"Estávamos nos debatendo para voltar; agora, estamos tranquilos", diz Barone
Ao lançarem "Hoje", em 2005, os integrantes do Paralamas do Sucesso classificaram o disco como "mais um primeiro álbum", "um renascimento", pois era a primeira safra de músicas compostas após o acidente sofrido por Herbert Vianna em 4 de fevereiro de 2001.
Renascidos, eles migraram dos tons sombrios do CD anterior para um "Brasil Afora" que consideram "solar".
"A gente percebe que [em "Hoje'] estava se debatendo para voltar. Agora, estamos mais tranquilos. O novo disco é mais alegre, para cima, não esvazia a pista na festinha", brinca o baterista João Barone, ressaltando que "mesmo as coisas que não são tão para cima são sensíveis, sutis".
Segundo Barone e o baixista Bi Ribeiro, os pontos de partida das músicas são sempre as ideias de Herbert Vianna, tanto de letra quanto melódicas. Uma fase mais solar é resultado, portanto, de um Herbert mais em paz. "Eu me sinto cada vez mais eu mesmo. A minha coisa de tocar violão em casa, rabiscar os cadernos com fla-shes de ideias e eventualmente desenvolver algumas está voltando a ser natural", diz ele.
Ao falar, Herbert continua recorrendo a algumas muletas verbais, expressões que amparam seu raciocínio. Mas transmite maior serenidade do que há quatro anos, quando assumia que faixas de "Hoje" eram mensagens à sua mulher, Lucy Needham, morta no acidente de 2001, e aos três filhos.
"Eu diria que [no novo CD] não há nada diretamente conectado com isso", afirma Herbert, creditando aos filhos a melhora de suas funções neurológicas. "Com o dano cerebral que eu tive, no início não tinha noção de nada e eventualmente comecei a chegar em alguns parâmetros de questões práticas. Devo especialmente aos meus filhos e ao dia-a-dia deles, porque, com a ausência da mãe, eu me vejo me alertando: "Hoje a escola é a essa hora". Isso foi uma ferramenta saudável, que influiu na minha forma de trabalhar", diz.
As composições do disco que contam com a assinatura do trio -além de "O Palhaço", que está só na internet, onde "Brasil Afora" chegou antes de ir para as lojas físicas- vêm sendo consolidadas desde 2007, quando um novo disco começou a ser concebido. Elas sobreviveram a uma triagem que deixou cerca de 15 para um próximo CD. "Será o "Brasil Adentro'", brinca Bi.
Fonte: Folha de S. Paulo