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Música do Brasil

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Entrevista: "Os roqueiros profissionais sempre me cobraram muito", afirma Erasmo Carlos

Quem viu o primeiro ato da nova turnê de Erasmo Carlos, em setembro no Rio, até agora procura uma definição para o show que não esbarre no título do mais recente álbum do Tremendão: Rock N’ Roll, o primeiro de inéditas em cinco anos. Lançado em junho, o disco mostra o cantor e compositor de 68 anos numa volta ao rock que o garantiu a fama de mau nos tempos de Jovem Guarda.
 
Com o CD no bolso do paletó e um ainda inédito livro de memórias no outro bolso, Erasmo volta aos palcos de São Paulo no dia 23 de outubro, no HSBC Brasil. Em entrevista ao Virgula Música, o Tremendão conta que não vai tocar mais de seis músicas novas. No bate-papo por telefone, ele explica a aproximação com as guitarras e artistas do rock independente. De quebra, revela que tudo o que está no livro saiu diretamente de sua cabeça. Resolveu publicar “sem assumir que é uma autobiografia”. “Nunca seria uma coisa honesta”, opina.
 
O show em São Paulo é o mesmo da estreia da turnê, no Rio? Por exemplo, o Liminha (produtor do novo disco) vai participar?
 O show é o mesmo, mas a participação do Liminha foi só uma canja. Normalmente não tem a participação dele. Toco seis músicas novas. É o ideal, para irem aos poucos acostumando. Com mais do que seis, de repente já começam as reclamações.
 
No repertório há Sentado à Beira do Caminho, É Preciso Saber Viver, Fama de Mau e outras clássicas. Você toca é mais para agradar a plateia?
 Eu tenho uma história e as pessoas gostam de mim por esta ou aquela música. Então as pessoas vão ao show querendo ouvir. A crítica não gosta deste tipo de repetição, mas se o Rolling Stones vier aqui e não tocar Satisfaction, todos ficam chateados.
 
Por que sentiu a necessidade de gravar um disco de rock?
 Há muito tempo me pedem, principalmente os fãs paulitas que são roqueiros profissionais. Aqui no Rio, talvez pelo clima, não temos roqueiros típicos como o (guitarrista Luis) Carlini e o Beto Lee. Eles me cobravam muito. Queriam um disco de guitarras, de rock mesmo. Estava com saudade, fiz uma boa leva de músicas e aproveitei.
 
São muitos fãs da cena do rock independente como Nervoso, Gabriel Thomaz e Érika Martins, que te acompanharam no VMB (premiação da MTV). E o Filhos de Judith, sua banda de apoio. Como é saber que sua obra fascina essa nova geração?
 É necessário para a vida do artista. Se bobear você fica junto com os seus amigos, quem é da sua geração. Tem que ser aberto a novas influências, ficar de peito aberto...
 
Qual a diferença do processo de composição entre os parceiros de longa data, como Roberto Carlos; e os mais recentes como Nando Reis e Chico Amaral?
É diferente, porque não tem um encontro físico com os novos. São processos distintos. Com Nelson Motta, Nando Reis e Chico Amaral, não tive encontro. Música e letra eram coisas distintas. Trocamos e-mail e mp3 para compor e chegarmos a um acordo. Com o Roberto é fisicamente que nos encontramos e discutimos.
 
Gostaria de saber um pouco do teu livro... Como surgiu a ideia de lançá-lo?
Fui escrevendo casos engraçados que aconteceram comigo e com meus amigos do meio e fora do meio. Num certo ponto, já com a editora Objetiva, vimos que se tivesse um fio condutor era uma minihistorinha da vida. Sem assumir que é uma autobiografia. Jamais publicaria uma autobiografia vivo. É legal quando o cara morre e alguém faz: fica a lenda do cara. Ele vivo nunca seria uma coisa honesta. Sempre vai livrar a cara dele mesmo. Achamos honesta chamar de memórias, é mais descompromissada. Escrevia em todos os lugares: no banheiro, no aeroporto. Fiquei 24 horas por dia pensando nos casos. Tudo é da minha memória, publiquei como eu me lembro. É a minha ótica.

 

Fonte: Virgula Música

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