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Música do Brasil

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Delta Tejo: Ana Carolina e Os Mutantes

À mesma hora, no palco Santa Casa, Os Mutantes mostravam porque são quase uma lenda viva. Nome fundador do movimento Tropicália, reencarnaram em 2006 pela mão de Sérgio Dias. Sem Zélia Duncan, os Mutantes ainda têm força para levar o público numa viagem pelo tempo. A sua boa forma  não deixa de espantar (Sérgio Dias exímio na guitarra), mas entre hinos como 'Baby' ou temas novos como 'Querida, querida' percebemos que o seu rock progressivo regado de bossa-nova faz tanto sentido em 2010 como em 1970. Um pedaço de história eléctrico, contagiante e bem-disposto, que fica mesmo como o ponto alto da noite.


Já no palco Delta, Ana Carolina trazia mais Brasil ao festival. Dona de uma voz grave e singular, Ana Carolina mostrou estar à vontade quer de guitarra em punho, quer solta pelo palco. Precisou de pouco para arrebatar um público que estava ali para ela: ouviam-se coros certinhos, sem falhar uma palavra. Entre uma MPB não declarada e pop-rock atravessada de samba,ora íntimo, ora de pandeireta no ar a marcar o ritmo, sobressaíram temas como 'Cabide' ou 'É isso Aí'. Ana Carolina deixou o palco com a noite ganha.
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Ana Carolina com noite ganha

Já Ana Carolina teve, provavelmente, a maior audiência da noite. A música brasileira de voz grave teve uma prestação equilibrada, passeando pelas melodias mais conhecidas como “Quem de Nós Dois” ou “Pra Rua Me Levar”.

Emocionada com a recepção da audiência, a compositora de tom vocal singular, mostrou-se segura e dominadora da guitarra, levando para casa a noite ganha, pois as letras estavam na ponta da língua de quem estava ali claramente para a ver.

 

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Os novos Os Mutuantes começaram no palco secundário com uma plateia muito despida, enquanto Ana Moura apelava às emoções mais portuguesas com o fado. A banda introduziu o novo álbum «Haih», com o single «Querida». Neste momento aproveitaram também para explicar a história da recente composição.

Pelo que disseram, soube-se que não queriam sobreviver das memórias da antiga formação do colectivo e por isso conceberam o novo registo. «Não íamos ser uma banda de covers d'Os Mutantes», disse Sérgio Dias, membro da composição inicial do grupo brasileiro que contava com Arnaldo Baptista e Rita Lee.

Este aproveitou para adiantar ainda o porquê de Arnaldo, a mais recente desistência, não estar com eles em palco há algum tempo: «Era fisicamente impossível para ele e desistiu». O alinhamento prosseguiu com «Teclar»: «Podem vaiar, já estamos habituados», confessaram em jeito de brincadeira.

Ana Carolina irrompeu o palco principal dando extensão à ligação entre Brasil e Portugal. Repetente, formou cartaz exactamente no dia das mulheres do festival em 2008. Assim, sem muito tempo de intervalo, a plateia pode rever o repertório da cantora que faz versões de artistas internacionais. «É isso Aí», criada a partir do original «The Blowers Daughter» pertencente a Damien Rice, foi muito aclamado pelos presentes.

 

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A noite continuou em português, desta vez com sotaque

 

 

Não é a primeira vez que Ana Carolina sobe ao palco do Delta Tejo, por isso não é de estranhar que já tenha a sua legião de fãs em Portugal, se bem que muitos dos que assistiam ao concerto fossem brasileiros. Mas no meio da amálgama de gente, as diferenças nem se faziam sentir. A brasileira, com uma voz poderosa, foge um pouco ao estilo de música conterrânea que por cá aparece, enveredando muito mais pelo pop-rock, ainda que com incursões pelo samba puro e, em algumas canções, transportando a sonoridade do tango argentino.

Ainda que as suas músicas tratem o desamor e o desencontro, Ana Carolina nunca esteve longe do público, que vibrou ao longo da hora de espectáculo. No entanto, não se pode fugir aos hits da cantora: "Quem de nós dois" e "Isso ai" (versão de "The Blower’s  Daughter", de Damien Rice, em dueto com Seu Jorge), que permitiram ter à cantora um coro na plateia.
Destaque, também, para o samba "Cabide", que fez para Martinália, e que esta noite interpretou, fugindo ao estilo que por norma a caracteriza. Ana Carolina tem uma voz inconfundível, um estilo muito próprio, e mais uma vez o provou.

 

No Palco Jogos Santa Casa/Beck'Stage actuaram também Os Mutantes, em modo razoavelmente empenhado mas sem a chama que os distinguiu há décadas, num concerto para alguns convertidos e uma maioria de curiosos sem grandes sinais de entusiasmo.

 

 

Fonte: Cotonete   IOL Música   Sapo Música