«All In One», Bebel Gilberto
Há uma parada de estrelas envolvidas neste «All In One», directa ou indirectamente. Não se deixe enganar, isto é xarope e do mau.
Bebel Gilberto pode ser muito simpática e agradável à vista mas este «All In One» é uma das maiores xaropadas dos últimos tempos. Vale a pena questionar se um exercício tão barato e facilitista é digna do nome Gilberto (o pai, recorde-se, é João Gilberto).
Para além do aproveitamento descarado de um património que deveria ser mais bem preservado («Bim Bom» e «Chica Chica Boom Chic» não são duas versões, são dois sacrilégios, um deles familiar), Bebel Gilberto parte para este «All In One» com a ideia de rentabilizar o sucesso do distante «Tanto Tempo».
Acontece que não só no início da década o downtempo era um som de vanguarda como o próprio «Tanto Tempo» estava milhas à frente deste «All In One». De resto, o acidente do disco homónimo (2004) repete-se. Havia alguma necessidade?
Bebel faz-se a «Sun Is Shining» (Bob Marley) e «The Real Thing» (Stevie Wonder) para mostrar que tem horizontes largos. São clássicos, sem dúvida, aqui reduzidos a um esqueleto faminto. «All In One» representa a falência de um som e a decadência de um tempo. E custa ver talentos como Mark Ronson e John King (Dust Brothers) desperdiçados.
Fonte: Disco Digital