Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

Blitz lança novo disco e nem pensa mais no passado

Para Evandro Mesquita, é melhor o beijo na boca do que bodas de ouro

 

 

Eskute Blitz é o primeiro disco de inéditas da Blitz desde Línguas, de 1997. Nele, o grupo mostra a disposição de se renovar, mas sem perder a sua identidade. Em entrevista exclusiva ao R7, seu líder, o cantor, compositor e vocalista Evandro Mesquita conta tudo sobre o CD, seus planos e também se há a possibilidade de a formação original do grupo, dos anos 80, voltar a se reunir.

R7 - Como você avalia esse primeiro disco de inéditas em 12 anos?

Evandro Mesquita - Sinto um orgulho dele equivalente ao que senti quando lançamos o nosso primeiro disco. O DVD e CD ao vivo que lançamos em 2006 (Blitz Com Vida) fechou um ciclo para nós, que surgimos até antes mesmo do VHS, que dirá do DVD. Dava inveja das bandas novas. Como o DVD foi uma retrospectiva da carreira, agora é a hora certa de investir em canções inéditas de novo.

R7 - Como foi a seleção do repertório? Todas as músicas são recentes? E como vocês conceberam o disco em termos musicais?

Mesquita - As doze músicas titulares do disco saíram de uma relação de dezoito, que representam bem o estado atual da banda. Testamos várias nesses dois anos, em shows. Somos melhores músicos, melhores seres humanos. Ainda tem a coisa de falar de coisas sérias com bom humor. Não soamos como covers de nós mesmos, não tentamos copiar nossos antigos sucessos. As músicas de Eskute Blitz tem o espírito da Blitz, mas sem cair na cópia

R7 - Muita coisa mudou desde a gravação de As Aventuras da Blitz (1982), primeiro disco da banda. Como você encara as facilidades atuais? E como avaliam a opção por uma gravadora independente?

Mesquita - Nos anos 80, os estúdios eram enormes, pré-históricos. Hoje, são muito aconchegantes. Antes, gravar era coisa de astronauta, de Rolling Stones e hoje é a coisa mais fácil, você grava em casa e com qualidade alta. Mas a distribuição é que é o problema. Artistas como Calcinha Preta e Calypso conseguiram driblar isso. Em 2000, lançamos um disco em bancas de jornal e tivemos diversos problemas, embora tenhamos vendido 40 mil cópias mesmo assim.

R7 - Onde Eskute Blitz pode ser encontrado?

Mesquita - Em todos os sites grandes, nas lojas grandes. E a gente também vende nos shows, tanto o CD novo como o DVD/CD ao vivo. Esse tipo de venda gerou um mercado paralelo forte, é algo que ocorria nos anos 70, e que agora voltou. E a gente autografa todos os discos.

R7 - A Blitz conseguiu algo raro em seu auge, que era agradar a todos os tipos de público. Era isso mesmo?

Mesquita - Com certeza. O som da Blitz era entendido nas entrelinhas por alguns e por outros mais pelo refrão, pelos ritmos. Isso é legal, cada um entendia do seu jeito. Até as crianças curtiam. Os temas são abertos a interpretações, cada um encara de uma forma, entende de uma forma. A Blitz era curtida pela empregada, pelo patrão.

R7 - Da formação original da banda, sobraram você, o Billy Forghieri (teclados) e o Juba (bateria). Você pensa em um dia fazer uma reunião da formação original da Blitz, que incluía a Fernanda Abreu?

Mesquita - Não dá para voltar a namorar a primeira namorada trinta anos depois. O beijo não combina mais, os tempos mudam. Vida que segue. E fica difícil a convivência, ainda mais porque a banda não se separou numa boa, na época. Minha frase favorita é: é melhor o beijo na boca do que as bodas de ouro. Ou seja, quando a coisa não dá mais certo, é melhor partir para outra, apostar na paixão. 

R7 - Um dos pontos fortes do disco são as baladas. Alguma inspiração especial para elas?
Mesquita- Nuvens foi feita para a Alice, minha filha mais nova, de dois anos e nove meses. Ela abriu a minha cabeça, renovou a minha vida. Todas As Respostas, por sua vez, eu fiz para a Manuela, minha filha de 21 anos, é sobre a dificuldade de explicar o porque eu me separei da mãe dela.

R7 - O disco inclui canções de vocês e também parcerias com outros artistas. Como foi compor com Erasmo Carlos?

Mesquita - Foi a nossa primeira parceria, sendo que antes ele tinha gravado uma das minhas composições. Foi maravilhoso.

R7 - Quando vocês farão shows de lançamento do CD? E o que você anda fazendo, além da música? Afinal, você é conhecido como um trabalhador incansável!

Mesquita - Lancei um livro de contos intitulado X-Tudo. Saiu recentemente a biografia da Blitz, escrita pelo jornalista Rodrigo Rodrigues. Continuo trabalhando no seriado A Grande Família, na Globo, e também estou dirigindo uma ópera-rock que será encenada no teatro futuramente, Hetwig, de John Cameron. É bastante coisa, mas eu adoro. O show de lançamento do CD rola em São Paulo no dia 8 de novembro (em São Paulo) e 12 de novembro (no Rio).

divulgação

 

Escalação atual da Blitz. Da formação original, continuam firmes no time Evandro Mesquita, Billy Forghieri e Juba, que são o primeiro, terceiro e quinto da esquerda para a direita

 

Fonte: R7