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Música do Brasil

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Parangolé aposta em 'Tchubirabirom' para ser a sensação do verão

 

Nem parece que foi ontem que o Rebolation se impôs de forma onipresente aos ouvidos e quadris em todo o Brasil. Tão rápido quanto veio, a febre protagonizada pelo grupo Parangolé e seu crooner Léo Santana no último verão, se foi. Era de se imaginar que a turma baiana não tardaria a preparar uma nova dancinha para o povo agitar seus corpos e esquecer dos problemas no próximo Carnaval: vem aí o Tchubirabirom.

"Criamos esse nome em Salvador, onde surgem muitas gírias bem engraçadas. Vimos a galera dançando meio desengonçada, aí chamamos de Tchubirabirom, que quer dizer o tremer do corpo", define Santana. "Mas a galera logo vai interpretar de várias formas, tipo: 'Você já fez tchubirabirom hoje?'", vislumbra.

Novo CD do grupo de axé, Negro Lindo traz 13 faixas, entre elas a que ensina o novo rebolado (aprenda o passo a passo para não ficar por fora neste verão). A simplória letra de Tchubirabirom, criada a oito mãos, garante que "nesse Carnaval, eu sei que vai ferver". Mas, como sucesso não é uma equação matemática, caso a promissora música não emplaque, Léo Santana garante que tem outros trunfos na manga.

"O disco está repleto de sucessos, como Pista de Dança (dos versos 'O camarote é muito bom/Visão privilegiada /Tem muita bebida 'free'/E a cerveja é bem gelada')", aposta. "Acho difícil atingirmos o mesmo sucesso do Rebolation, que foi uma coisa de louco. Se acontecer, será lindo, mas o intuito é ao menos manter o sucesso do grupo e do artista Léo Santana", define o vocalista, por sinal, o único integrante a aparecer nas fotos do encarte, apesar do álbum creditado ao conjunto.

Outro carro-chefe do lançamento é a faixa-título. Apesar do refrão "Sou eu, negro lindo/ Sou eu, sou eu", o moço garante que não estava falando de si mesmo quando a compôs com Nenel (mesmo parceiro de Rebolation): "Sou narcisista, sim, mas essa é uma música pra geral. Eu trouxe a coisa da coreografia e da sensualidade, mas a banda já existia há 10 anos quando entrei, e sempre falava de conceitos. Daí rolou isso, de falar do negro".

Curiosamente, o grupo de melodias e letras de fácil entendimento é homônimo de uma obra do conceitual artista-plástico Hélio Oiticica. "Sempre me embolo com o nome desse cara", diverte-se Santana. "Era um cara que fazia umas vestimentas bem loucas, né? Mas o parangolé da gente é uma gíria que quer dizer 'fuzuê' em Salvador", explica, descartando já ter entrado em um penetrável (outra criação de Oiticica). "Tá doido! Não sou chegado nisso, não".

 

Autor da Dança do Bole-Bole, João Roberto Kelly é pai do Rebolation
Muito antes do Parangolé, o pianista e compositor João Roberto Kelly antecipava a tendência do rebolado em sua Dança do Bole-Bole. Gravada em 1976, a canção não dizia muito mais que "Mulherada, que dança é essa /Que o corpo fica todo mole?". Autor também de marchinhas antológicas, como Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão, Kelly pode, então, ser considerado o pai (ou avô) do Rebolation.

"Apenas tirei o rebolado do pé da mulata e o trouxe mais para cima. É a mesma técnica que o Parangolé usou", compara. Por sugestão do jornal O DIA, o "criador" João Roberto Kelly e a "criatura" Léo Santana trocaram perguntas em um divertido pingue-pongue.

"Léo, você sabe dançar o meu bole-bole?", começa o veterano.
"Nunca ouvi a versão original, mas conheço bem a do Exaltasamba, que gravou a Dança do Bole-Bole recentemente", assume o novato, emendando na hora a melodia e a letra da música com propriedade. "Agora, Kelly, quero saber se você já sabe dançar o Tchubirabirom".

Kelly ainda não foi afetado pelo novo lançamento do Parangolé. "Mas do Rebolation eu gosto muito, e sei dançar bem... você quer ver?", devolve, às gargalhadas. O líder do grupo baiano se anima: "Claro! Quando eu chegar no Rio para lançar o disco novo, quem sabe não fazemos isso juntos, no palco?", sugere. O encontro promete ser imperdível.

 

Fonte: Terra Música