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Música do Brasil

Música do Brasil

Eduardo Costa e Belo lançam música juntos

 

O cantor sertanejo Eduardo Costa e o pagodeiro Belo lançaram na internet uma música em parceria: 1º de Abril.

A canção, que é de Costa, já havia ganhado uma outra versão, mais pop, para receber a voz de Belo.

Os dois cantaram a música juntos na gravação do DVD do sertanejo, em outubro do ano passado.

Assista abaixo ao clipe de 1º de Abril e faça o quiz "Você sabe tudo sobre o gênero sertanejo?".

 

 

Fonte: R7

Fábio Jr.: as aventuras musicais do pai do Fiuk

Em reveladora entrevista ao iG, o cantor fala da relação com os filhos e de seu começo de carreira, como criança-artista

 

Além de habitar as colunas de celebridades por conta de sucessivos casamentos e do sucesso dos filhos Cléo Pires e Fiuk, Fábio Jr. é um músico. Afastado das telenovelas desde 1998, ele tem se dedicado de modo exclusivo e ininterrupto à carreira de cantor e compositor de música popular brasileira (mas não exatamente de MPB), com dedicação, convicção e paixão comparáveis às que a mídia de variedades dedica à sua vida pessoal.

Acaba de lançar o 27º álbum numa carreira discográfica autoral de 36 anos, inspirada em grande medida na obra de Roberto Carlos, do qual se considera (e é) legítimo discípulo. No CD “Íntimo”, dedica-se a amplificar seu repertório romântico habitual, com releituras (ainda românticas e, como de hábito, puxadas à soul music) de sucessos pop lançados originalmente por Jota Quest (“Dias Melhores”), Wilson Simonal (“Carango”), Marina Lima (“Fullgás”), Hyldon (“As Dores do Mundo”), Lenine (“Paciência”) e Djavan (“Esquinas”), entre outros. O filho Fiuk, atual ídolo teen, canta em “Carango” e na releitura de um dos maiores sucessos pop do próprio Fábio, “20 e Poucos Anos” (1979). Em “Fullgás”, apresenta a voz de outra filha, Tainá, de 25 anos.

Em entrevista ao iG, fala sobre episódios hoje pouco lembrados de sua história, como o início como cantor mirim, ainda nos anos 1960, em programas de jovem guarda e nos conjuntos musicais Os Namorados e Grupo Arco-Íris, formados com os irmãos Heraldo e Danilo e produzidos por Arnaldo Saccomani, até hoje envolvido na revelação de cantores adolescentes, em programas como “Ídolos”.

Fábio lembra o início dos anos 1970, quando a indústria fonográfica escondia seu rosto, batizava-o com codinomes como Mark Davis e o fazia compor e cantar em inglês, numa leva de artistas surgidos a partir de Morris Albert e seu hit “Feelings” (1974). Morris, Mark e dezenas de outros cantores eram brasileiros, mas vendiam discos e shows simulando ser ídolos internacionais em visita ao Brasil.

O pai de Fiuk fala com espanto e empolgação das semelhanças físicas e profissionais com o filho, enquanto rememora a relação com seu pai taxista e dono de banca de jornal, que o catapultou para a fama definitiva graças à balada “Pai” (“você foi meu herói, meu bandido”), que comoveu o Brasil ao ser apresentada pelo ator-cantor na série “Ciranda, Cirandinha”, em 1978.

 

 

No ano seguinte, a música inspirou Janete Clair a conceber a novela “Pai Herói” (Fábio cantava o tema de abertura, mas o filho-herói da trama era vivido por Tony Ramos). Ao mesmo tempo, o jovem que até pouco tempo antes não tinha rosto público estourava como galã da primeira versão da novela “Cabocla”, ao lado de Glória Pires, então sua namorada na vida real e futura mãe da hoje atriz Cléo.

O artista paulistano, hoje com 57 anos, afirma não se importar com a dualidade entre o Fábio celebridade e o Fábio músico, e faz muxoxo da falta de acompanhamento crítico de sua obra pela imprensa musical. Mas demonstra irritação por ter sido entrevistado no mesmo dia por um jovem repórter que, apesar de representar uma revista mensal, preocupou-se principalmente com temas extramusicais.

