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Música do Brasil

Música do Brasil

O consumo de música se tornou mais solitário, acredita Marisa Monte

 

Chegando aos 30 anos de carreira, Marisa Monte sempre foi resistente à ideia de lançar coletâneas, talvez o mais óbvio dos caça-níqueis da indústria da música. Mas algo mudou. Com seu novo "Coleção", um "best of" baseado em músicas de projetos alheios, ela tenta subverter o formato. "Achei mais desafiador, mais interessante, mais autoral", diz a cantora ao UOL, durante uma rodada de conversas com jornalistas realizada nesta quinta (28), no Jardim Botânico, no Rio.


Sob sua "curadoria", o novo álbum resume a artista por ângulos menos óbvios, como "Nu com a Minha Música", de Caetano Veloso, ao lado de Rodrigo Amarante e Devendra Banhart, e a versão de "Esqueça", de Roberto Carlos, ao som de violão e beat box do músico Dadi, que foi incluída na trilha do filme "Casseta & Planeta - A Taça do Mundo é Nossa".

A ideia de adaptar o que já fora institucionalizado reflete algo da visão de mundo de Marisa. Um mundo em que empreender ajustes estratégicos parece mais importante do que pregar revoluções. É com esse tom "reformista" que ela trata de vários assuntos da atualidade, da queda do império do "álbum" à ascensão digital das plataformas de streaming.

 

Capa do disco "Coleção", de Marisa Monte

 

"O streaming é maravilhoso, mas acho que tem que ser aperfeiçoado, principalmente no quis diz respeito à parte de informação. Quem gosta de música quer ler a letra junto, saber quem tocou, quem produziu, quem é o guitarrista", acredita.

Para ela, além de mudar o meio de distribuição, a internet também alterou a forma com que as pessoas se relacionam com a música. "Acho que o jeito de consumir música se tornou mais individual também. As pessoas ouvem hoje nos seus fones, sozinhas. O jeito que elas chegam até o artista também é mais solitário. Elas não vão tanto só pelo que toca no rádio. A internet tem criado novos caminhos".


Outro ponto crítico de mudança está na sempre polêmica Lei Roaunet, que, segundo a artista, precisa ser melhor administrada, embora jamais extinta."Incentivar a cultura brasileira faz parte de uma estratégia de educação e de saúde", diz Marisa Monte, que se mostra categórica. "Existem algumas manifestações culturais que precisam de subsídio para existir."

UOL - Você sempre foi reticente a coletâneas e agora está lançando uma, mas com um formato um pouco diferente. Por quê?
Marisa Monte - Quando comecei, as pessoas lançavam um disco e no terceiro já lançavam compilação. Eu achava que isso sucateava um pouco a obra e nunca permiti que acontecesse comigo. Mas eu tinha um "best of" previsto como último disco no meu antigo contrato com a EMI, que foi vendida para a Universal, um contrato que tem uns 15 anos e se estendeu.

Nesse meio tempo, surgiu toda essa realidade digital, em que um "best of" não faz muito sentido. Tentei pensar em como eu poderia me envolver nesse projeto e torná-lo mais pessoal, fazendo uma curadoria. Eu poderia ter deixado eles lançarem o disco só pegando a lista de mais baixadas e mais ouvidas no Spotify.

Nesses últimos dois anos, digitalizei toda a minha obra, e achei que seria interessante fazer uma escolha pessoal que mostrasse essa passagem de tempo. Como já estava com tudo na mão, propus trocar hits por alguma coisa assim. Achei mais desafiador, mais interessante, mais autoral.

Fará shows para divulgar o disco?
Não. Esse é um disco de entressafra. Antes de um próximo, que não sei se será um disco. É uma coisa que tenho pensado muito. A internet e esse consumo digital libertaram a gente desse formato de álbum. Álbum não precisa ser um álbum. Mas talvez eu possa gravar três, quatro músicas e ir lançando de forma independente. Depois, no final, posso compilar isso tudo e fazer um álbum físico. Os padrões estão mudando.

E nem sempre existiu álbum. Quando existia disco de 78 rotações, as pessoas lançavam duas músicas no Carnaval, duas nos Dias das Mães, duas no Dia dos Namorados. Acho que posso voltar a fazer assim. O Arnaldo [Antunes] fez assim. Lançou uma música por mês e, no fim do ano, ele lançou um álbum.

