Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

Márcio Victor: ‘Acho a Preta Gil a maior toda boa que tem’

O vocalista da banda Psirico é um dos autores do hit do carnaval baiano ‘Mulher Brasileira (Toda Boa)’
Divulgação
Márcio Victor durante a gravação do DVD do Psirico em São Paulo

Não tem Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Juliana Paes nem nenhuma outra. Para Márcio Victor, autor do hit do carnaval baiano, “Mulher Brasileira (Toda Boa)”, quem é gostosa mesmo é... Preta Gil, sua namorada. Ele falou com o EGO, por telefone, na tarde desta sexta-feira, 15. "Acho a Preta a maior toda boa que tem."

“Resolvi fazer uma música para levantar a auto-estima das mulheres. Quem disse que a gordinha não é mais gostosa do que a magrinha?”, diz o baiano de 28 anos, que nasceu no bairro Engenho Velho das Brotas, em Salvador.

Com a repercussão do grupo - que não tem gravadora - na mídia, muitas pessoas já devem ter se perguntado: ‘o que é psirico?’ “É derivado da gíria pisirico, que quer dizer homem muito namorador. Era o meu apelido, já que descia a ladeira com uma e descia com outra”, explica Márcio, que faz questão de ressaltar que essa fama é coisa do passado. “Sempre fui louco pela Preta. A gente está se gostando de verdade. Ficamos 22h no telefone: dorme e acorda já se ligando... está muito gostoso.”

Márcio Victor criou o Psirico há 11 anos e dispensa o rótulo de pagode. “É um novo estilo, um movimento derivado do samba, que eu chamo de samba-pop-percussivo”, comenta. 

 

Se é pagode ou não, uma coisa é certa: não dá para ficar com os quadris parados quando "Mulher Brasileira" toca.  

Confira a entrevista.


Fred Pontes
Márcio e Preta na Bahia. Eles já se conheciam de outros carnavais

O Psirico é uma banda de pagode? Quando o grupo foi formado?

Não gosto de classificar a banda como pagode. É um novo estilo, um movimento derivado do samba, que eu chamo de samba-pop-percussivo. Criamos a banda há 11 anos e o estilo para diferenciar o som e as letras. No pagode é obrigatório o uso do pandeiro e cavaquinho, nós até usamos esses instrumentos, mas não é constante.

O que Psirico?
É uma gíria. Era o meu apelido por ser um cara muito namorador - descia a ladeira com uma e descia com outra - então me chamavam de pisirico. Tirei o ‘i’ depois do ‘p’ para soar um nome mais eletrônico, porque fazemos essa mistura de música eletrônica em nossas músicas.


A música “Mulher Brasileira” desbancou “A Fila Andou”, do Chiclete com Banana, entre outras, como o hit do carnaval baiano deste ano...
Desde o ensaio no Pelourinho que fizemos antes do carnaval, que reunia 4.500 pessoas toda quinta-feira, percebi que a música poderia estourar. Deus está consagrando a nossa carreira - não temos gravadora. O nosso sucesso é no boca-a-boca e há alguns carnavais já ficávamos entre as melhores.

Você é um dos autores da música. Por que escrevê-la?
Não agüentava mais ouvir bandas apelando para conquistar o sucesso. É ‘Meu Amor’, ‘Meu Aiaia’, ‘Tetê Para Ficar Com Você’... sempre com a mulher sendo alvo, motivo de esculhambação. Resolvi então fazer uma música para levantar a auto-estima delas. Quem disse que a gordinha não é mais gostosa do que a magrinha? Acho a Preta (Gil, sua atual namorada) a maior toda boa que tem.

Falando em Preta Gil, você disse em uma entrevista que está louco por ela...
Sempre fui louco pela Preta. Digo que a gente vem se conhecendo melhor a cada ano. Tocava como percussionista de Caetano Veloso, mas pegamos intimidade mesmo durante a turnê. Também participei como percussionista do segundo CD dela (intitulado Preta). Sempre fomos amigos mas nesse carnaval enchi o saco dela, a chamando de toda boa e ela dizia: ‘Mas você não sabe se eu sou’, eu falei: ‘Quero saber, vamos ficar, vamos ficar’... e foi um clima massa de carnaval. A gente fica mesmo há quatro anos, mas cada um seguia para o seu canto, sem compromisso.

E agora vocês estão namorando?

Sandra Lopes
Márcio (de branco) durante o carnaval em Salvador

Agora é sério! A gente está se gostando de verdade. Ficamos 22h no telefone: dorme e acorda já se ligando... está muito gostoso.

Mudando de musa, você diz que sua inspiração é Ivete Sangalo...
Apelidei Ivete de ‘A luz do mundo’. Ela é uma artista inigualável: em generosidade, pessoa, artista... Chorei quando vi Ivete na Sapucaí. Foi incrível. Mas, Caetano (nós somos amigos de verdade, ele me conhece desde os três anos), Carlinhos Brown (nos conhecemos desde quando eu tinha 11 anos) e Daniela Mercury também são minhas inspirações.

Neste carnaval aconteceu alguma história engraçada por causa da música?

(Risos) Ah, tem... Estava no carro com uma amiga, chateado por que a gravadora não acreditava no nosso trabalho, e o DVD do Psirico já tinha virado febre em Salvador, dizia: ‘É porque somos pretos, pobres ou porque não estamos na mídia?’. Quando o carro parou no sinal, um carro com umas meninas estava à frente e tocava ‘Mulher Brasileira’. Como era final de semana, elas estavam bebendo, eu me empolguei e comecei a buzinar no ritmo da música. De repente, desceu do carro uma mulher cheinha e falou: ‘Márcio, meu marido só me esculhambava, depois da sua música eu posso dizer: ‘Eu Sou Toda Boa’!. Morri de vergonha, e ela continuou: ‘Me abraça’, fiquei maluco (risos). Entrei no clima e comecei a dançar com ela.

Você costuma ficar emocionado nos shows...
É por causa da aceitação da nossa música, da concentração de mais um ano. Sou muito frágil, me emociono mesmo, choro... O nosso sucesso aconteceu naturalmente, não foi forçado.

Planos do Psirico para este ano?
Vamos gravar um disco experimental, vamos gravar em Portugal, Recife, Bahia, São Paulo... É um disco de estúdio e é o quarto ano que fazemos. Vamos misturar estilos: eletrônico, reggae, rock, black music, balada... é um trabalho para sair da rotina.

 

Fonte: Ego