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Música do Brasil

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Ultraje a Rigor: os 25 anos de 'Nós Vamos Invadir Sua Praia'

 

Um dos discos mais celebrados do rock nacional está completando 25 anos. Além de marcar a estreia do Ultraje a Rigor, 'Nós Vamos Invadir Sua Praia' é o que podemos chamar de marco do rock no Brasil. Foi o primeiro álbum do estilo a atingir grande sucesso – só para se ter uma ideia, de suas onze faixas, nove tocaram nas rádios (em uma época em que isso ainda contava).

A banda paulista, assim como outras de sua geração (os anos 1980), ajudou a consolidar o rock, tornando-o forte e bastante popular no país. Algo que Mutantes, Rita Lee, Raul Seixas e tantos artistas e grupos não conseguiram em anos anteriores.

Roger Rocha Moreira (guitarra, vocal), Maurício Defendi (baixo, vocal), Carlo Bartolini (guitarra) e Leôspa (bateria) vinham embalados pelos bem-recebidos compactos 'Inútil/Mim Quer Tocar' (1983) e 'Eu Me Amo/Rebelde Sem Causa' (1984). Era fim do Regime Militar, havia menos violência no ar e mais otimismo. O país estava se transformando. Isso tudo, aliado a outros fatores, ajudou a impulsioná-los ao topo.

Talvez não haja uma explicação exata para tamanho sucesso, mas Roger arrisca: "Acho que foi por causa de nossas influências mais clássicas, talvez. Ou por sermos mais divertidos. Sei lá! Não tínhamos um modelo ou dois, alguma banda da época como referência. Nossas influências eram bem mais antigas, dos anos 1960 e 1970, e mais amplas, incluindo filmes, desenhos animados, comerciais, etc".

Além da proposta musical, eles trouxeram uma boa dose de humor em suas composições. É claro que outros grupos já haviam feito algo parecido antes, mas o Ultraje a Rigor soube fazer uma combinação feliz. "O deboche era natural na gente. Talvez estivéssemos fazendo a coisa certa na hora certa", completa.

Dessa forma, o público se entregou a canções como 'Inútil', 'Ciúme', 'Marylou', 'Zoraide' e 'Rebelde Sem Causa'. Clássicos que souberam atravessar os anos sem perder o frescor, nem ficar datados. "Acho que o disco não envelheceu. Tanto as músicas quanto as letras poderiam ter sido feitas hoje".

No caso de 'Inútil', mesmo sendo uma canção feita há quase 30 anos, o tom irônico e crítico continua mais atual que nunca. Perguntado se ainda "somos inútil", o guitarrista e vocalista respondeu:

"Somos e seremos, talvez, pra sempre. Infelizmente! Muito pouco mudou. Faz parte de nossa cultura 'deitado eternamente em berço esplêndido'. Essa sempre foi uma preocupação (se é que se pode chamar assim) para mim, a de escrever letras que pudessem durar, com temas mais perenes. Uma história curiosa aconteceu quando lançamos o compacto com 'Inútil'. Com nossa inexperiência, estranhei que o plano da gravadora era tocar a música por apenas três meses. Em uma conversa com um executivo da gravadora, ele me disse: 'Você não espera que 'Inútil' seja um clássico, né?' – com o que concordei, um pouco sem graça".

Episódios e curiosidades são o que não falta para se falar de 'Nós Vamos Invadir Sua Praia', que em 2001 foi relançado em CD pela série 'Warner Arquivos' (Warner Music). Entre as faixas-bônus, gravações originais de 'Inútil/Mim Quer Tocar' (incluindo 'Ricota', que ficou de fora do compacto) – quando Edgard Scandurra fazia parte da banda (os riffs de 'Inútil' são sua criação).

Fonte: Revista Guitar Player