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Música do Brasil

Música do Brasil

Alexandre Pires se perde na mesmice

Novas composições não se mostram à altura de sua ótima voz

 

 

Em 1997, o quinto CD do grupo mineiro Só Pra Contrariar ultrapassou a marca de três milhões de cópias vendidas, tornando-se o recordista da indústria fonográfica brasileira. Seu vocalista e líder, Alexandre Pires, tornou-se um grande astro aos 21 anos.

A mistura de samba, pop e romantismo proposta pelo grupo logo se desgastou. Em 2002, Pires resolveu investir em uma carreira solo, conseguindo boa repercussão no exterior ao gravar com Gloria Estefan a música Santo Santo.

Após alguns anos mais focado no exterior, ele voltou não só a morar em Uberlândia (MG), sua cidade natal, como de dois anos para cá dedica-se de corpo e alma ao público brasileiro. Após um CD/DVD gravado ao vivo (Em Casa-2008), ele lança Mais Além.

No geral, o álbum apresenta uma distância qualitativa entre o cantor e o compositor. Carismático e com timbre de voz muito agradável, Pires continua sendo um intérprete dos mais respeitáveis. Sua inspiração para compor, no entanto, não está no mesmo nível.

Você Não Vai Me Escapar, que abre o disco, começa dando a impressão de ser uma versão samba de Sexual Healing, de Marvin Gaye, pois usa a mesma base desse hit dos anos 80. Só que sem crédito. Coisa feia...

E já que o assunto é cópia, fica impossível não perceber a semelhança entre o refrão de Erro Meu e o de Não Dá, sucesso na década de 80 com o grupo Roupa Nova. Outras canções soam como derivações pouco inspiradas dos tempos do SPC.

  

O momento mais baixo é Sissi, que tenta recuperar o bom humor e o balanço das inegavelmente bacanas Sai da Minha Aba e Mineirinho, sem sucesso. Nela, temos os versos mais constrangedores do CD. Confira e tente discordar.

- Ela se acha a última coca-cola do deserto, a bunda mais linda do pagode esperto.

Quatro momentos mostram o que o disco poderia ter sido, se uma seleção de repertório com mais critério tivesse sido feita. Eu Sou o Samba, a faixa de trabalho, ganha o ouvinte com um ritmo bem legal e a participação especial matadora de Seu Jorge.

O samba funkeado Sua Metade, que tem como coautor Thiaguinho, do Exaltasamba, consegue ter aquele apelo comercial que tanto agrada os diretores artísticos de gravadoras sem cair na apelação, com categoria e acessibilidade.

No melhor estilo voz e piano, acompanhado pelo sempre brilhante Jota Moraes, Alexandre relê com categoria absurda Custe o Que Custar, sucesso nos anos 80 na voz de Rosana Fiengo, aquela de O Amor e o Poder.

A terceira das boas é a que encerra o disco, Mulher das Estrelas, samba funk que homenageia uma das figuras mais importantes e simpáticas do samba, Alcione, e acerta na mosca. Ou seja, o CD começa mal e acaba bem.

Quem sabe no DVD ao vivo que provavelmente fará da turnê de divulgação desse trabalho Alexandre Pires conserte as vaciladas de Mais Além? Fica a torcida.

 

Fonte: R7