Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

Marcelo Camelo: “Sou” cidadão do mundo

Marcelo Camelo, homem de poucas palavras e múltiplos talentos, fechou o capítulo “Los Hermanos” e aventurou-se numa carreira a solo.

 

Há bandas (a maior parte) que procuram incessantemente, de forma mais ou menos abnegada, a fórmula de sucesso que as resgate ao anonimato. Há bandas (muito poucas) que o conseguem. E há bandas (ainda menos) que levam uma carreira inteira a fugir dela.

Nesta última categoria incluem-se os brasileiros Los Hermanos, vítimas de “Anna Julia”, o mega-hit popular que fez a crítica brasileira olhá-los com desconfiança ao longo de uma carreira de quase uma década. Nem a tentativa desesperada de se demarcarem do “monstro” que criaram, recusando-se variadíssimas vezes a inclui-la no alinhamento dos concertos serviu de atenuante para uma banda que trouxe algumas boas ideias (lembre-se o extraordinário “Bloco do Eu Sozinho”) ao POP/Rock brasileiro de início do século.

Em 2007 anunciaram uma pausa na carreira (interrompida pontualmente no próximo mês de Março depois de receberem o convite irrecusável de abrir para os Radiohead aquando da passagem de Thom Yorke e companhia pelo Brasil), provocado pelo desejo partilhado de experimentarem novas sonoridades individualmente, libertados da rotina colectiva subjacente ao trabalho em grupo.

Marcelo Camelo, homem de poucas palavras e múltiplos talentos, fechou o capítulo “Los Hermanos” e aventurou-se numa carreira a solo que lhe granjeou comparações, algo precipitadas e sensacionalistas como aliás convém quando se trata de um novo artista, a Chico Buarque ou Caetano Veloso, apesar de ser um compositor mais eclético e virado para o mundo.

“SOU” ou “NÓS”, conforme a leitura, é mesmo aquilo que transparece com o título dúbio: resulta de uma necessidade individual com ensejo universal. Há uma marca autoral forte em todo o álbum, suportada pelo cosmopolismo de um músico de excepção que o leva da bossa-nova do calçadão de Copacabana, à MPB paulista e baiana, ao Jazz de Nova Orleães e até à POP de uma Londres efervescente.

Os músicos brasileiros são tradicionalmente solidários entre si e é raro o álbum em que não surja um dueto ou uma colaboração orquestral. “SOU” não é diferente, mas em vez de convidar um peso-pesado para cantar em “Janta”, por sinal um dos pontos altos de toda a obra, Marcelo chamou Mallu Magalhães, uma jovem cantautora de apenas 16 anos que ganhou notoriedade através do MySpace, mas é já um caso sério de popularidade em terras de Vera Cruz.

“SOU” é maioritariamente sussurrado mas há uma força interior que brota de cada uma das canções melancolicamente reconfortantes, intercaladas com momentos convidativos à dança e ao Carnaval (“Copa Cabana” é o melhor dos exemplos), ou não estivéssemos a falar de um compositor brasileiro capaz de sorrir aos amanheceres mais cinzentos.

Conheça o álbum de Marcelo Camelo em www.musicaonline.pt

 

Fonte: Destak