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Música do Brasil

Música do Brasil

Bebel Gilberto não compromete

Bebel Gilberto tem uma voz de embalo e de profundo encantamento e vem de uma das mais ilustres linhagens da música brasileira (filha de João Gilberto, sobrinha de Chico Buarque). Tem portanto tudo para dar certo - e dá quase sempre. A costela tropicalista, o samba e a bossa nova aromatizados no seu linguajar assentam bem na política de edições faustosas da Verve, que se estreia a lançar Bebel com este "All in One".

Não se esperem contudo grandes surpresas ou arrebatadores assombros de alma, o disco é um contínuo de palavras sibiladas e ritmos dolentes que mimam o ouvido. É um disco contido, apenas e só. O veludo da voz de Bebel convida a uma audição descomprometida e relaxante mas, no caso deste álbum, também não abre espaço para abstracções ou divagações estilísticas. A guitarra e os arranjos têm o ADN do Brasil, os pianos, o toque de jazz que se espera de um disco assim, feito de seda.

A versão de 'Sun Is Shining' de Bob Marley, cantada em português e inglês, tem Bebel com voz de domingo de manhã contra sintetizadores cavalgantes e uma pegajosa linha de baixo. Anunciado por percussão que sacode tudo como um espanador, 'The Real Thing', um original de Stevie Wonder, põe Gilberto ao lado dos Dap-Kings, que acompanham Sharon Jones nas suas aventuras funk e soul. E 'Bim Bom' (filha a cantar a música do pai) tem Daniel Jobim na voz e nas teclas, a ajudar ao fraseado tacteante da canção.

Quem conhece a santíssima trindade de Bebel, formada pelo disco homónimo, "Tanto Tempo" e "Momento", não pode deixar de pensar que ela carregava um gás que não é aqui retomado. Da mesma forma que não ignora que a música dela é feita de pequenas vagas, nunca de tornados arrasadores. O momento é tudo e tudo é um somatório de pequenos momentos e nunca de grandiosas ocorrências. "All in One" não promete muito mas também não compromete quase nada.
 
Fonte: Cotonete