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Música do Brasil

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Nando Reis começa novo CD com pancadaria, mas no restante é o habitual baladeiro

Não é porque Nando Reis abre seu novo CD, "Drês" (Universal), com a pancadaria "Hi, Dri" que é procedente classificá-lo como pesado ou mesmo roqueiro. Passado o susto inicial, e em mais um ou dois momentos de ataques guitarrísticos, o restante é o habitual baladeiro.

"Não é um disco necessariamente roqueirão", define. "Tem variações. Não há uma fórmula única para as músicas e tem até uma canção apenas em voz e violão. Acho que o espanto que vem causando em algumas pessoas é devido a eu estar vindo de um álbum acústico".

O violão, de fato, tomou conta da vida de Nando Reis de tal forma que seu instrumento original --o baixo, tantas vezes empunhado em shows e gravações com os Titãs-- foi completamente abandonado. "Parei completamente. Faz seis anos que não toco num contrabaixo", conta.

"Gosto do violão, e toquei baixo por décadas apenas por circunstâncias. É um instrumento que me puxa mais para perto da bateria do que para o resto da banda. Desde que comecei a gravar meus discos solo, optei por dialogar com todos os instrumentistas. Empurrei todos meus baixos e amplificadores para o Felipe Cambraia (de sua banda, Os Infernais) e fiquei com os violões. Não tenho mais nenhum baixo em casa", diz.

Apego aos discos antigos
Nas novas composições (todas de sua autoria) as cordas de aço de seu violão dividem o espaço com as guitarras de Carlos Pontual, que com ele coassina a produção do CD. Parte da pauleira do álbum deve-se à onipresente mão do produtor-guitarrista.

"O papel do produtor, muitas vezes deixado em segundo plano, é fundamental", atesta. "Desde a formatação das canções até a escolha das sonoridades e timbres, sempre busquei alguém que pudesse revelar com maior precisão e intensidade a minha sonoridade. No caso do Pontual, gosto muito de como os instrumentos soam sob sua direção. E, por ser ele um integrante da banda, conhece a forma como cada um de nós gosta de contar a sua história".

Outra mão que imprimiu a marca no álbum, o arranjador e produtor Lincoln Olivetti, que nos anos 80 assinava boa parte dos arranjos ouvidos nas FMs, responde pelas linhas de sopros e pelas camas de cordas.

"A primeira vez que trabalhei com esse gênio foi em 2002, num disco póstumo da Cássia Eller", reverencia. "Achei um desbunde, chapei mesmo. Adoro a forma como ele escreve música. Nos meus discos, o que acontece é que ele escreve para a música, e não para gravadoras ou para o mercado, como no passado".

Passando a limpo a discografia de grupos prediletos, como o Led Zeppelin, Reis deixou-se influenciar ao finalizar "Drês". "É o que eu gosto. Me formei musicalmente nos anos 70 e continuo ouvindo a produção daquela década".


As horas a fio dissecando sua discoteca básica parecem ocupar tempo suficiente para que não sobre espaço para lançamentos. "Não ouvi o novo CD dos Titãs. A gente está distanciado, mas quero muito ver como eles estão", garante. "Também não escutei o mais recente do Caetano, este sim deu uma guinada para o rock. Eu não, eu sempre fui do rock".

 

Fonte: UOL Música

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