Zeca Baleiro lança segundo volume de inéditas
Novo capítulo do Manual do Homem Bomba tem clima mais introspectivo
Três meses depois de começar a lançar seu novo trabalho, Zeca Baleiro encerra a saga com mais 14 gravações inéditas. Conforme prometido pelo cantor, o segundo volume de O coração do homem bomba completa a generosa coleção de novidades apresentadas em 2008. Para os dois discos, Zeca misturou sua produção recente com músicas antigas que permaneciam inéditas em sua voz. Lado B do projeto, o segundo volume é um disco carregado de canções mais introspectivas, abrindo mão do apimentado naipe de metais festivo do anterior. Mantendo a banda base, está no mesmo contexto do primeiro mas tem outra identidade. Que não sai do vasto universo do artista. Poucos compositores podem ao luxo de manter a digital como Zeca Baleiro. Continua aqui a oferta de músicas carregadas de humor ácido, ironia fina e modernos achados poéticos. O disco toca em assuntos variados. Vai desde os tons soturnos de Era, parceria com Wado que abre o disco, até a festa de flertes africanos com Na quitanda, balançada delícia composta em parceria com André Bedurê que já havia sido muito bem gravada anteriormente pela cantora Jane Santos em 2003. Despacha desaforos em rimas para Débora e passeia por paisagens urbanas em Trova, que define como "canção de domingo". Cronista de seu tempo, Zeca Baleiro aproveita para tecer homenagem ao sempre renegado compositor popular. Depois de render elogios a Waldick Soriano em entrevistas de lançamento do primeiro volume, aqui busca a figura de Odair José em Como diria Odair. Na canção que já vinha apresentando em seus shows, o compositor é chamado de "sábio poeta", para desespero da patrulha intelectual. Zeca brinca com rimas na ótima Pistache, divertido trava-língua que canta em duo com Ana Amélia. A brincadeira passa então para a intocável bossa nova. De olho no dicionário, Zeca reprocessa João Gilberto e cria o Samba de um janota só, com direito a dedicatória coletiva. Mas quando a saga parece ter terminado, ainda há espaço para colar uma faixa-oculta que traz Eu detesto Coca Light, parceria com Chico César. "Para quem aprovou este cantador, eu quero dedicar uma faixa-bônus", anuncia. Em entrevista para o lançamento do primeiro volume, Zeca disse que os discos escoavam um repertório que estava latente, "pedindo para sair" nas palavras do próprio. Baú limpo, o inquieto cantor segue na estrada com o show de lançamento da saga, compõe, planeja DVD, toca novos projetos, adianta que tem discos inéditos e ainda encontra tempo para edições extras de seu baile-show. Workaholic da arte, Zeca não pára de criar novas sagas, músicas e idéias. Fonte: Ziriguidum
Interessado em meios de comunicação, Zeca sai do lado "notícia" para ser atento observador da mídia. Parceria com Kléber Albuquerque, Tevê questiona a vitrine de atrações ofertadas para quem fica vendo "a vida inteira a passar". O disco ainda tem espaço para uma vinheta chamada Datena da raça, brincadeira com o mondo cane televisivo.