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Música do Brasil

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“Amar e Mudar as Coisas”: Daíra interpreta Belchior em novo álbum

Daíra - Amar e Mudar as Coisas.jpg

 

“Daíra canta Belchior muitíssimo bem. Gosto muito de ouvir as interpretações de Daíra, canta a obra toda de Belchior” - ELBA RAMALHO

 

"A poesia de Belchior adentra nossos ouvidos sem filtro ou empecilho; [...] e revela Daíra, com todo seu frescor, como a maior intérprete que o autor já teve” - DUDA BRACK

Uma das vozes mais promissoras da nova música brasileira, Daíra coroa o espetáculo que apresenta nos palcos há mais de um ano com o aguardado álbum “Amar e Mudar as Coisas”. Ao celebrar o cancioneiro de Belchior em arranjos intimistas, a cantora mostra toda a crueza e intensidade de sua interpretação após shows com ingressos esgotados, os bem-recebidos singles “Coração Selvagem” e “Alucinação” e uma série de vídeos ao vivo. Agora é hora de conhecer o resultado completo dessa jornada de maturidade artística, em um lançamento do selo Porangareté.

 

Ouça “Amar e Mudar as Coisas”: http://bit.ly/DairaSpotify

Assista ao vídeo release: https://youtu.be/9QlhXqueSJ0

 

Tomando para si a ideia de que mudar as coisas lhe interessa mais, Daíra recria canções já clássicas como “Paralelas” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano” sem recorrer ao lugar-comum. Aos versos tão conhecidos de letras marcantes, ela traz a candura, a entrega e a força de suas interpretações, embaladas pelo violão de Rodrigo Garcia (que ainda assina produção, direção musical, mixagem e masterização) e pela guitarra de 12 cordas de Augusto Feres, que também acompanham a cantora nos palcos. “Amar e Mudar as Coisas” é fruto desse mais de um ano de apresentações do show “Daíra Canta Belchior” e extensas pesquisas musicais.

“Eu mergulhei realmente de cabeça nessas letras e mensagens e são elas que quero passar ao cantá-las. Belchior era crítico, filosófico, poético, profético, mas romântico também. É tudo o que eu procuro em um compositor, para eu poder expressar minhas ideias. Eu estava preparando um segundo disco de músicas originais, mas fui arrebatada pela proposta de cantar Belchior para as pessoas... Quis compartilhar o que eu estava ouvindo e me encantando mesmo. E, principalmente, fazê-las ouvir não só versões novas de músicas antigas, mas também como essas ideias e frases se encaixam no nosso momento político, social e humano hoje”, conta Daíra.

 

Assista “Coração Selvagem”: https://youtu.be/P8FvOHX0EVM

 

Em um total de 10 faixas, o repertório passeia por alguns dos principais momentos da discografia de Belchior. “Alucinação” inaugura o álbum, entoando o verso que o batizou. “Coração Selvagem” traz uma declaração de amor rasgada e intensa, enquanto “Como o Diabo Gosta” representa o abandono de padrões e a escolha da liberdade. “Conheço o Meu Lugar” é calcada em raízes e regionalismo, noções também presentes em “Princesa do Meu Lugar. Em “Comentários a Respeito de John”, surge o lado Beatles de Belchior. Já “Divina Comédia Humana” surpreende por seu romantismo, enquanto “Jornal Blues ou Canção Leve de Escárnio e Maldizer” é mesmo literal, com sua letra irônica e inspiração blueseira. Por fim, “Paralelas” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano” encerram mesclando a intensidade característica da obra de Belchior com a potência da voz de Daíra.

 

Assista “Princesa do Meu Lugar”: https://youtu.be/XC9_LRGvwNY

Confira faixa-a-faixa ao fim do texto

 

“Amar e Mudar as Coisas” sucede o elogiado álbum de estreia de Daíra, “Flor”, com o qual se apresentou em palcos da Dinamarca e de Nova York. O trabalho foi fruto de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo. Produzido em grande parte por Daíra, o álbum contou com a participação de Roberto Menescal, Rafael Barata, Luiz Alves e Paulo Russo. As canções traziam influências da MPB e do jazz, e chegou a ser selecionado para o Prêmio da Música Brasileira, em 2015, sendo considerado um dos melhores do ano pela crítica.

Após projetos e viagens que a levaram também a países da América do Sul, Daíra encontrou uma confluência de interesses em Rodrigo Garcia, diretor artístico do selo Porangareté, que sugeriu um show e disco homenageando Belchior. “Sempre cantei músicas do Bel, desde a infância, e acabei espalhando esse meu gosto pelo poeta entre os meus amigos e compartilhando com eles essa ‘febre’. O Rodrigo deu a ideia de fazer releituras ao meu modo, e a partir de pesquisas, naturalmente o repertório surgiu, com as músicas que eu mais gostava de cantar”, conta.