Como se falasse de si próprio, emociona-se e deixa os olhos se encherem de lágrimas ao se lembrar do cantor e compositor carioca Guilherme Lamounier, que fez certo sucesso nos anos 70 com uma mistura peculiar de pop, soul, psicodelia, folk e rock rural, ficou esquizofrênico, afastou-se da carreira e se mantém presente na memória musical brasileira por intermédio dele, Fábio, que costuma regravar hits soul-pop do autor como “Seu Melhor Amigo” (1981) e “Enrosca” (1982, reconduzida às paradas em 2000 pela dupla Sandy & Junior). O quase choro revela tudo: seja como músico, ator ou celebridade, Fábio Jr. é amor da cabeça aos pés, como diziam em 1970 os Novos Baianos.

A entrevista foi dividida em duas partes. A segunda parte está aqui.

iG: Quem é mais famoso hoje? Fábio Jr. ou o filho dele?
Fábio Jr.: [Ri.] Com maior orgulho, eu sou o pai do Fiuk, da Cléo Pires, e agora da Tainá. E tem a Kika e o Záion. Cléo tem 28 anos, Tainá tem 25, Kika tem 23, Filipe tem 20 e Záion tem 2.

iG: As suas fãs se misturam com as do seu filho?
Fábio Jr.: É legal, nos shows dá para notar que está vindo outra geração junto, acho que as mães estão trazendo as filhas. Em todo show as meninas chegam no camarim: “Cadê o Fiuk?”. “Ué, está trabalhando também, está viajando, fazendo show.”

iG: Você e seu filho têm trajetórias parecidas, são atores e cantores...
Fábio Jr.: [Interrompe.] Não só as trajetórias, a gente é parecido mesmo. Ele tem coisas que fico olhando e pensando, meu Deus do céu, sou eu com 20 anos, cacete. É engraçado. Tem hora que tenho aflição. Outro dia peguei uma foto minha, achei que era da época de “Cabocla” [novela que Fábio estrelou em 1979], cabelo curtinho, gel, terno. Ele falou: “Papito, sou eu, no desfile do Ricardo Almeida”. Você pega eu em “Cabocla” e Filipe hoje, é igual, os trejeitos dele...

iG: Você explodiu como cantor com uma música sobre seu pai, mas a história dele é muito diferente da sua e da do seu filho.
Fábio Jr.: Sim, mas acho que a alma é muito parecida. Ele era motorista, tinha uma banca de jornal também, no Brooklin [silêncio]. Era meu parceiro, para tudo. A gente se dava muito bem.

iG: Você já tinha uma história longa quando fez a música para ele e estourou.
Fábio Jr.: É, e ele era vivo ainda, graças a Deus. É emocionante, hoje Filipe me tem como uma referência que ele admira, respeita... Ouvir os outros falando do seu filho, “que moleque educado”, “que menino bacana", nossa, não tem coisa melhor no mundo, velho. Não tem coisa melhor no mundo do que ouvir as pessoas falando bem do seu filho. O sentimento e o relacionamento são muito parecidos, mas é uma outra circunstância, porque meu pai não era uma pessoa conhecida. A música ficou uma coisa tão emblemática que as pessoas diziam “que legal que você fez isso para o seu pai”, sem ele ser uma pessoa conhecida. O importante é que mostrei para ele.

 

iG: Ele morreu quanto tempo depois?
Fábio Jr.: Morreu em abril de 1982, e a Cléo nasceu em outubro de 1982. Fiz a música em 1978, para o especial “Ciranda, Cirandinha”. Aí Janete Clair, que escrevia novelas para a TV Globo, ouviu e colocou como tema da novela “Pai Herói”, em 1979.

iG: Qual era a profissão dele quando morreu?
Fábio Jr.: Ele era... punk [risos]. A profissão dele era punk. Ponto, e basta. Tem foto minha com ele no palco. Mas ele era muito inquieto, uma alma muito inquieta.

iG: A história da novela do taxista tinha a ver com a história dele?
Fábio Jr.: Na verdade, o título da novela e o nome do personagem eram outros. Não lembro agora, era “Não Sei o Quê, o Taxista”, e Silvio Santos mandou mudar o nome, botou “Antônio Alves, o Taxista”, porque meu pai se chamava Antônio. Quando me chamou para fazer, topei na hora, porra, xaveco melhor que esse não existe. Foi legal, fiquei seis meses morando na Argentina, conheci um monte de gente bacana.

iG: Silvio Santos sabia da história do seu pai?

