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Música do Brasil

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Entrevista com Paula Morelembaum: Nova Bossa

Paula Morelembaum partiu à descoberta das raízes da bossa nova e encontrou um passado que ainda faz sentido à luz do presente. A resposta está em «Telecoteco».

 

Porquê a escolha de «Telecoteco» enquanto palavra representativa desta colecção de canções?
«Na verdade, tudo começou com essa ideia de conhecer o que está para trás da bossa nova. Uma descoberta do que teria havido antes. A influência anterior. Era essa a ideia. O nome Telecoteco já existia. Havia três músicas com esse termo. «Telecoteco» era um sinal de swing naquela época. É um termo muito interessante».

Como é que foi o processo de pesquisa de canções?
«Pesquisei muita música. Tive a ajuda de um musicólogo muito conhecedor desse período. Aprendi muito. Muitas canções surpreenderam-me por serem tão dançáveis. Há canções que soam muito a bossa nova. Outras como o «Samba e o Tango» têm um som super contemporâneo. Todos essas relações foram procurada».

Posteriormente, como é que chegou à escolha de repertório?
«Eram muitas canções. Foi difícil. Eu pedia ao musicólogo sobretudo compositores e nomes. Muitas vezes tinha que cantar os temas para perceber se funcionavam ou não. Não foi de um dia para o outro. Já gravei Tom Jobim e é muito íntimo. Com o repertório do Vinicius de Moraes. também foi fácil. No fundo, este era um passado que não me pertenceu. Tive que me apossar dele embora eu esteja sempre relacionada com a bossa nova. Cantei com o Tom (Jobim) há dez anos e isso marcou-me. A bossa é o nosso cartão de visita mas temos um passado muito mais rico. Queria conhecê-lo e poder mostrar às pessoas. A bossa nova é o fruto de uma história mas eu queria ampliar mais».

O que pensa de uma nova geração de bandas brasileiras que canta em inglês?
«Não estou muito familiarizada mas aquilo que sei é que a música não tem fronteiras. Conheci os Sepultura há uns anos e eles são bons. A língua nem sempre é o mais importante. Lancei o «Telecoteco» no Japão e levei o João Donato. Ele tem uma música em japonês e fizemos uma versão ali, ao vivo.. Foi um sucesso. A reacção foi excelente. Em Portugal, por exemplo, adoro a Mariza, o Camané, a Maria João, por isso, a língua é secundária. Quando cantei na Alemanha, eles nem imaginavam o que é era a letra. É uma questão de musicalidade e o brasil tem África e Portugal a correr-lhe nas veias».

Já tem algum concerto previsto para Portugal?
«Não tenho nenhuma data em Portugal mas de certeza que vamos fazer digressões aí. Só que não tenho confirmações. Aqui no Brasil, dei um concerto em São Paulo. Foi muito engraçado. Vou tocar no Sul e no Norte da América. Vamos começar agora a marcar na Europa».
 

 

Fonte: Disco Digital