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Música do Brasil

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Simone volta com grande trabalho

   Em Na veia cantora junta boa safra de inéditas e revela compositor Paulo Padilha

 

Depois de interpretar inéditas de Ivan Lins e de rodar o país ao lado de Zélia Duncan com o show/CD/DVD Amigo é casa, Simone volta com um novo trabalho de carreira. Em Na veia, CD lançado pela Biscoito Fino, a cantora baiana visita seu leque de autores queridos e acerta ao revelar o paulistano Paulo Padilha. Com bom repertório de tom animado, o CD traz apenas quatro releituras.

Simone tem discografia irregular. No final da década de 70 a cantora lançou três trabalhos antológicos. Durante a década de 80 patinou no brega com repertório popularesco e arranjos pausterizados que marcaram sua voz. Desde a segunda metade da década de 90 Simone vem tentando recuperar o prestígio inicial, nem sempre com bons resultados.

Na veia, o novo CD, é desses bons títulos da discografia recente de Simone. Para encontrar esse resultado ela se uniu ao baixista e produtor Rodolfo Stroeter. O resultado é um disco ao mesmo tempo popular (no bom sentido) e cheio de classe. Até mesmo a inclusão de uma releitura de um samba de Agepê é tratado como resgate cult. Simone encerra o disco valorizando o hit Deixa eu te amar, que projetou o cantor na década de 70.

Da mesma época Simone volta ao politizado Gonzaguinha com a deliciosa Geraldinos e Arquibaldos. Depois de recentes releituras da cantora Célia e do grupo As Chicas, Simone mostra que a música tem muita força e sedução, uma das obras-primas do compositor. Outro grande clássico vem da obra de Paulinho da Viola, com o samba Ame. Simone mostra ótima versão, mas não chega perto da leitura apoteótica de Leila Pinheiro no álbum Mais coisas do Brasil ao vivo, de 2001.

O CD joga nova luz sobre o talentoso compositor paulistano Paulo Padilha, que lançou seu primeiro disco em 2006. Desse ótimo Samba deslocado descolado samba Simone escolheu a faixa Love para abrir seu novo trabalho e acertou. Pouco antes Paulo Padilha também foi gravado por Marcos Sacramento com Dia santo também comprovando a boa fase do compositor. Outra surpresa é que Simone, pela primeira vez, mostra uma composição própria feita em 1973 em parceria com Hermínio Bello de Carvalho e só agora gravada: Vale a pena tentar.

O novo repertório de Simone é formado de boa coleção de inéditas como Pagando pra ver, parceria de Abel Silva e Nonato Luís vestida com balanço pop contagiante. Martinho da Vila traz o samba Na minha veia, irresistível parceria com Zé Catimba que batizou o disco. O baixista Dé Palmeira comparece com duas novidades: Bem pra você é uma charmosa balada composta com Marina Lima e Certas noites, com Adriana Calcanhoto, que tem clima sensual. Adriana volta ao final do disco com Definição da moça com letra de Ferreira Gullar. Simone também ganha em dobro músicas de Erasmo Carlos que assina sozinho Migalhas e divide com Marcos Valle Hóstia.

Na veia é boa surpresa. Simone acerta na bem temperada receita, nas releituras e na coleção de inéditas. Bom momento que comprova que a cantora, sem querer se reinventar, ainda mantém a mão dos bons trabalhos. Para toda uma geração que conheceu Simone apenas com o repertório da década de 80 apagar qualquer má impressão. 

 

 

Fonte:ZiriGuidum

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