Fábio Jr.: Sabia, o Brasil inteiro sabia, desde 1978. Essa novela foi em 1996, quase 20 anos depois. Foi uma puta homenagem que o Silvio fez, para mim e para meu pai.

iG: Você foi um cantor infanto-juvenil, não foi?
Fábio Jr.: Comecei com 12 anos, só fui fazer sucesso com 25, 26. Fui calouro do Chacrinha com 14 anos de idade. Depois vieram os grupos com meus irmãos.

iG: Como começou?
Fábio Jr.: Na televisão. Tinha o programa “Jovem Guarda” na TV Record, com Roberto, Erasmo e Wanderléa, e na Band tinha a “Mini Guarda”, que era só molecadinha. Quem apresentava era Ed Carlos, que era sobrinho artístico do Roberto Carlos. Eu comecei ali.

iG: No “Mini Guarda” já era o grupo Os Namorados, com seus irmãos?
Fábio Jr.: Não, era eu sozinho. Mas só apareci mesmo como Fábio Jr. em 1975, na TV Tupi, num programa musical semanal chamado “Aleluia”, com Silvio Britto. Filipe também começou com 12, 13, quando foi morar comigo e já começou a mexer no violão.

iG: Como é ser criança-artista?
Fábio Jr.: Eu sempre soube o que eu queria. Não queria ser engenheiro nem médico nem arquiteto, astronauta. Queria cantar.

iG: Ser ator não estava incluído?
Fábio Jr.: Não, mas com 13 anos já fiz um trabalho como ator. A prioridade sempre foi a música.

iG: As duas carreiras engrenaram juntas, mas no início a de ator sobressaiu, não?
Fábio Jr.: É que fui para o Rio fazer novela, e a novela, porra, é uma mídia super-agressiva. Hoje você é um ilustre desconhecido, amanhã você é conhecido no país inteiro. E isso me ajudou na carreira musical também.

iG: Só ajudou ou atrapalhou também? Não competiam?
Fábio Jr.: Claro que não competiam, eu fazia novela, show, disco, tudo junto. Como Filipe está fazendo [ri], ralação. Está com idade para isso, 20 anos.

 

Capa do álbum "Fábio Jr", de 1979

 

iG: Os Namorados e o Grupo Arco-Íris eram de jovem guarda?
Fábio Jr.: Era meio por aí, porque a gente cresceu ouvindo jovem guarda. A gente gravava muita versão do Arnaldo Saccomani, que é meu amigo até hoje, foi meu padrinho de casamento. A gente fazia backing vocal para Ronnie Von no estúdio. Ele e Arnaldo eram muito amigos, sempre foram, e Arnaldo foi meu primeiro produtor.

iG: Como aconteceu a história de cantar em inglês?
Fábio Jr.: Ah, foi engraçado pra caramba, e ao mesmo tempo meio... Era na TV Tupi, tinha os temas de novelas, eu compunha... [O repórter mostra capas de seus discos em vinil, inclusive o primeiro LP, assinado como Mark Davis, em cuja capa um surfista aparece de longe, numa onda gigante.] Ah, puta que pariu! Sou eu aqui surfando!

iG: É verdade?
Fábio Jr.: Claro que não! Acha que sou eu [risos]?, não consigo ficar em pé na prancha nem se ela estiver na areia. [Examina os LPs, para no “Fábio Jr.” de 1979]. Este é o primeiro sucesso, tem “Pai”, “20 e Poucos Anos”, “Quero Colo”. Olha se não é igual o Filipe, olha isso [espantado]!

iG: Você não tem esses discos?
Fábio Jr.: Não, todos não. Nossa senhora, este é o primeiro como Fábio Jr. [pega “Fábio Júnior”, de 1976]... Nossa, arrepia, viu? A semelhança com ele é um troço... Fora as lembranças todas que você está trazendo...

iG: Voltando a seus alter-egos que cantavam em inglês, Mark Davis e Uncle Jack…
Fábio Jr.: Tinha o Pete Dunaway, na verdade Otávio Augusto, que cantava e compunha muito bem. Ele tinha uma banda chamada Uncle Jack, e eu era um dos backing vocals. Foi muito generoso comigo, gravou um compacto simples, de um lado Pete Dunaway - e ele já fazia um puta sucesso -, e do outro lado era eu cantando, como Uncle Jack. Depois virei Mark Davis. De Mark Davis, para ir para a televisão cantando em português, tive que mudar de nome. Sou Fábio Galvão, mas tinha - e tem - um ator chamado Flávio Galvão, e o Caion Gadia, da Rádio Tupi Difusora [e futuro diretor musical do SBT], e o pessoal da gravadora disseram: “Você tem que mudar de nome”. Entrei numa crise existencial, mudar meu nome? Achamos Júnior e ficou.