Após mais de um ano de turnê, Daíra amadureceu sua voz de intérprete e se lança “Amar e Mudar as Coisas” olhando para o futuro munida dessas mensagens de Belchior, unida com os compositores e artistas de sua geração e já preparando novos voos, respeitando e recriando o passado no presente.

 

Show de lançamento

 

“Amar e Mudar as Coisas” ganha os palcos já no dia 20/09, quando Daíra realiza o show de lançamento no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Para celebrar o lançamento, a cantora recebe convidados especiais e, claro, Rodrigo Garcia e Augusto Feres. Saiba mais aqui.

 

AMAR E MUDAR AS COISAS - O DISCO

A poesia de Belchior está viva e ativa - Por Duda Brack

O rapaz latino americano nunca esteve tão presente, mesmo com sua ausência física. No ano em que Belchior completa 70 anos de vida - e 40 anos do lançamento do álbum "Alucinação" - sua obra é revivida na voz da jovem e talentosa cantora Daíra.

Daíra Sabóia é natural de Niterói e iniciou sua carreira musical ainda criança. Teve contato desde muito cedo com a obra de Belchior através de seu pai, Carlos Sabóia. A ligação profunda da intérprete com a retórica do autor se ressignificou no contexto político que atravessamos, então surgiu a idéia de reacender este repertório em show intimista e visceral. A maturação do espetáculo trouxe consigo o ímpeto de gravar o disco, idealizado pela cantora ao lado do produtor musical Rodrigo Garcia (diretor artístico do selo Porangareté).

"Amar e mudar as coisas" foi gravado no estúdio Luperan, no Vale do Stuky, Lumiar (região serrana do Rio de Janeiro), em julho de 2016. O fato de voz e violão terem sido gravados ao vivo em uma mesma sala, sem click e sem edição, imprime uma organicidade muito grande ao álbum. Predominando a assinatura do violão exuberante de Rodrigo Garcia - que serve de estrada (e, em alguns momentos, atua como mola-propulsora) para Daíra trilhar e transportar toda carga poética presente no repertório escolhido, o disco conta com as participações dos músicos Alex Merlino (bateria), Augusto Fere (guitarra), Ismael (acordeon), Miguel Dias (contrabaixo) e Pedro Fonseca (teclados).

Totalmente apropriada de cada uma das canções - que lhes vestem de armadura e argumento - Daíra dá subsídio ao comprometimento de Belchior com a crítica social e política, e transita pela pluralidade do autor, trazendo, ao mesmo tempo, tom doce, ácido, profundo e irônico. Em "Amar e mudar as coisas", a intérprete se debruça com intensidade e coragem sobre estas canções, e a poesia de Belchior adentra nossos ouvidos sem filtro ou empecilho; escorrega através do canto forte, e, ao mesmo tempo, suave, da cantora - que nos fere, delicadamente - infiltrando os recantos mais adormecidos da alma da gente, e revela Daíra, com todo seu frescor, como a maior intérprete que o autor já teve.

Apesar da simplicidade com que é tecido, o álbum está imbuído de uma carga emocional grandiosa, potente, capaz de encostar no mais sublime da nossa sensibilidade, comovendo e provocando arrepios e lágrimas. A poesia de Belchior está viva, ativa.

 

Ouça “Amar e Mudar as Coisas”:

 

Spotify: http://bit.ly/DairaSpotify

Deezer: http://bit.ly/DairaDeezer

Apple Music: http://bit.ly/DairaApple

Google Play: http://bit.ly/DairaGoogle

YouTube: http://bit.ly/DairaYT

 

Ficha técnica:

Daíra: voz

Rodrigo Garcia: violões, mixagem e masterização e direção musical

Augusto Feres: guitarra de 12 cordas

 

Idealização do projeto: Daíra e Rodrigo Garcia

Realização: Selo Porangareté

 

Tracklist e Faixa-a-Faixa, por Daíra:

 

1 - Alucinação

 

Belchior tem uma mensagem para as pessoas de ontem e de hoje. Essa música dá nome ao disco, um trecho dela. ‘Amar e mudar as coisas’ sintetiza a mensagem de Belchior que eu quero passar com esse disco, por meio da escolha do repertório, suas poesias e das ideias deste projeto de versões. Quero transmitir algo que está dentro de mim também, através das músicas desse gênio da música brasileira

 

2 - Coração Selvagem

 

O repertório já estava fechado, quando a Duda Brack perguntou se eu já tinha ouvido ‘Coração Selvagem’. Depois ela me disse que se referia ao disco todo, mas aí já era tarde, porque eu tinha me apaixonado especificamente por essa música e a estava intimando a cantá-la comigo num show! Duda trouxe a letra decorada e eu também e a estreamos juntas. Depois a música se tornou quase um carro chefe meu, por ser a que mais me emociona, sem dúvidas! Apesar de eu ter muita dificuldade de escolher uma preferida, quando me pedem para cantar uma música de Belchior, essa é a minha escolha na maioria das vezes. Essa declaração de amor rasgada traduz toda a intensidade de Bel! ️Ela traduz a mensagem dele pras pessoas, que para mim é também: viva intensamente, pois a vida é finita, e talvez curta. Nada faz sentido, senão ser feliz com quem se ama!