Você foi uma das primeiras campeãs de vendas de CDs no Brasil, no início dos anos 1990. O quanto o formato físico ainda importa?
Acho que o formato físico ainda tem e sempre vai ter um nicho, apesar de estar diminuindo cada vez mais. O streaming é maravilhoso, mas acho que precisa ser aperfeiçoado, principalmente no que diz respeito à parte de informação. Quem gosta de música quer ler a letra junto, saber quem tocou, quem produziu, quem é o guitarrista.

Como experiência, acho que ainda faz algum sentido o formato físico. Inclusive para quem gosta de colecionar. Mas, como "ecologia do futuro", acho muito interessante ter menos papel, menos plástico. O consumo de massa do futuro tem muito mais a ver com o consumo virtual.

Em tempos de Luans e Safadões, acha que você virou uma cantora de nicho?
Não. Acho que o brasileiro é muito plural, diverso. Existem inúmeros artistas que são famosos que eu nunca ouvi falar. Acho que isso é reflexo desse consumo mais pulverizado de hoje. E acho que o jeito de consumir música se tornou mais individual também. As pessoas ouvem hoje nos seus fones, sozinhas. O jeito que elas chegam até o artista também é mais solitário. Elas não vão tanto só pelo que toca no rádio ou não sei onde. A internet tem criado novos caminhos. Mas não vejo muito isso [ter virado artista restrita a um segmento], porque faço turnês e tenho um grande público.

 

Marisa Monte durante show em São Paulo, na última terça (26)

 

Se o consumo é pulverizado, como é possível medir o sucesso hoje?
Acho que são vários parâmetros. Mas são mais pulverizados. Você pode ter visualização no YouTube, música na novela, música na rádio. Tudo isso. Alguns padrões antigos ainda existem. Pode ser por compartilhamento de Facebook, pela quantidade de "views" no Facebook, que não são necessariamente os do YouTube. Acho que tem novos caminhos. Antigamente, muitos artistas faziam muito sucesso no rádio, na TV, mas não vendiam disco nem enchiam show. Ou vendiam disco mas não enchiam o show. São coisas que não têm muito padrão.

 

Você está entre os artistas que pediram a criação de um órgão para fiscalizar o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Qual é o problema dele?
O Ecad foi criado como um órgão de fiscalização, subordinado ao Ministério da Cultura. E havia o CNDA (Conselho Nacional de Direito Autoral), que existia dentro do Ministério da Cultura e que funcionava para mediação de eventuais conflitos, com participação de artistas, rádios, associações. O Ecad foi criado como um monopólio, e monopólio não pode existir sem algum tipo de fiscalização. Ele seguiu assim, perfeitamente bem.

Até que em em 1988, com a nova Constituição, foi feita uma cláusula que dizia que uma associação privada, como é o caso do Ecad, não poderia ser fiscalizada por um órgão do governo. Em 1991, o [então presidente Fernando] Collor extinguiu o Ministério da Cultura, e o CNDA deixou de existir. De lá para cá, o Ecad virou uma caixa preta. Ninguém mais sabe o que acontece lá dentro. Em parte também pela própria classe artística. Como diria o Tim Maia, essa é a classe mais desunida no mundo. pareceram milhões de questões sobre o mau funcionamento e questões sobre como era prejudicial para os autores.

É a favor da Lei Rouanet?
Em qualquer lugar do mundo a cultura é subsidiada. E o subsídio existe em qualquer setor da indústria brasileira. Automóvel tem subsídio. Comida. Tudo é subsidiado. Acho importante haver subsídios na cultura. A Lei Rouanet merece ser melhorada. Como isso vai acontecer não sei. Mas acho que incentivar a cultura brasileira faz parte de uma estratégia de educação e de saúde. 

Eu nunca tive um incentivo fiscal da Lei Rouanet. Acho que faria sentido se fosse um show gratuito, que tivesse uma contrapartida. Se fosse uma turnê pelas praças públicas do Brasil, eu usaria. Na minha turnê normal, nunca tive. Quando tive patrocínio, era da Natura, mas era dinheiro de marketing deles, "dinheiro bom". Porque esse é "bom", né? (risos) Não deveria ser assim.

Não estou falando só de música, não. Existem algumas manifestações culturais que precisam de subsídio para existir. Se você vai naqueles museus lá fora, vê que todos têm incentivo fiscal. Talvez praças mais comerciais precisem menos dele. É uma questão de ajuste.