iG: Pete Dunaway, Mark Davis, Morris Albert e outros eram artistas brasileiros que faziam de conta que eram estrangeiros. Por quê?
Fábio Jr.: Porque as músicas explodiram, pô. Colocavam nas novelas e faziam um puta sucesso.

iG: Isso não era um tipo de picaretagem?
Fábio Jr.: Não, as músicas explodiam mesmo! A gente sentava e fazia, pô. Era com dicionário na mão, “together”?, opa, rima com “forever”. A gente fazia show, saía todo mundo de óculos escuros, dizendo só “hi” para neguinho achar que éramos americanos mesmo.

 

iG: Seu rosto e seu nome não apareciam nos discos, não era frustrante?
Fábio Jr.: Não tinha nada de frustrante, para mim era o máximo. Pô, o rádio todo dia tocando Mark Davis, "Don't Let Me Cry", "I Want to Be Free Again", "My Baby", "Rain and Memories". Tocavam direto no rádio [cantarola uma delas].

iG: Você gosta, se ouvir hoje em dia?
Fábio Jr.: [Examina a contracapa de “Mark Davis”.] Karl Blatty era o Caion Gadia. Paul Denver, Pete Dunaway, tudo nome inventado. Tinha um monte de gente, Chrystian fez um puta sucesso e ficou com o nome [na dupla sertaneja Chrystian & Ralf]. Eu não, queria fazer sucesso como Fábio, não como Mark Davis.

iG: Qual era a sua nessa época? Queria ser um roqueiro, um cantor romântico...?
Fábio Jr.: Minha veia sempre foi romântica mesmo. Meu pai sempre falava: “Nego, canta música romântica que é a sua praia”. Esta capa [apanha o “Fábio Júnior" de 1976] também tinha uma coisa que me incomodava: tem um cara escondido atrás de mim, no escuro. Tem um cara aqui, ó, nunca descobri quem é. É dentro do estúdio.

 

 

iG: O seu primeiro disco não fez nenhum sucesso…
Fábio Jr.: E é quase inteirinho com letras do Paulo Coelho! Cheguei na gravadora, bati o pé e falei que não gravava mais em inglês. Eles ouviram meu material, “precisa dar uma amadurecida, o trabalho é legal, mas se tivesse um parceiro para dar uma ajeitadinha nas suas letras...”. Paulo Coelho estava no auge da parceria com Raul Seixas e com Rita Lee [o disco é do mesmo ano de “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, com Raul, e “Arrombou a Festa”, com Rita], era o cara para ajeitar esse pentelho que queria gravar em português. Fizemos um monte de coisa juntos e não aconteceu nada [risos]. Outro dia encontrei o Paulo em algum evento [imita a voz e cantarola a música “Já São 15 pras 7”, de 1976], “ô, Fabinho, já são 15 pras 7”. Era uma parceria nossa, imagina, a gente se encontra 35 anos depois e ele se lembra, é um cara muito simples.

iG: Três anos depois você estourou com “Pai”, “20 e Poucos Anos”, “Quero Colo”... O disco de 1979 é o que define a identidade musical que você vai levar pelo resto da vida, não?
Fábio Jr.: É.

iG: Como definir o que você faz? Qual é o lugar de Fábio Jr. na música brasileira?
Fábio Jr.: Oh, que chique [imposta a voz], já tenho um lugar na música popular brasileira?

iG: Tem, não tem?
Fábio Jr.: [Ri.] Obrigado. Sou um cantor romântico, pronto. Esse é o meu lugar. Depois do “Rei”, que está lá primeiro.

iG: É um discípulo do “Rei”?
Fábio Jr.: Pô, cresci ouvindo e vendo Jovem Guarda, sou tiete dele.

iG: Você sempre teve um pé no soul, na black music. Isso também é influência de Roberto Carlos?
Fábio Jr.: Ele sacou na época o lado negão, o lance do Tim Maia [canta], “há muito tempo eu vivi calado/ mas agora resolvi falar”. Eu canto essa música nesta turnê..

