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Música do Brasil

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O Rappa lança eletroacústico gravado em Recife

 

O Rappa é um grupo que aprendeu a lidar com o tempo. Não há nenhuma pressa para se lançar material inédito (algo cobrado por fãs, inclusive) e a pausa entre uma turnê e outra para tocar projetos pessoais é obrigatória. E esse mesmo tempo, agora falando sobre a duração da carreira do grupo – que já passa dos 20 anos –, deu também a maturidade e a experiência necessárias pra lançar um trabalho como o eletroacústico gravado na Oficina Francisco Brennand, em Recife. O DVD está nas lojas nessa sexta-feira (03/06), assim como a versão em áudio nas plataformas digitais.

A Billboard Brasil conversou com os quatro integrantes do grupo, via Skype, e cada um falou sobre seu ponto de vista sobre o trabalho, o entrosamento entre eles no palco e Recife:

 

 

Xandão, guitarra
“A gente tocou no Recife no Carnaval de 2015, foi inusitado… Carnaval pro Rappa já é um pouco inusitado, né? Mas foi cabuloso. A gente estava ali no Marco Zero e o som da galera estava mais alto do que o som do PA (sistema que amplifica o som para o público). E ali, naquele ambiente, a gente pôde conhecer a Oficina Francisco Brennand, um centro cultural do Recife. Eu, que nasci na Paraíba, já conhecia e tal. Começamos a negociar pra fazer o show lá e essa foi a oportunidade de colocar os nossos fãs em contato com a obra desse artista. Tem uma imagem do Brennand batendo com a bengala nas peças de cerâmica que saíam do forno. Uma delas faz um som estranho, meio metálico, e ele diz que ela não está boa. Isso também é música!”.

Lobato, teclado
“Nesse trabalho, a banda é menor do que a do primeiro acústico. Somos só nós quatro com nossa banda de apoio. A gente já tem uma intimidade no palco muito grande e o DVD mostra isso. Já tínhamos a ideia de fazer o acústico mesmo antes de conhecer a Oficina e escolher o local. Lá é um galpão enorme, tem uma olaria… É místico. Foi como tocar num palácio, saca? Atrás tem um lago com um casal de cisnes. Um deles era bravo pra caramba [risos]! Até por causa do local, a gente teve que tocar com uma pegada mais suave, mais tranquila. Mas o som do Rappa é groove, né? Tem pegada… A gente foi se adaptando ali, durante a realização”.

Falcão, vocal
“O Rappa entrou numa vibe de espiritualidade, de fé. ‘Anjos (Pra Quem Tem Fé)’ mostrou isso e essa música foi um presente pra gente. E o eletroacústico é um presente pra quem nos deu esse presente, os nossos fãs. Tem uma galera muito jovem chegando e a gente sabe que eles são capazes de muita coisa. Sabemos de fã que vendeu carro pra ver a gravação do DVD no Recife. E a gente só tem a agradecer: aos fãs, ao nosso empresário, que comprou essa nossa viagem de gravar lá, ao governo e à prefeitura, que deram apoio. Nunca estenderam a mão pro Rappa e eu falo isso sem amargura. Então, agora, a gente só tem que agradecer a essas pessoas. Muita gente fala sobre essa coisa do Rappa levantar bandeira. Faz 20 anos que a gente fala e faz denúncias. Depois desse trabalho, a gente vai dar um tempo pra tocar as nossas coisas, mas estamos sempre atentos, sempre vivendo a realidade. Eu vou na Mangueira, Vigário Geral, sei o que está rolando e sei que tem muita coisa ilegítima rolando”.

Lobato, teclado
“Esses tempos atuais, em que todo mundo ouve de tudo e tá quase tudo na internet, são bons pro underground. Muita coisa que não tá no rádio tá disponível. Mas eu fico pensando também: como o Rappa faria pra aparecer hoje em dia? A gente teria que ser fotógrafo, escrever roteiro, ser empresário… Tá todo mundo hoje tentando entender como funciona a arte”.

Lauro, baixo
“Hoje a gente está totalmente aberto ao improviso, ao repertório que vai mudando conforme o clima do show… O tempo nos deu o amadurecimento e o pensamento se traduziu na realização”.

 

Fonte: Billboard Brasil

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