 

3 - Como o Diabo Gosta

 

Essa música representa a rebeldia e consciência política de Belchior para além do seu tempo. E representa um sentimento artístico que considero muito potente, que é subverter os padrões e não seguir propriamente a nada. Uma libertação muito grande, frente a tudo que nos amarra socialmente. Escolhi essa por ter esta força - até como concepção para se fazer um disco, e um show. É o primeiro passo. Se libertar.

 

4 - Conheço o Meu Lugar

 

‘Conheço meu lugar’ foi a primeira música que eu tirei no violão - recém aprendiz do instrumento - e levei para o Rodrigo, produtor musical do disco. Além de ter uma pegada regional, ela fala desse sentimento do pertencimento ao nordeste. Sou carioca, mas neta de cearense... a convivência e os valores me foram passados e, não só por isso, me identifico demais com a música, tanto com a letra como com a melodia e pegada nordestina, de cantador, trovador mesmo, contando ali a sua história e sua visão.

 

5 - Princesa do meu Lugar

 

Conheci essa música em um vídeo do Som Brasil antigo, onde o Belchior canta divinamente. Mas nunca a encontrei em nenhum disco dele disponível na internet. Até hoje, procuro. Quando ouvi me emocionei muito, porque na casa de minha mãe, onde eu cresci, tem um cajueiro enorme na frente, que dá muita flor e dá muito caju. Virou o símbolo da nossa casa. Ela mora longe, em Niterói, depois da montanha. Nem sempre dá para retornar para lá nessa vida de estradas e compromisso com a música. Dá um aperto de saudade, e a princesa do meu lugar é ela. Escolhi para ser a primeira porque é uma música pouco conhecida do Belchior, e muito emocionante para mim, que como ele, também tenho a sina de sempre estar ‘voltando para o meu lugar

 

6 - Comentários a Respeito de John

 

A felicidade é uma arma quente. E "John, eu não esqueço", a ligação com os Beatles é evidente na obra do Belchior. Essa música representa muito isso, para mim que também tenho essa ligação. E essa música é um hino-rito a quem quer se libertar de antigas amarras e se afirmar como pessoa, única e inteira.

 

7 - Divina Comédia Humana

 

É a música mais romântica que eu já interpretei na minha vida. Dá vontade de sair flutuando, e querendo ficar "colado à pele do seu amadx noite e dia". Ela, em forma de som, te passa toda a delícia de se estar apaixonado, e pieguice também, talvez. Mas é muito verdadeira a declaração, por isso tem essa força.

 

8 - Jornal Blues ou Canção Leve de Escárnio e Maldizer

 

É um escárnio mesmo! Escracho à sociedade como ela é, principalmente a brasileira. Também foi uma das primeiras que eu tirei no violão e saí por aí cantando, e o Rodrigo Garcia me colocou para tocar ela no show, totalmente recém aprendiz na parada. Mas sabendo que a letra dela e os tons variados na fala toda do blues é o especial da música. Gravamos no CD diferente do que normalmente fazemos nos shows e ficou melhor ainda!

 

9 - Paralelas

 

É uma das primeiras músicas que eu identificava na MPB como sendo do Belchior, com a voz marcante dele. É um xodó para mim e muito dramática. Um grito que num rompante se solta do peito. Belchior é genial nisso, e em milhões de outras coisas também, mas quem mais escreveria que "no corcovado quem abre os braços sou eu" passando tanta emoção? Eu não sei... mexe comigo.

 

10 - Apenas um Rapaz Latino Americano

 

Deixei como a última faixa do disco, com um som cheio de banda, porque essa é um hino. Uma ode ao Belchior e à sua eterna latinidade única. Mais um ponto de identificação: ele colocou em foco a América Latina como unidade (Brasil faz parte dela!), para reacender talvez isso na consciência das pessoas. Isso é muito importante, e carrego comigo esse sentimento também, de que sou uma garota latino-americana - sem parentes importantes, diga-se de passagem - e que quero acordar isso nas pessoas à minha volta também. É uma missão da minha arte. Por essas e outras, viva Belchior!