iG: Como você se ligou a esses estilos?
Fábio Jr.: Eu sempre gostei daquela moçada que veio com Cassiano, Tim Maia, Hyldon. No primeiro disco tinha música do Tony & Frankye [dupla soul-funk do início dos anos 70, formada por Tony Bizarro e Frankye Adriano]. Mas isso veio lá com Stevie Wonder, Marvin Gaye. Eu tinha um vinil do Stevie Wonder, ele com 12 anos de idade, de calça curta, já de óculos pretos, “The Jazz Soul of Little Stevie” [primeiro álbum do artista, de 1962].

iG: Você acompanhou a era dos festivais da canção, como espectador?
Fábio Jr.: Só assisti. Eu era moleque, acompanhava a Record, os festivais, o “Jovem Guarda”, a moçada da MPB com Elis Regina e Jair Rodrigues.

iG: Isso que se convencionou chamar MPB nunca foi a sua praia?
Fábio Jr.: Se convencionou, né? Música popular brasileira. O sertanejo não é popular? É música popular brasileira, porra.

iG: A sua música é mais popular que a de muitos que ficaram com a sigla...
Fábio Jr.: Você manda um lance ali, se pegou, pegou. Hum.

iG: No CD novo você regrava músicas conhecidas de Hyldon, Caetano Veloso, Lenine, Djavan, Dalto, Marina Lima, Kleiton & Kledir, Jota Quest. Quais são os critérios de escolha do repertório.
Fábio Jr.: Do Wilson Simonal também. Critério? É porque eu gosto, não tem uma coisa técnica, “vamos por aqui”. Eu sempre regravei, no primeiro disco tinha “A Noite do Meu Bem”. Depois gravei “Esses Moços” [1980] e “Nervos de Aço” [1982], do Lupicinio Rodrigues.

iG: Você é o único intérprete a regravar com alguma frequência um um artista sensacional dos anos 70, Guilherme Lamounier.
Fábio Jr.: Puta que pariu! Você é o primeiro cara que fala dele! Até hoje canto Guilherme.

 

iG: Ele ficou esquizofrênico...
Fábio Jr.: É, ele rodou a lâmpada, né? Mas é um talento inquestionável! Pena que não seguiu fazendo. De vez em quando me mandava umas coisas meio desconexas. Mas, pô, “Seu Melhor Amigo” [1981], “Enrosca”, “Seres Humanos” [1982]... Tenho o primeiro disco dele [pigarreia e começa a cantar]: “Seu pai me atendeu sem abrir a porta/ dizendo que você não estava, e eu fui embora/ sabendo que você estava lá dentro/ cheia de medo de me ver de novo/ e admitir que me ama/ Sandra", e vai lá no falsete... Esse cara cantava com a alma.

iG: Você é meio inspirado nele, tanto cantando como compondo, não?
Fábio Jr.: Eu sou mesmo. E ainda vou regravar algumas coisas dele. Você já ouviu o primeiro disco dele inteiro? Você tem?

iG: Sim. E o segundo, que tem “Será Que Eu Pus um Grilo na Sua Cabeça?”?
Fábio Jr.: Isso! Então está combinado aqui, estamos gravando: você vai queimar um CDzinho para mim com os discos do Guilherme, para ontem [obriga o repórter a repetir a promessa ao gravador]. Até que dia você vai me mandar? Até o show, na sexta-feira. Meu Deus do céu! Conheci ele pessoalmente quando morava no Rio de Janeiro. Eu namorava Glória [Pires] e ele ia muito na casa dela, na casa da gente. Noites e noites, ele tocando, cantando, compondo. Em 1983 voltei para São Paulo, aí perdi contato, falei algumas vezes com ele, poucas.

iG: A imprensa musical tem preconceito contra você?
Fábio Jr.: Nossa, estou tão preocupado, nem vou dormir esta noite.

iG: No especial de fim de ano seu e do Fiuk na TV esse tema apareceu, tinha umas piadas com a crítica musical...
Fábio Jr.: Não sei se sou um cara meio low profile, mas eu não me importo com isso, não. Eu sou o que sou mesmo, cara, vou fazer o quê? Inventar um personagem intelectual agora para dar entrevista para você? Não estou aqui para agradar gregos e troianos, não vou fazer gracinha para ninguém.

