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Música do Brasil

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Ney Matogrosso inicia, em Espinho, digressão em Portugal

"Inclassificáveis", o mais recente espectáculo de Ney Matogrosso, é porventura a experiência mais transgressora que ele teve em palco. O brasileiro chega a Portugal para uma digressão que arranca este sábado, às 20 horas, no Casino de Espinho.

O concerto é visto por muitos como um retorno à ousadia do tempo em que Ney Matogrosso fazia parte dos Secos e Molhados, banda onde o cantor iniciou carreira, em 1971. Já o músico, na entrevista que deu ao JN aquando do lançamento do álbum "Inclassificáveis", preferiu chamar-lhe de "regresso ao universo mais exuberante".

A avaliar pelo sucesso alcançado em todo o Brasil, com duas semanas de casa lotada na célebre sala de espectáculos Canecão, no Rio de Janeiro, Portugal não deverá fugir à regra e a exemplo disso foi a necessidade de se arranjar uma segunda data para o músico se apresentar na capital, dada a primeira ter esgotado de uma forma célere.

Assim sendo, amanhã será a vez de Ney Matogrosso cantar, a partir das 22 horas, no Coliseu do Porto, seguindo-se o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na terça e quarta-feira. O artista actua ainda no Teatro das Figuras, em Faro, no dia 24, e por fim no dia seguinte, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.

A avaliar pela mostra registada já em DVD, em Janeiro, no Canecão, "Inclassificáveis" será o espectáculo que ficará registado na memória de todos como "o mais brilhante e genial show da carreira de Ney Matogrosso", a exemplo do que já foi escrito pela crítica brasileira.

O concerto, com direcção musical de Emílio Carrera (ex-integrante do grupo Secos e Molhados) inclui figurinos arrojados (ler texto em baixo) e uma elaborada componente cénica, da responsabilidade de Milton Cunha, onde o artista não descurou nenhum pormenor de iluminação. "Gosto de estar atento a todos os detalhes. Por isso, o meu gosto passa pelo cenário, pelo figurino e também pela luz", confessou o músico ao JN.

Durante mais de uma hora e meia, Ney Matogrosso, vestindo uma segunda pele de imperador inca, propõe uma viagem por mais de duas dezenas de composições, onde predominam interpretações de "Inclassificáveis".

Ao JN, o cantor disse que no "palco tudo é permitido desde que com mínimos de bom senso". Ainda assim, ao vê-lo a assumir uma personalidade camaleónica no tablado, torna-se difícil traçar a sua fronteira.

Apenas com os olhos, contornados a preto, a descoberto, o brasileiro - com 65 anos e mais de 30 de carreira -, encena com o público um longo jogo de provocação. Há tempo para tudo. Até para encenar um streaptease, durante o tema "Cavaleiro de Aruanda", ficando apenas "com uma roupa transparente toda tatuada com motivos indígenas dos índios do Xingu", descreveu.

Mas "Inclassificáveis", dito como um espectáculo de música popular brasileira com uma roupagem pop, também oferece momentos intimistas, como em "Existem coisas na vida", onde Ney se vê rodeado em concha pelos seus músicos.

"O Tempo não pára" (Cazuza), "Divino e Maravilhoso" (Caetano Veloso), "Um Pouco de Calor" (Dan Nakanawa), "Ouça-me" (Itamar Assunção) e "Inclassificáveis" (Arnaldo Antunes) são outras das músicas escolhidas por Ney Matogrosso.

Já a banda que acompanha o brasileiro - composta por Carlinhos Noronha (baixo), Júnior Meirelles (guitarra/violão), Sérgio Machado (bateria), Emílio Carrera (piano, teclado e direcção musical), e DJ Tubarão e Felipe Roseno (percussões) - assenta na qualidade individual de cada músico. Ou "não tivessem sido escolhidos a dedo para este show", concluiu Ney Matogrosso.

 

 

Fonte: Jornal de Notícias