Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Música do Brasil

Música do Brasil

«Sou», Marcelo Camelo

Será «Sou»? Será «Nós»? Em qualquer dos casos, há um universo ao redor de Marcelo Camelo que é infinito e belo. É favor esquecer preconceitos antigos com os Los Hermanos.

 

Ele é Marcelo Camelo, um dos pontas-de-lança de um novo Brasil que não é do Bonde do Role nem sequer o das Cansei de Ser Sexy. Em linguagem corrente, dir-se-ia que é um upgrade à história da MPB, facção Chico Buarque. Camelo pisa os mesmos terrenos que Domemico, Moreno e Kassin.

A capa do disco tem duas leituras: «Sou» e «Nós», provavelmente porque há uma ideia de partilha que nasce da riqueza de texturas desenhadas por aquele um dia foi um dos «carolas» dos Los Hermanos. Este é o seu primeiro caso de solidão, em registo contemplativo e até instrospectivo. O que não será sinal de depressão.

«Sou» é um disco que nos faz reflectir. Demasiado longo – talvez – questiona-nos sobre a época em que vivemos. A ambiguidade de estarmos próximos e, ao mesmo tempo, cada vez mais sós. Fechados no nosso umbigo. E nesse contexto, é também um objecto de abertura a realidades sonoras improváveis.

Se é verdade que a credibilização crescente dos Los Hermanos (por via da admiração dos Strokes ou dos «nossos» Pontos Negros), abre uma janela de simpatia para com Camelo, também parece claro que este «Sou» é a melhor coisa que este carioca nos deu. «Sou» é um bloco mas o eu não estou sozinho.

 

Marcelo Camelo
«Sou»
Zé Pereira/Universal

 

Fonte: Disco Digital