iG: É que não há um acompanhamento crítico da sua obra. Seria preconceito com os artistas mais populares, mais românticos?
Fábio Jr.: [Pensa.] É o que te falei, não vou dormir esta noite de preocupação com os críticos que acham que Fábio Jr. é brega... Sinto muito, meu filho, tenho mais o que fazer.

iG: Não seria legal se acompanhassem sua obra respeitosamente, analisando com seriedade o que você faz?
Fábio Jr.: Ah, isso aí sim, respeito é bom e eu gosto. “Ah, Fábio Jr. é romântico”, aí chegam aqui e ficam falando dos meus casamentos. Presta atenção, meu filho, não comecei ontem.

iG: Até por ser muito popular e por causa da TV, você fica num meio termo, muito procurado por conta de fofoca e menos por música.
Fábio Jr.: Mas eu acho o seguinte, quem está na chuva é para se molhar, não vou reclamar. Uma vez estava fazendo uma novela, a gente desceu para almoçar e vieram umas meninas conversar. Parei de comer, óbvio, para tirar uma foto, dar um autógrafo. Não sei quem do elenco falou: "Como você permite que interrompam o seu almoço?". Falei: "Escuta, meu filho, se não fossem elas eu não estava aqui. [Enfatiza] Nem você". Se num dia você acordou meio virado, rodou a lâmpada, não sai de casa, meu filho. Ou muda de ramo. Estou aqui e vou reclamar porque uma fã quer tirar uma foto? [Imposta a voz] "Oh, interrompeu a minha refeição", ah, pô, vai roubar para ser preso.

iG: Você não gostaria de falar mais da sua música e menos de filhos e seus casamentos?
Fábio Jr.: Não sei, as coisas aconteceram assim. É inevitável. Acabei de passar por uma agora que saí daqui espumando. Uma revista mensal, vamos falar sobre música. Porra, tadinho do cara. Então fala: “Fábio, a parada é a seguinte, é uma revista de fofoca, vão te encher o saco, vão falar dos casamentos”, está bom, já sei qual é a parada, me avisa onde é que estou entrando, não tem problema, faz parte. Agora, chega o estagiário, não sei quem, para falar de música, trajetória, e é só fofoca, porra! O cara lendo: “Fábio Jr., você faria a música ‘Vó Herói’”? Teve isso.

iG: Você abandonou a carreira de ator?
Fábio Jr.: Um pouco, a última novela foi em 1998, “Corpo Dourado”. De lá para cá, não. Teve o especial do fim de ano, até deu uma saudade.

iG: Tinha potencial para ser uma série, não?
Fábio Jr.: É, se saísse a série acho que eu toparia. O que fica complicado é esse batidão de novela. Esse dia-a-dia ali eu fazia anos atrás, não dá mais. A prioridade sempre foi a música, e é puxado. É legal pra caramba, mas é puxado pra caramba. [O repórter anuncia o fim da entrevista.] Pô, valeu o dia hoje. Sem sacanagem, até me emociona falar do Guilherme Lamounier [os olhos se enchem de lágrimas]. Vou esperar o CDzinho de uma maneira que você não faz ideia.

iG: Por que você se emocionou?
Fábio Jr.: Porque é a história com Guilherme, com o Rio de Janeiro, lembranças de um período que... Mas é para a fila andar. Não gosto dessa coisa nostálgica, “ai, era mais legal...”. Não, o mais legal é agora. Tem que ser feliz agora, não tem esse negócio de “um dia eu serei...”. É agora, não dá mais tempo para isso, para ninguém. Ou a gente faz agora ou... senta e chora.

iG: Fábio Jr., quando jovem, era porra-louca, doidão...?
Fábio Jr.: Não sei, pelo que Filipe às vezes fala para mim, não sei se era mais doidão nessa época ou hoje. Outro dia ele mandou uma: “Papito, porra, estou com 20 anos e você parece que tem 14”. Falei: “Filho, para mim isso é um elogio que você não está entendendo, mais tarde você vai entender”. Ó, o negócio do Guilherme, hein? Imagina mostrar para o Filipe e dizer: “Ouve aqui, ó, moleque, de onde vem a parada”. É, Guilherme já era meio doidão desde aquela época... Tinha um programa da Hebe marcado e foi para o aeroporto com os cachorros, “sem meus cachorros eu não vou, não”. E não foi.

 

Fonte: IG Música

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