?

ZB – Isso surgiu agora. Eu mesmo confesso, tenho certa birra com essa coisa de interatividade, e, hoje em dia, tudo tem que ser interativo para ser interessante. Esse é um show que já foi visto por muita gente e aqui o teatro é pequeno. Por exemplo, eu tenho fãs que estiveram nos nove shows do ano passado e mais os três dias de agora, e eu queria saber a resposta deles mais como uma enquete, do que algo definitivo. A palavra final será nossa, tudo ainda depende da qualidade técnica, pois eu quero mexer o mínimo nas edições, para deixar tudo o mais orgânico possível.

PP – Você interage com as pessoas na internet através das redes sociais?

ZB – Não. Só através de meu próprio site,  através dum mural onde as pessoas podem escrever, xingar, elogiar, sugerir, etc... E eu escrevo, eventualmente, alguns textos que pretendo compilar e transformar em um livro esse ano. Acho que a interação pode criar problemas a um artista. Num primeiro momento, quando comecei, tinha um público menor e tinha um sonho de responder pessoalmente todos os e-mails. Então o que era 30 virou 300 e depois 3000... Se só faço isso, nunca mais componho e nem toco.

PP – Qual a sua opinião sobre a distribuição digital de música pela internet?

ZB – Acho que é mais uma ferramenta e tem que se usar. Timidamente, acabei usando no último disco, “O coração do homem bomba” volume 1 e 2. No volume 1, demos um presente de Natal em Dezembro, que era um download gratuito da música Toca Raul e, depois, no volume 2, colocámos mais três músicas e tivemos uma resposta super boa e o site foi muito visitado. Não gosto desse discurso de que o disco acabou, pois sou apaixonado pelo objeto do disco, de pegar, ver o encarte, da arte gráfica. Nem tanto mar nem tanto terra: é preciso investir nas duas frentes. Há o publico que compra disco, geralmente entre 30- 40 anos, e temos os que não compram mais e ainda os que nunca compraram. Eu sou um aficionado pelos LP’s, ainda tenho vários.

PP – E suas novidades para esse ano?

ZB – Fazer esse disco e outro que tenho em mente que será uma coletânea das trilhas que fiz para cinema e dança. Tenho que fazer uma pequena tour e um disco infantil, que pretendo fazer no segundo semestre. Em Maio estarei no Rock in Rio, em Lisboa, Portugal, no palco Sunset, que é um espaço alternativo, dividindo show com Jorge Palma, que tem um som bem interessante. Eu gosto muito de tocar em Portugal. Já tive discos lançados lá e tenho uma platéia muito calorosa. 

Fonte: Palco Principal