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Música do Brasil

Música do Brasil

Bossa Nova: 50 anos do movimento musical que transformou o Brasil

Chega de Saudade

Crédito: Nellie Solitrenick

Pois há menos peixinhos a nadar no mar | Do que os beijinhos que eu darei na sua boca. Foram com esses versos, cantados por João Gilberto em seu álbum lançado em 1959, que a dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes mudaram o tom da música brasileira, cantada até então cheia de mágoa e com versos pesados, cobertos de rancor. Barquinhos... peixinhos... tatibitatis trouxeram leveza às letras. As canções traduziam a beleza do Rio de Janeiro da década de 60, e a bossa nova foi um dos primeiros movimentos que não surgiu do gueto, mas da elite do país.

Bossa nova é jazz?

Crédito: Chico Nelson

''Os puristas norte-americanos criticavam a bossa nova chamando a bossa de jazz. Jazz, no meu dicionário e no dicionário de gíria popular americana significa copular. Tudo que balança o americano chama de jazz. Se o cubano fizer, vão chamar de cuban jazz, se o Brasil fizer algo que balança, que tenha suingue, eles chamam de brazilian jazz'', disse Tom Jobim, em entrevista para responder às comparações da bossa com o ritmo americano.

Garota de Ipanema

Crédito: Chico Nelson

Até hoje ao entrar em uma Starbucks em Nova York escuta-se ecoar pelos salões a música de Tom Jobim feita a todas as garotas de Ipanema, em especial uma: Helô Pinheiro. Não é de hoje que essa música ultrapassou as fronteiras do país e ganhou intérpretes estrelados. Além do próprio Tom e João Gilberto, claro, Frank Sinatra, Madonna e a diva do jazz Ella Fitzgerald arriscaram suas versões do hino carioca. Hilário é ver a explicação cheia de reticências de Tom para um apresentador americano sobre o que é a garota de Ipanema. ''Ah a garota de Ipanema... ela passa.... ela...ah...'', balbucia, com um olhar distante.

Reconhecimento no Carnegie Hall

Crédito: Michael Weintrob/Divulgação

Em 1962, acontece a histórica apresentação no Carnegie Hall, em Nova York. No palco, Tom Jobim, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Normando Santos, Milton Banana, Sérgio Ricardo, entre outros, comandam uma platéia de mais de 3 mil pessoas. Na época, o Itamaraty recebeu um comunicado dos EUA dizendo que havia nesse show nada menos que 300 repórteres de toda a América do Norte e imprensa mundial para a cobertura do evento, o que deveria garantir uma grande repercussão.

Os não tão lembrados

Crédito: Montagem

Tito Madi foi um dos primeiros artistas a cantar samba de maneira mais cadenciada. Como curiosidade, vale um registro de Roberto Carlos cantando Amélia num tom bem bossa nova. Ao que tudo indica, João Gilberto e o rei tiveram influências de Tito. Johnny Alf fez improvisos jazzísticos ao piano mexendo com a estrutura das canções da bossa nova. Carlos Lyra foi parceirão de Tom Jobim e João Gilberto, mas rompeu com a bossa em busca de maior engajamento.

Nara Leão

Crédito: Aldyr Tavares /Paulo Salomão

Nara foi a princesinha da bossa. Muitas reuniões aconteciam dentro de sua casa. Não há melhor interpretação da canção O barquinho, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, do que a dela. Mesmo com toda a doçura, foi ao conhecer o sambista Zé Ketti e subir o morro que Nara descobriu que o mundo ia além das rodas de violão. "Rompi com a bossa nova depois de viajar pelo Brasil e descobrir que havia pessoas pobres", disse.

Afro-bossa nova

Crédito: Divulgação

Baden Powell conheceu Vinícius numa boate. ''O Vinícius me chamou para mesa dele, para dar um gole, eu fiquei todo emocionado, eu já queria conhecê-lo há tempos e ele me chamou para fazer uma parceriazinha. Vinícius gostava de usar as palavras no diminutivo...Badenzinho...'', contou no programa Ensaio, da TV Cultura. ''Essas antenas que Baden têm ligadas para a Bahia e, em última instância, para a África permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar dentro do espírito do samba moderno o candomblé afro-brasileiro dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal'', disse certa vez Vinícius sobre o amigo. Do primeiro encontro depois do bar, marcado no Hotel Miramar, em apenas uma tarde criaram duas músicas não muito conhecidas: Canção de Ninar e Sonho de Amor e Paz . Depois, já afinados, fizeram, entre muitas outras, dois clássicos, Samba da Benção e Canto de Ossanha.

Sergio Mendes e Black Eye Peas

Crédito: Paulo Salomão

Sergio Mendes nunca negou sua veia pop. Nos anos 60, o músico arrebentou com sua versão para Day Tripper dos Beatles. O pianista transformava tudo bem bossa nova. Atualmente, ainda próximo do mercado americano, uniu-se a banda pop Black Eye Peas e de novo surpreendeu a todos com a versão americanizada de canção Mas Que Nada, de Jorge Ben Jor.

De terno Vinícius, de terno!

Crédito: Divulgação

Diplomata, Vinícius trabalhou no palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro. Artista, também adorava um bar. E no bar, um bom copo. Com medo que o diplomata fosse fotografado bebendo no bar de maneira informal, os amigos do Congresso só pediram um favor: para que ele usasse terno quando fosse beber com os amigos.

Herança da bossa nova

Crédito: da

Foi ao ouvir Chega de Saudade que Chico Buarque despertou de uma vez para a música. Há histórias de que ele ouvia o álbum de João Gilberto inúmeras vezes ao dia. De fato, o compositor fez canções com Vinícius, foi interpretado por Nara Leão e chegou a fazer parte da, digamos, segunda geração da bossa nova. Filho do historiador Sergio Buarque de Holanda, sua casa era freqüentada por personalidades do calibre de Baden Powell e Vinícius de Moraes, João Gilberto, entre outros. Inspirador!

 

Fonte: Contigo