Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

Delta Tejo: Natiruts, Carlinhos Brown e Nação Zumbi (Actualizado)

 

A organização do Delta Tejo até tivera o cuidado de instalar um ecrã gigante para que os adeptos da ‘canarinha’ pudessem assistir ao Brasil-Holanda, dos quartos-de-final do Mundial da África do Sul, mas o precoce adeus dos sul-americanos terá abalado o ânimo dos compatriotas imigrados em Portugal.

Foi para uma plateia ainda muito despovoada que a banda brasileira Natiruts fez o primeiro concerto da edição de 2010 no Alto da Ajuda, apresentando a sua variedade de reggae, que mistura sonoridades do Brasil e da Jamaica.

Mais animada ficou a noite com a chegada de Carlinhos Brown, embora em frente ao palco continuasse a haver clareiras. O brasileiro conquistou adolescentes e adultos sub-30 graças a temas do projecto Tribalistas. Quando chegou a hora de cantar o êxito ‘Velha Infância’, Brown desceu do palco, aproximou-se das grades para entoar os versos "Eu Gosto de Você/ E gosto de ficar com você/ Meu riso é tão feliz contigo/ O meu melhor amigo/ É o meu amor’.

 

-----

 

As porta abriram-se, excepcionalmente, pelas 14h30 neste primeiro dia de Delta Tejo para dar oportunidade aos amantes de boa música e bom café de ver bom futebol: telas gigantes emitiram o jogo dos quartos-de-final do Mundial 2010 de futebol entre Holanda e Brasil, um encontro que determinou o afastamento da equipa “canarinha” do caminho para o título.

No entanto, a “oferta” não pareceu chamar muita gente, pois a maioria das pessoas só começou a dar vida às imediações do pólo universitário da Ajuda perto das 19 horas. Filas não existiam, mas o pó no ar já indicava alguma movimentação no interior do recinto.

A abrir as hostes da primeira noite do Delta Tejo surgiu uma tímida - e estreante nestas lides - Emmy Curl, no Palco Jogos Santa Casa. A menina-mulher de 19 anos, oriunda de Vila Real, tinha pouca audiência, mas isso não a impediu de apresentar o seu estilo melicodoce que faz lembrar uma juvenil Jewel – a dos tempos aúreos de “Foolish Games” – embora mais acústica, subscrito pela sua voz doce e acordes etéreos.

Contudo, a transcendência de Emmy não foi convincente o suficiente para reter os já poucos festivaleiros presentes que, mal ouviram os primeiros acordes de Natiruts, desertaram encosta abaixo rumo ao Palco Delta para dançar ao som da banda de reggae brasileira.

 

O samba contagiante de Brown

Talvez o motivo pelo qual ainda se encontrava pouca gente no recinto pelas 20 horas se prendesse com o facto de ser sexta-feira e ainda muita gente estar a trabalhar, mas a verdade é que até Carlinhos Brown subir ao palco principal por volta das 21h20, circulava-se muito bem por todo o espaço e as filas continuavam inexistentes até nos WC.

Mas enquanto ainda era “hora de jantar”, o grupo luso-franco-brasileiro intitulado Roda de Choro de Lisboa entreteve as dezenas presentes no Palco da Santa Casa com a sua típica lusofonia, músicas do mundo e o “chorinho” do outro lado do Atlântico.

Quando o céu começou a ficar pintado com tons nocturnos, o músico brasileiro Carlinhos Brown apresentou-se em palco, dando início à noite, no verdadeiro sentido da palavra, e à festa, no sentido literal. Apesar de se ter dirigido em demasia ao público brasileiro presente, em detrimento do português – chegou a interagir várias vezes com a expressão “Como é que é Brasil!” -, Brown conseguiu transformar o delta de Monsanto numa pista de samba a céu aberto, levantando uma poeira digna da sua conterrânea Ivete Sangalo.

