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Música do Brasil

Música do Brasil

Bebel pondera deixar de ser Gilberto

 

A cantora brasileira tem grande orgulho em «papai» e não esconde a influência que o trabalho de João Gilberto e de Miúcha exercem sobre si. Mas quer ser cada vez mais independente

 

Bebel quer ser mais independente e pondera deixar de ser Gilberto. A artista brasileira não esconde, em entrevista ao IOLmúsica, o orgulho nos pais - João Gilberto e Miúcha -, mas quer ser mais... independência. Quer deixar de ser vista como «a filha de João Gilberto» e passar a ser simplesmente Bebel.

 

«Eu tento evitar o máximo que posso [o rótulo de "filha de João Gilberto"]. Assim que eu puder, vou tirar o Gilberto do meu nome. Mas sem tristeza. Na boa! Porque acho que tem uma altura da vida em que você tem de virar só Bebel. Mas adoro! Nada melhor do que ter um pai como o meu pai. Ele é muito legal», revela a artista brasileira.

Filha de músicos e sobrinha de músico (é sobrinha de Chico Buarque), Bebel reconhece que teve uma infância diferente e não renega a herança. Nem tudo é bom, mas Bebel não esconde o brilho nos olhos quando fala dos pais e do tio. «Tem a coisa da cobrança, mas tem a maravilha de ter aprendido e aprender sempre com a música e o jeito de viver dos artistas e dos músicos. Eu nunca tive muita disciplina e sempre fui muito solta. (...) Passei muito tempo separada dos meus pais, nunca tive muita disciplina, nunca fui mandada a uma escola de música, o que poderia ter feito de mim uma melhor artista», conta.

 

Completamente apaixonada

Bebel vive há 18 anos em Nova Iorque e confessa que, do Rio de Janeiro, sente falta das praias e da avó centenária. Mas é na cidade que nunca dorme que tem a casa e a vida. Casada com um engenheiro de som, que trabalha na sua equipa, Bebel faz questão de dizer que está completamente apaixonada. «Ter um marido engenheiro de som, sendo música e cantora, é uma das melhores coisas. Recomendo», ri.

Mais a sério, conta que o estado de paixão em que vive se reflecte no seu trabalho. «O estado de espírito sempre influencia a sua música. A dor é boa. Uma dor de cotovelo dá uma boa música. Mas a felicidade é muito bom para a música», diz.


 

O disco que tem tudo!

Num hotel de Lisboa, com um piano a ser afinado ao fundo, Bebel também fala de música. Da «sua» música. E do mais recente trabalho, que agora vem apresentar em Portugal. «All in One» é, diz ela, um trabalho mais completo, que reflecte uma maior maturidade. «É um disco que tem all in one. Foi gravado na Jamaica, na Baía e em Nova Iorque. Tem um número de produtores como eu nunca tive. (...) Tenho de os contar com duas mãos. (...) Tem essa coisa de fechar um ciclo e de eu estar mais madura. Acho que eu quero crescer mais um pouco. Finalmente!», considera.

Não gosta que classifiquem a música que faz na Bossa Nova ou em qualquer outro estilo. «Essa coisa do rótulo fica meio chato. (...) Eu faço música. Sempre fico tentando evitar e fico ali martelando», reivindica.

 

... até um pouco de Portugal

E como este disco tem tudo, tem também um pedacinho de Portugal. Bebel canta uma música de Carmen Miranda, em jeito de homenagem. Mas, meio a sério, meio a brincar, não deixa de reivindicar para o Brasil a nacionalidade de Carmen e não resiste à provocação: «Será que é portuguesa ou é Brasileira?». Mas logo se redime: «Claro que é portuguesa. Ela ia tremer - claro que é portuguesa. Eu respeito a Carmen».

Para segunda-feira, na Aula Magna, Bebel Gilberto promete cantar o «Chica Chica Bom Chic», de Carmen Miranda. Mas promete ir muito mais além. Promete um concerto «All in One», com trabalhos do último disco, mas também um revisitar da carreira. Fiquem os fãs descansados, que os clássicos de Bebel não vão faltar.

 

Fonte: IOL Música