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Música do Brasil

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Dominguinhos comemora 70 anos com disco inédito

O pernambucano José Domingos de Moraes, o Dominguinhos, prestes a completar 70 anos, entoa forte os versos de "Quem me Levará Sou Eu": "Se o calendário acabar, eu faço contar o tempo outra vez, sim, tudo outra vez a passar...".
Tendo retirado um pulmão, com problemas no que restou, é comum vê-lo carregar uma sacola de remédios.
Mas encontra forças para cantar, como fez dez dias atrás no 2º Festival Internacional da Sanfona, em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA).
Às margens do rio São Francisco, a Folha conversou com Dominguinhos e com o curador do festival, Targino Gondim, 37.

 

Folha - Aos 70 anos, o sr. vai começar a contar o tempo outra vez?
Dominguinhos - É engraçado, ouvi meu pai com 70 anos dizer que o Brasil era o país do futuro. Ouvi o mesmo de Tinoco [da dupla com Tonico]. Agora é a minha vez de chegar à mesma idade e dizer o mesmo.

 

O que prepara para a comemoração em fevereiro?
Dominguinhos
- Tenho um disco com 20 músicas novas gravadas em Fortaleza e um que não foi lançado, gravado ao vivo em São Paulo.
Targino Gondim - Dominguinhos, uma coisa que deixa a maioria dos músicos curiosa é que, pelo que se sabe, você não lê partitura. Mas dá show em qualquer um na gravação. Como chega nisso?
Dominguinhos - É verdade. Pelo instrumento estar aliado a mim há anos, desenvolvi uma forma de tocar minha, como Sivuca fazia. Dedilhado diferente, ajustando as coisas. Sivuca teve muita força de vontade, aprendeu a ler, fazer arranjo. Eu não pude. Fui pai muito cedo, aos 17... Tive que me virar. Tocava com Gonzaga, tocava nas boates de dança e fui pegando os estilos de música. Isso ajudou a pegar um jeito especial de tocar, ouvindo todo mundo.

 

Mas como o sr. compõe?
Dominguinhos
- Faço como repentista. É só ligar um gravadorzinho e depois reproduzir as melodias...

O Nordeste apoia Lula, seu conterrâneo de Garanhuns, mas o sr. está desgarrado dessa turma.
Dominguinhos
- O papel dele é este: o novo coronel do voto de cabresto. Tudo aconteceu nesse sentindo. A gente vê menina nova tendo filho para ter dinheiro. Não gosto disso. O nordestino é muito trabalhador se não tiver moleza. Se achar uma moleza, não trabalha mais. Hoje em dia nem roupa usa. A moçada bota um short, uma camiseta, fica de sandália. Só quer aquela mixaria ali para sobreviver.

Fonte: Folha de S. Paulo