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Música do Brasil

Música do Brasil

A história desfila na avenida

Mart'nália produz CD que reúne sambas que contam a história do Brasil

  Noel Rosa já decretou: "Ninguém aprende samba no colégio". Vizinha de Vila, Mart'nália mostra que o contrário pode funcionar e o samba pode fazer aprender no colégio. A cantora se juntou ao irmão Martinho Filho e produziu o CD Aula de samba, lançado pela Biscoito Fino durante o carnaval de 2008. O disco apresenta sambas enredos que contam capítulos da história do Brasil.

Mas o disco pega músicas de outros carnavais. Se hoje em dia os sambas se esforçam em auto-elogiar as próprias instituições, antes da metade da década de 70 traziam mais conteúdo. Mart'nália focou sua seleção exatamente entre 1949 e 1976, época em que ainda tinha 11 anos. "É uma deliciosa aula de samba e de Histórias do Brasil. Traz ao mesmo tempo, uma advertência: por que não foi selecionado nenhum samba atual?", explica e provoca o pesquisador Sérgio Cabral em texto encartado no CD. "Nenhum dos sambas registrados neste projeto sairia vencedor em um concurso de samba-enredo atualmente", garante Martinho da Vila na contracapa.

Os sambas presentes no álbum já foram além de contar, alguns já fazem parte da história. Chico Buarque abre o desfile com Exaltação a Tiradentes, eternizada na voz de Elis Regina. Outro samba que entrou para o repertório do ano inteiro é a Aquarela brasileira. Gravada com sucesso por Emílio Santiago como primeira faixa de seu disco de estréia em 1976, aqui volta com uma animada Simone. A ótima interpretação da cantora lembra suas antológicas gravações do início da carreira.

Emílio dessa vez conta a história da abolição da escravatura em Sublime pergaminho, defendido pela Unidos de Lucas em 1968. Do desfile do mesmo ano Leci Brandão traz Dona Beija, a feiticeira de Araxá, tema do Salgueiro. Mas quando a aula é de samba, a professora Alcione não pode faltar. Ela desfila o vozeirão homenageando Getúlio Vargas em O grande presidente.

Esse tipo de projeto costuma despertar a formação de duplas inusitadas, de artistas que aproveitam a oportunidade para gravar juntos. Dessa vez, porém, apenas um encontro aconteceu. Dona Ivone Lara e Toni Garrido estão juntos em Os cinco bailes da história do Rio, que a Império Serrano apresentou em 1965.

Zélia Duncan é onipresente em projetos como esse. A cantora faz questão de participar e sempre dá seu recado com desenvoltura, mostrando que seu talento é múltiplo e real. A cantora, que já gravou diversos sambas, ginga à vontade em Benfeitores do universo. Novata no mundo do samba, Maria Rita mostra que aprendeu bem a lição em Heróis da liberdade, que volta ao assunto da tardia abolição da escravidão no Brasil.

Provando que brasileiro conhece samba no berço, outros artistas de diferentes universos musicais também passam pelo disco. Caso de Moska em Dia do fico, Lenine em Onde o Brasil aprendeu a liberdade e também de Fernanda Abreu em Os sertões.

A ótima idéia de Mart'nália é realizada com grande sucesso. Os sambas desfilados aqui mostram músicas que sobrevivem muito além da quarta-feira. A seleção faz uma trilha sonora informal de vários capítulos da história do Brasil. Para ser ouvido dentro e fora da sala de aula, o samba que tem o que ensinar.

 

Fonte: ZiriGuidum

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