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Música do Brasil

Música do Brasil

Conheça a originalidade da Sarina

Fusão de personalidades artísticas. Essa é a definição do trio Sarina, que representa a mistura de experiências, pensamentos, sentimentos e percepções em um verdadeiro mix das características dos integrantes. Abordando temas sociais e do cotidiano, Rafael Lira, Ícaro Reis e Thiago Pádua apresentam o talento em dois registros na carreira, e mostram porque chegaram para marcar a cena brasileira.

 

O trio se conheceu na estrada, por meio do circuito independente. A afinidade e o gosto musical comum fez nascer a Sarina, no ano de 2014. Com originalidade, todos compõem, assinam e tocam as músicas, por isso o grupo se auto define como uma única pessoa.

 

Vindos de Aracaju, mas reunidos em São Paulo, Sarina inicia a carreira exibindo toda a sua multiculturalidade ao lançar o primeiro álbum, homônimo. O resultado são canções assobiáveis e românticas por natureza, misturando inspirações regionalistas com pop e o indie rock. A produção foi feita de forma independente pelos próprios integrantes e a masterização ficou a cargo de Fernando Takara (Criolo, Ratos de Porão, Mallu Magalhães).

 

Mas ainda não era o bastante para o trio. Mesmo depois de figurar nas listas de melhores discos do ano e conseguir um espaço no concorrido projeto Converse Rubber Tracks, Sarina deu um novo passo. A partir disso, nasceu o segundo álbum “Ela”, que leva melodias empolgantes e relatos otimistas sobre as dificuldades cotidianas. O disco recém-lançado traz dez faixas autorais e mistura ritmos regionais com as nuances do indie. A novidade fica por conta das referências, que vieram de suas próprias raízes: a música nordestina.

 

“Bloqueávamos a veia nordestina na época, por medo de parecer muito caricato ou datados, mas soltamos completamente as amarras no segundo disco e assumimos de uma vez essa coisa, que hoje é praticamente a essência da banda”, confessa Thiago.

 

Escritas no feminino, as faixas do segundo álbum exibem a nova fase do trio, ao deixar ainda mais clara a sua identidade. “Colheita” abre apresentando a novidade, com arranjos que se assemelham à linguagem do primeiro trabalho, aproximando o ouvinte. “Trem” e “Do Que Reza a Lei” retratam o urbano e a imposição da sociedade, respectivamente. “Hora Certa” conversa sobre a urgência e o imediatismo do sucesso, comum nos dias de hoje – a canção tem a participação de Jajá Cardoso e Luca Bori, da Vivendo do Ócio.  “Nova” e “Riomar” conversam sobre o amor do dia a dia e da cidade, enquanto “Traiçoeira” e “Ela” expressam sentimentos distintos. “Sabe Lá” e “O Herdeiro e a Praga” fecham o registro.

 

“‘Traiçoeira’ fala de um amor sincero, que renunciou à relação pelo bem do outro. Retrata quão doloroso é esse tipo renúncia. ‘Ela’ traduz como nos sentimos nesse atual cenário urbano que a gente está inserido, sob a ótica de quem veio de uma cidade do Nordeste. Usamos expressões típicas da nossa cidade, além de passagens inspiradas no baião e até mesmo no forró”, continua Thiago.

 

Na gravação, o conjunto alterna as vozes, vocalizes, assobios e distorções. Para desenvolver o talento do trio, a produção de “Ela” é assinada por Leonardo Marques (Udora, Transmissor, Maglore) e foi gravada no Estúdio Buena Família e no Family MOB, em São Paulo. A mix fica por conta de Ícaro Reis, realizada em seu home estúdio Sala de Som. A masterização é de Fernando Sanches (Marcelo Camelo, Criolo, Dead Fish).

 

“Ela” teve lançamento recente, e exclusivo, pela Billboard Brasil, com uma performance ao vivo no Cavalo Estúdio, em SP.

 

Ouça “Ela” nas principais plataformas de streaming:

Spotify: https://open.spotify.com/album/5cyqIJYxUqxhNVWhGGtJgy

Deezer: http://www.deezer.com/album/13897864

 

BEL anuncia disco com single “Bem-vindo”

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Cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual. É complicado definir o trabalho artístico de Bel Baroni em gêneros, estilos e categorias. No lançamento de seu projeto autoral, ela - que assinará como BEL - testa os limites da canção popular, unindo tons eletrônicos e de jazz em “Bem-vindo”. A faixa estará no seu disco “Quando Brinca”, a ser lançado em 2017.

