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Música do Brasil

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Rompendo elo paterno, Diogo Nogueira traça novo rumo em "Sou Eu - Ao Vivo" e diz que "é um processo natural da vida"

 

Considerado um dos nomes mais representativos da nova geração do samba, especialmente para o grande público, Diogo Nogueira sabe que a reputação traz na carona um sentimento de responsabilidade para o gênero. Mas o carioca, nascido na seara da música, não se intimida com o título. "Eu encaro isso numa boa. O que eu quero é fazer meu trabalho, e vamos nessa. Acho que isso que é o lance", defende ele, seguindo à risca o nome de seu disco "Tô Fazendo a Minha Parte". Este trabalho, lançado no ano passado, foi transformado no CD e DVD "Sou Eu - Ao Vivo", que chega agora às lojas.

O registro do novo trabalho de Diogo Nogueira foi feito no dia 23 de julho no Rio de Janeiro, berço do cantor, com o aval de figuras tarimbadas da música brasileira: estão lá dividindo os vocais com ele Chico Buarque, Ivan Lins e Alcione, além da participação do bandolinista Hamilton de Holanda. "São pessoas que eu tenho uma convivência há muitos anos e que eu admiro muito", disse Diogo ao UOL Música por telefone.
 
O repertório que predomina é do disco anterior "Tô Fazendo a Minha Parte", vencedor do recente Grammy Latino de melhor álbum de samba/pagode, mas há cinco gravações inéditas na discografia do cantor: "Razão Pra Sonhar" (parceria dele com Inácio Rios e Raphael Richard), "Vestibular Pra Solidão" (Alexandre Pires), "Da melhor Qualili" (Serginho Meriti e Claudinho Guima), "A Vitória Demora Mas Vem"(Juninho Thybau, Anderson Baiaco e Luis Café) e "Contando Estrelas" (Ciraninho/Rafael dos Santos).

 

Com um forte acento romântico, os sambas de "Sou Eu - Ao Vivo" mostram que Diogo traça um novo caminho em sua carreira, rompendo ainda mais com o elo que o liga à obra de João Nogueira. De lembrança, apenas o timbre parecido com o do pai e a homenagem que o cantor retoma no palco ao cantar "Além do Espelho", que João lançou em 1992. "É um processo natural da vida. Comecei a ver outros momentos, outras coisas da minha vida", ele conta.

 

UOL Música - Neste novo trabalho você foge do repertório do seu pai e parece traçar um novo caminho na sua carreira. É parte de um processo?
Diogo - É um processo natural da vida. A gente tem que construir uma história. No meu primeiro DVD, ao vivo, separei algumas coisas do meu pai para mostrar o que eu aprendi com as minhas influências, que eram totalmente dele, além de fazer uma homenagem por ele ser um dos grandes compositores da música brasileira. Depois, veio "Tô Fazendo a Minha Parte", que foi quando comecei a ver outros momentos, outras coisas da minha vida, da minha história. Comecei a misturar compositores da minha geração com gente que eu gosto, como Arlindo Cruz e Wilson das Neves, por exemplo. Tudo foi acontecendo muito naturalmente, não tenho uma obrigação de me desligar do meu pai.
 
UOL Música - Como foi receber no palco Chico Buarque, Ivan Lins, Alcione e Hamilton de Holanda?
Diogo - Foi maravilhoso. São pessoas que eu tenho uma conviência há muitos anos e que eu admiro muito. Chico já tinha me mandado a música "Sou Eu" do disco anterior e achei que o momento era especial para convida-lo para participar do meu show. O Ivan também, já gravei "Lembra de Mim" dele, que é uma música que eu pensava em cantar desde que comecei na música. A Alcione me conhece desde pequeno, é de casa. O Hamilton eu conheci no casamento do irmão dele, em Brasília, e nossa amizade se fortaleceu, já fizemos shows juntos. Ele é o Jimi Hendrix do bandolim. Tu vê ele tocando e fala que ele é louco. (risos)
 
UOL Música - E como foi feita a seleção das músicas do seu repertório e as canções que cada convidado cantou?
Diogo - Eu fiquei um ano separando as músicas que tivesse a ver com o meu mundo e a minha vida, e acho que consegui chegar aonde eu queria. O Chico cantou "Homenagem ao Malandro", que tem a ver com a Lapa, com o carioca e com gingado brasileiro. Com o Ivan foi a música que eu gostava muito, "Lembra de Mim". Para o Hamilton eu achei que "Lama nas Ruas" era ideal para ele fazer um solo lindo e dar uma diferenciada na música, uma roupagem nova em relação a outras gravações. A Alcione cantou "Amor Imperfeito", que é uma música de dois compositores da nova geração [Leandro Fregonesi e Ciraninho] e que eu achei que tinha tudo a ver com ela, com o jeito dela, com aquele vozeirão.
 
UOL Música - Qual foi o momento mais emocionante do show para você?
Diogo - Acho que três momentos foram bem importantes. O primeiro deles foi dividir o palco com Chico, foi uma honra para mim. Depois, dividir com Chico, Ivan e Hamilton juntos. Isso foi incrível. E, por fim, cantar "Além do Espelho", que fala da relação do pai e filho. É muito forte, me lembra muitas histórias que vivi com meu pai. Foi feita para o meu avô, e sempre que canto lembro do meu pai. Às vezes tenho a sensação de que ele já sabia que um dia eu poderia cantar para ele.
 
UOL Música - As comparações com seu pai te incomodam?
Diogo - Não, nunca me preocupei com isso, eu sabia que ia acontecer por ser filho de uma pessoa tão especial. O que aprendi com ele foi a fazer meu trabalho com honestidade. Essa é a minha base para seguir em frente e confiar no que estou fazendo.
 
UOL Música - O CD tem sete músicas a menos que o DVD. Quais critérios você usou para fazer esse corte?
Diogo - É que não tem jeito, tem que tirar música senão não cabe no CD. Por isso ficaram só 16 no disco, e eu quis escolher uma coisa mais alegre e dançante. É um disco para se divertir no churrasco.
 
UOL Música - Seu nome já é relacionado como o mais representativo da nova geração do samba. Existe uma responsabilidade nesse título?
Diogo - Ah, eu encaro isso numa boa. O que eu quero é fazer meu trabalho, e vamos nessa. Acho que isso que é o lance.
 
UOL Música - Você acabou de voltar de uma turnê pela Europa. Como foi recebido seu trabalho por lá e como serão os novos shows por aqui?
Diogo - O novo show estreia dia 27 no Rio, e o repertório é o mesmo do DVD "Sou Eu". Depois da gravação fiz essa turnê pela Europa que passou por Portugal, Itália, Inglaterra e Suíça. Lá eu separei um pouco de cada disco porque não tinha como eu mostrar ainda o DVD por completo, não tinha estrutura para isso. E foi maravilhoso, com repercussão grande, plantamos uma semente importante na Europa e já temos até proposta para voltar no verão europeu.

 

Fonte: UOL Música