Gilberto Gil fala sobre a turnê "Concerto de Cordas" e a relação entre as músicas brasileira e portuguesa
A propósito da apresentação em Lisboa na última terça-feira (10) do show “Concerto de Cordas”, que Gilberto Gil apresenta em turnê europeia, o musico falou com o UOL sobre a excursão, na qual divide o palco com Jaques Morelenbaum e de seu filho Bem Gil.
Na conversa, Gil também anunciou as próximas datas da turnê --que pode ser apresentada no Brasil-- e comentou sobre seu novo projeto, que será inspirado pela musica nordestina, e fez ligações entre a musica brasileira e a portuguesa.
Leia abaixo os melhores momentos da conversa com Gilberto Gil.
UOL - Como é o trabalhar com o Jaques Morelenbaun e com o Bem Gil no “Concerto de Cordas”?
Gilberto Gil - A presença de Jaques Morelenbaum dá uma elegância e uma sofisticação típica do seu instrumento, ainda mais quando extraordinariamente bem tocado, como é o caso dele. E o Bem, meu filho, se adapta de forma muito simples e muito eficaz ao trabalho. Ele é um apreciador da minha técnica e do meu estilo, é atento ao meu modo de tocar violão e vive imerso na minha composição desde bebê. Ele viveu comigo até 4 ou 5 anos atrás, é uma pessoa muito inteligente. Então é um prazer muito grande eu fazer este trabalho com eles.
UOL - Este registro orgânico que um show acústico traz para o repertório aproxima você mais ainda do teu filho e do Jaques?
Gil- Sem dúvida. Nos relacionamos de forma mais direta. A interdependência no caso dos três é mais profunda e mais imediata, e tem algo de cumplicidade que é mais direta.
UOL - Qual a diferença entre o repertório do “Concerto de Cordas” e do “Banda Dois” [projeto de Gil e seu filho Bem, só com voz e violão]?
Gil - A diferença é pouca, praticamente nenhuma. Somente três canções que foram sugestões do Jaques, "Viramundo”, “Seu Olhar” e “Estrela”, que não estavam no repertório do “Banda Dois” e que vieram para este repertório do "Concerto de Cordas".
UOL - Vocês pretendem levar o “Concerto de Cordas” para o Brasil?
Gil - É possível. Na verdade, o que está planejado é Europa agora, Argentina e alguns outros países da América do Sul, em dezembro, e Estados Unidos e Canadá, em março.
UOL - Você também tem um projeto novo que será inspirado em festas juninas do Brasil?
Gil - Talvez eu não possa prosseguir com o “Concerto de Cordas” no Brasil em função deste trabalho. Eu tenho de fazer o disco entre janeiro e fevereiro [de 2010] e tenho de começar as apresentações nas cidades brasileiras em abril. Quero ir a algumas capitais, visitar pelo menos dez cidades do interior de Pernambuco, Paraíba, Bahia e Ceará, no habitat desta música, que é a minha primeira referência musical, a música do nordeste.
UOL - Você pretende revisitar o albúm “Eu, Tu, Eles”?
Gil - [Haverá] Muitas das canções desse álbum e algumas que eu vou fazer para gravar o próximo disco, porque quero ter também algumas inéditas.
UOL - Em Portugal você já tocou com músicos importantes, como Tereza Salgueiro, Maria João e Mariza. Você incorporou ou tem alguma referência da música portuguesa na sua forma de criar?
Gil - Primeiro a música brasileira, toda ela, os modos nordestinos remetem muito aos modos medievais, mediterrâneos, espanhóis e portugueses profundamente. A música carnavalesca brasileira tem muito a ver com a música portuguesa, o samba canção, a canção de amor, a dor de cotovelo brasileira. Tem muito a ver com elementos que são fortemente presentes no fado, por isso estão na matriz. E também nós temos esta música portuguesa mais recente que passa por todos estes novos intérpretes, como Madredeus, que são músicas com elementos mais internacionalizados e servem de elemento de aproximação com o toque brasileiro, com este modo universalizante que a música brasileira tem hoje.
Fonte: UOL Música

















