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Música do Brasil

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Michele Leal estreia série de vídeos ao vivo

Duas noites memoráveis no palco do Oi Futuro Ipanema se transformaram em uma série de vídeos ao vivo. A cantora Michele Leal disponibiliza alguns dos melhores momentos de sua participação no projeto Levada, que completa cinco anos de muita música. No primeiro vídeo, Michele reúne três releituras: “Ponta de areia” e “Travessia”, de Milton Nascimento; e “Desenredo”, de Dorival Caymmi e Paulo César Pinheiro.

 

Mas quem deu o tom das apresentações, na verdade, foi o álbum “Peixe”, novo trabalho de Michele Leal e sucessor do EP de estreia “Jacarandá”. Se as primeiras canções levaram Michele à trilha sonora de novela da Rede Globo, o novo disco vem para solidificar e amadurecer essa sonoridade, que bebe da MPB e da bossa, mas sem medo de mergulhar nos sons mais experimentais e psicodélicos da nossa música.

 

Aí que entram os covers no repertório do show. Pensados como homenagens, eles são recriados ao vivo com a reverência de quem reconhece a importância daquelas canções. Michele é mineira de Itajubá e foi influenciada tanto pela grandeza da voz de seu conterrâneo Milton quanto pela cadência praiana de Dorival Caymmi. A escolha foi por uma interpretação mais intimista, em que os músicos do show - Domenico Lancelotti (bateria, MPC e programações), Marcos Campello (guitarra), Iuri Brito (baixo) e Danilo Andrade (teclados) - deixam o palco apenas para Michele e seu violão.

 

“É uma homenagem a tudo aquilo que me formou. Eu cresci ouvindo essas canções. Não poderiam faltar no repertório, pois seria como negar meu passado. Quando criança, no coral infantil, essas músicas foram escola. Me tocavam já desde pequena, mesmo sem entender a dimensão que elas tinham. Hoje, compreendo a importância, além da beleza. Me emocionam por demais. E como eu escolho as músicas dessa forma, não tinha como ser diferente”, explica a cantora.

 

O Clube da Esquina, em especial, tem uma passagem marcante pela carreira de Michele Leal. A cantora participou de “Mar Azul”, um disco em tributo ao movimento musical de Milton e Lô Borges. Lançado em 2015 em formato de websérie, o primeiro volume trouxe, além de Michele cantando “Paisagem da janela” (https://youtu.be/1Wtz35QrJKI), nomes como Pedro Luís, Moska, César Lacerda e Silva, entre outros.

 

O vídeo ao vivo com a releitura de “Ponta de areia”, “Travessia” e “Desenredo” já está disponível online. Outros episódios serão lançados semanalmente.

 

 

Mauro Sta. Cecília e Camões transformam cordel em música

O baião e a MPB. O sotaque nordestino e o carioca. Estes são elementos presentes no número "Segue A Saga" composto pelo artista Mauro Sta. Cecília e o músico Camões. Conhecido por sua parceria com Frejat e Maurício Barros, Mauro Sta. Cecília também é poeta e escritor. Já Camões é uma das apostas da nova MPB e soma no currículo os EPs “Cupim” e “Anilina”, com uma sonoridade voltada para a mistura do violão de nylon e dos beats eletrônicos. A performance ganhou registro ao vivo, sob direção de Duda Monteiro.

 

Produzida durante o E.T.C (Espaço Temático de  Criação), a canção nasceu de um desafio. Os artistas deveriam criar alguma obra em cima de um tema proposto - neste caso, um cordel que contava a história do Seu Luís, um imigrante do Ceará para o Rio. Camões e Mauro decidiram compor uma canção em cima da estrofe que contava quando ele foi traído pela mulher.

 

“Da leitura até a data da apresentação, tínhamos 15 dias. Eu estava sem inspiração nenhuma, já tenso com o prazo. Até que o poema do Mauro veio como um estopim. Quando ouvi os versos: ‘A saga segue/ A saga da vida real segue’ num áudio que ele me enviou pelo celular, já saiu o refrão da música. Ali num táxi, no espanto, sem violão. Quase um espirro”, relembra Camões.

 

A parceria dos dois surgiu durante a oficina, mas eles já se conheciam de outros carnavais. Mauro foi um dos jurados do Festival Nova Música Brasileira, em 2012, quando Camões participou com a banda Os Lusíadas. No dia da leitura do cordel na oficina, Mauro reconheceu Camões e perguntou se podiam fazer algo juntos.

 

“Acabei fazendo esse ritmo de baião eletrônico que também serviu de base pra música que compus, inspirado tanto no cordel do Seu Luís quanto no poema do Mauro. ’Segue a saga do solo seco do meu coração/ Segue amarga a dor do seu nego não ser mais eu não’. Aí o resto foi transpiração. Busquei referências melódicas do baião, quis contar uma história que encantasse, lapidando verso por verso para manter o suingue de um semi-repente”, explica o cantor.