Os seus temas despretenciosos e abertamente de samba, com um travo a reggae, fizeram o público correr de um lado para o outro, sambar, saltar, fazer coreografias de grupo no meio da multidão e até o comboio à boa maneira portuguesa.

No meio dos seus temas originais ainda surgiu “Velha Infância”, dos Tribalistas, com direito a uma proximidade maior com a plateia, com Carlinhos na boca do palco e uma bailarina-sereia a ondear movimentos pélvicos no centro do espectáculo. Ressalva ainda para a participação do violinista Nuno Flores, d’Os Corvos, que marcou a qualidade do som português em amizade com o brasileiro.

 

-----

 

 

Delta Tejo, dia um. O festival voltou para a beira do Tejo e no cartaz apresentou Shaggy, Nação Zumbi, Buraka Som Sistema entre outros nomes oriundos dos países exportadores de café, como dita o conceito em que aposta.

 

Para começar, perante uma plateia muito carente de gente, Natiruts deram o balanço aos corpos com o reggae. «Vamos animar Delta Tejo!», apelou o vocalista. Os Brasileiros trouxeram consigo o último álbum «Raçaman» e singles de trabalhos anteriores.

Carlinhos Brown foi a seguinte aparição no palco principal, cumprimentando o público com um «Olá Brasil» sem deixar de mencionar a derrota das selecções de Portugal e Brasil no mundial de futebol 2010: «Agora é preciso incentivos porque o jogo continua».

«Velha Infância» de Tribalistas num ritmo mais acelerado, «Uma Brasileira» e outros temas soltaram o cantor de cabelos compridos escondidos debaixo de um chapéu.

 

-----
Natiruts, Carlinhos Brown, e Nação Zumbi constituíam a armada brasileira no primeiro dia do evento, isto depois da programada presença dos Mutantes ter sido alterada para o dia 3 de Julho. A primeira passagem coube aos Natiruts que actuaram para uma plateia ainda reduzida, antes de subir ao palco o tribalista Carlinhos Brown. E Carlinhos deu um espectáculo brasileiro na sua mais pura essência, dado o espaço e o tipo de evento (bem diferente daquele que apresentou, em contornos quase teatrais há alguns anos na Aula Magna, em Lisboa). Os desafios à multidão sucederam-se ao longo de todo o concerto, entre as mãos no ar, o corridinho para a direita e para a esquerda, o público deu-se em pleno ao músico brasileiro e mergulhou num alinhamento que passou, de forma quase inevitável pela 'Velha Infância' dos Tribalistas, o trio (Carlinhos, Marisa Monte e Arnaldo Antunes) que um dia desbastou as tabelas de vendas nacionais e além Atlântico. Futebol, atitude positiva, reencontro com os muitos brasileiros na assistência, e muito mais, foram os tons do concerto de Brown, que acabou com toda a banda de joelhos, em reverência e partilha com uma assistência dedicada e genuína, que não deixou fugir a oportunidade de fazer sentir todo o ritmo nos pés. Mais acima, na tenda do palco secundário, estava prestes a começar um dos melhores concertos da noite com a Nação Zumbi.

A banda que um dia foi criada pelo eterno Chico Science continua a justificar a razão de ser uma das mais importantes na história da música brasileira. A capacidade de fusão, algo que nasce só com raros projectos, está traduzida em palco no colectivo e tem expressão no trio de samba-reggae ex-Lamento Negro que oferece uma cor de percussão que contagia qualquer adepto de um ritmo. Jorge dü Peixe, à frente, pouco falador, mas sabedor das palavras certas oferece ainda mais carisma a um grupo que, apesar de todas as circunstâncias, merecia mais que o palco na tenda. Os Nação Zumbi dão-nos som de rock, manguebeat, uma cornucópia musical que encanta os sentidos até dos mais cépticos e incapacitados para a dança.

 

Fonte: Correio da Manhã   Destak   IOL Música   Cotonete