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Música do Brasil

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Nívea Magno une a sonoridade brasileira e a luta por direitos no EP “Terra”

 

Depois de atuar como professora de canto e militante da cultura popular no país, a atriz e cantora Nívea Magno faz sua estreia no cenário musical brasileiro com o EP “Terra”. As três faixas da gravação transportam o engajamento pela justiça social da artista e retratam a luta pelo solo, tão necessária quanto cruel, tão frutífera quanto violenta ao trabalhador. O lançamento é pelo selo e gravadora Cantores del Mundo.

Quando carimbou sua mudança para o interior de Minas Gerais, a carioca Nívea Magno não imaginava que uma nova trajetória iniciaria. “Terra” surgiu da saída da cidade grande e a chegada na zona rural mineira. Para a atriz, o teatro não era mais realidade e o sonho de relacionar-se com a natureza aproximou-se, assim como se tornar uma artista agricultora e agroecológica. A sensação de solidão, a gravidez e a falta da arte próxima de si fizeram o lançamento do EP despontar de forma natural.

“Fora da minha bolha artística, ou seja, os amigos, familiares e parceiros de trabalho, fora da universidade de teatro, fora do grande centro, que era e sempre foi minha casa, tive que me reinventar. Não sabia produzir, criar artisticamente. Por fazer teatro, sempre estive em grupo. Vindo para o interior experimentei estar sozinha, e a maternidade ainda reforçou essa sensação de solidão. Cantar virou minha válvula de escape, mais ainda compor. Fazer música passou a ser minha maneira de sublimar minha loucura, passou a ser a maneira de me colocar artisticamente e assim foi sendo gestado o EP”, diz Nívea.

O compacto tem a direção musical de Arthus Fochi, que também assinou a produção ao lado de Guilherme Marques. Amigo de longa data, desde os corredores da universidade, Fochi motivou Nívea ao dirigir a canção “Morte e Vida”, que fala poeticamente sobre a Terra enquanto entidade feminina. Logo após, os dois trabalharam nas outras duas faixas, “Medieval”, composta por Fochi, e “O Chão”, de Carlos Magno.

“Fizemos com músicos super profissionais e, melhor ainda, grandes amigos. Foi muito frutífero, e a direção musical do Arthus foi muito generosa por valorizar cada indivíduo em suas qualidades e potencialidades. Senti mesmo uma identidade, um argumento que transitava entre as músicas, que fazia pensar no meu interesse pelas questões da terra enquanto entidade feminina, como fonte de vida, fertilidade e a terra enquanto sujeito social político”, revela.

Por unir sons e gêneros às raízes latino-americanas, o Cantores Del Mundo foi essencial no lançamento de “Terra”. Mesmo com a sonoridade tipicamente brasileira, Nívea Magno transporta um pouco da influência do selo para suas canções. A música “Morte e Vida”, por exemplo, tem como base a execução acelerada, característica das regiões latinas e do ritmo joropo. A cantora ainda carrega consigo a inspiração em nomes como a peruana Susana Baca e a chilena Violeta Parra. “Terra” está disponível em plataformas de streaming na internet.

 

Sobre Nívea Magno

 

Apaixonada pelo teatro e a música, Nívea Magno guiou a carreira entre as suas duas vocações desde menina. Ela descobriu a arte ainda cedo, graças ao avô, Carlos Magno, cantor, compositor, poeta, escultor e pintor. Dono de múltiplos talentos, sua obra possui traços marcantes da cultura popular e conteúdo poético de cunho político e social. As composições dele foram gravadas por artistas como Elza Soares, Jair Rodrigues e Os Originais do Samba.

Mesmo com a influência musical desde o berço, foi no teatro que descobriu a paixão pelos palcos, principalmente durante os espetáculos dos quais participou, como “Savina”, quando fez a personagem título; “É Samba na Veia é Candeia”, interpretando Clara Nunes; “Os que Ficam”, em homenagem a Augusto Boal; e por último em “Besouro Cordão de Ouro”. Um convite da renomada cavaquinista Luciana Rabello abriu as portas da Escola Portátil de Música, onde Nívea aprimorou suas habilidades ao lado da professora de canto Amélia Rabello.

Sua trajetória nos palcos é digna de reconhecimento também como diretora de movimento e preparadora corporal, além de ter extrapolado os palcos alcançando também a televisão, apresentando o programa “Artes, artistas e arteiros” (canal Bandeirantes e MultiRio) e também no cinema, tendo sido vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo Festival de Paulínia no filme “No meu lugar”, dirigido por Eduardo Valente, que estreou em 2009 no Festival de Cannes.

 

O EP “Terra” é o primeiro trabalho autoral como cantora.

 

Ouça “Terra”:

 

Spotify: http://hyperurl.co/0dsqsj

Deezer: http://hyperurl.co/x0zpec

iTunes: http://hyperurl.co/9esjgx

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