 

Produzido pela artista e por Gui Marques (que assina também gravação e a mixagem), o single é uma parceria de Bel Baroni com LG Lopes, da banda Graveola e o Lixo Polifônico. A faixa foi composta durante as discussões sobre a diminuição da maioridade penal. Logo no começo da canção, ela canta "pacote curto nasceu / já tem idade / pra ter as penas dos homens / na mamadeira".  Lopes musicou um poema de BEL e depois eles finalizaram via Skype.

 

O modo como a música se desenvolve traz sentidos novos para o nome da canção e questiona até a infância a que o título do disco remete. No refrão, BEL completa: “Culpado, pequeno, mudo / coragem pra quase tudo / se veio, sem voz / bem-vindo”.

 

O registro veio da vontade de se expressar individualmente ao mesmo tempo que dava vida a composições que não entravam no repertório da banda Mohandas, que a cantora integrava anteriormente. Foi uma mudança de foco para a compositora e cantora, que hoje se dedica ao supergrupo Xanaxou.

 

“A Mohandas era onde eu escoava minhas músicas, mas claro que ali tratava-se de um processo conceitual e criativo do coletivo, então me dava vontade de trabalhar também essas músicas que ficavam de fora, que não entravam no nosso repertório. Fui gravando umas guias despretensiosamente e aí, quando as levei pro Gui Marques, começou a pira”, explica a artista. “Esse disco nasceu também pelas mãos dele, juntos fizemos os arranjos, fomos acrescentando elementos, vendo a coisa tomar forma e desenvolvendo o universo desse álbum no processo, no fazer. Esse caminho foi longo, mas também muito prazeroso e estimulante. O processo das coisas me encanta muito”.

 

Para dar forma à música, Gui assumiu os beats, bass-synth e synths, enquanto Diogo Sili cuidou das guitarras e Scott Hill, do sax alto. Tudo isso partiu de uma criação orgânica, da simples vontade de colocar no mundo uma inspiração, uma ideia - o mesmo ponto de partida que BEL usa para todas as suas investidas criativas.

 

“Às vezes rola assobio, uma melodia, mas geralmente o que vem primeiro é uma letra, é um verso. Fico querendo desdobrar essa escrita, e não só pra música. Tenho feito uns trabalhos mais gráficos com esses versos, também umas videopoesias, audiopoesias, lances assim. Minha pesquisa no feminismo também tem gerado muitas descobertas pra mim. @endografismos, instagram que criei com Chica Caldas, se desdobrou numa performance - ou cura, e também permeou tudo o que eu estava fazendo naquele período. De certa forma, sinto tudo conectado. As formas possíveis que encontro de expressar o que eu filtro do mundo”, reflete.

 

Essa multiplicidade de linguagens não é nova para Bel Baroni. Estudante de música desde a infância, logo passou a integrar grupos percussivos, como o Rio Maracatu, e aprimorou sua pesquisa musical na Escola Portátil de Choro e com a ajuda de professores como Oscar Bolão e Suely Mesquita. Uma mudança para Madrid, para estudar cinema, culminou na publicação independente “Quando Brinca”, uma coleção de poemas manuscritos publicados digitalmente. 2011 viu nascer a Mohandas, onde atuou até 2015 como cantora, compositora, percussionista e produtora. Foram cerca de 200 apresentações em oito estados do Brasil e até em Buenos Aires. No currículo da banda constam dois EPs, um compacto (“Toda parte”, de 2015) e os álbuns “Etnopop” (2012) e “Um segundo” (2015) - este último, com produção executiva de Bel Baroni e produção musical de Lucas Vasconcellos (Letuce, Legião Urbana). 2016 veio trazendo novos ares com a criação do Xanaxou, reunindo oito mulheres intérpretes, compositoras e instrumentistas. Outros trabalhos incluem a produção executiva do duo Haicu e um coletivo de produtores do Rio de Janeiro que propõe ações de articulação da cena independente.

 

Com tantos desdobramentos, a carreira em múltiplas frentes se reflete na criação deste trabalho solo e autoral. O livro de poemas, por exemplo, compartilha seu título com o álbum que será lançado em 2017, também batizado de “Quando Brinca”. Foi de lá que veio boa parte das letras e ideias para o disco, o que faz da publicação o brainstorm que deu o pontapé inicial a esse novo momento criativo.

 

“Vejo uma coisa se desdobrando da outra. E em ambos, me senti saltando, me jogando, me atirando numa aventura. Eu tendo a levar tudo muito a sério, e essa sensação de brincar é o que me salva, me renova”, finaliza a cantora.

 

Trazendo para o trabalho a atmosfera de suas outras atuações, a capa do single é assinada pela artista plástica, compositora e cantora Mari Romano, que divide o palco com Bel no projeto Xanaxou e também marcou presença como convidada especial no disco.