 

Fonte: UOL Música

Toquinho completa 50 anos de carreira e gravadora libera audição de seis álbuns

 

Além de chegar aos 70 anos de idade, em 2016 o músico Toquinho completa cinco décadas de carreira. Para comemorar a data, a gravadora Som Livre liberou o streaming dos cinco primeiros álbuns do músico Toquinho, mais uma coletânea, nas plataformas digitais Spotify, Deezer, iTunes e Google Play.

Os discos liberados são o compacto "Só Tinha de Ser Com Você/ Vivo Sonhando/ Primavera" (1965), "A Bossa do Toquinho (O Violão de Toquinho)" (1966), "Toquinho" (1970), o compacto "Meu Tempo e Castro Alves/ Bobeou, Não Vai Entender" (1971), "Boca da Noite" (1974) além da coletânea "Os Primeiros Anos" (2016) - esse último você ouve no player abaixo.

Antonio Pecci Filho recebeu o apelido de Toquinho da mãe, que o chamava de "meu toquinho de gente" quando criança. Começou a se interessar pelo violão na adolescência e a partir da década de 1960 se tornou popular. O primeiro sucesso foi "Que Maravilha", composto com Jorge Ben Jor. Sua parceria mais conhecida foi a que fez com Vinicius de Moraes, que rendeu 120 canções, entre elas "Tarde em Itapoan", "Carta ao Tom 74" e "O Caderno".

A fim de comemorar essa longa carreira, também foi criado um site especial, no endereço www.circuitomusical.com/toquinho50anos, recheado de conteúdo e informações sobre o artista.

 

 

Fonte: Território da Música

Racionais MC’s lançam clipe de “Preto Zica”; veja

 

O grupo Racionais MC’s lançou nessa terça-feira (26/04) o clipe da faixa “Preto Zica”, que faz parte do álbum Cores e Valores, de 2014, o mais recente dos rappers.

Da mesma forma que o grupo apostou numa sonoridade diferente do comum no álbum, fora dele isso também se reflete, esteticamente. O clipe é dirigido por KondZilla, famoso diretor de clipes de funk ostentação e autointitulado “o maior produtor de conteúdo de música do Brasil” (MC Rodolfinho, MCs Pikeno e Dimenor, MC Bin Laden e MC João, entre outros).

Com cara de curta-metragem, o vídeo recebeu o nome de Um Preto Zica. clique na imagem abaixo e veja:

 

 

Fonte: Billboard Brasil

Jeito Moleque anuncia pausa por tempo indeterminado: "opiniões divergentes"

 

Sucesso nos anos 2000, o grupo de pagode romântico Jeito Moleque anunciou uma pausa em suas atividades por tempo indeterminado, após a saída do vocalista Bruno Diegues.

Segundo comunicado divulgado pela banda nesta sexta (22) nas redes sociais, Bruno deixou a banda por "opiniões divergentes entre as partes em várias questões de direcionamento e conduta de carreira". No fim do texto, a banda se despede dos fãs usando um "até breve".

"Por respeito aos nossos fãs, parceiros, contratantes e profissionais de imprensa, esclarecemos esta situação e queremos deixar claro que esta pausa foi uma decisão acordada entre todos e que a amizade e parceria entre nossos integrantes continua", divulgou a banda nas redes sociais.

 

"Agradecemos a cada um que fez parte da nossa história! Nos orgulhamos muito do que construímos até aqui e temos certeza que novos desafios e realizações virão para cada um de nós."

Formado em São Paulo em 1998, época de ouro do pagode nas rádios brasileiras, o Jeito Moleque gravou seis álbuns, incluindo três DVDs. O último trabalho da banda, "Viva Vida", foi lançado em 2012.

 

Fonte: UOL Música

Caetano Veloso e Gilberto Gil ao vivo no Coliseu do Porto

Manda descer p’ra ver Gil e Caetano: Após terem há um ano passado à pressa por Portugal, Caetano Veloso e Gilberto Gil regressam para quatro concertos esgotados inseridos na segunda ronda da turné que celebra a amizade dos dois músicos e um século de música.

 

Enquanto, aos poucos, o Coliseu do Porto atingia a sua lotação máxima, no palco, dois violões e dois bancos marcavam os lugares dos protagonistas da noite.  As luzes da sala diluem-se gradualmente e os mestres do tropicalismo pisam o palco entre fervorosos aplausos que se calam quando os primeiros acordes se fazem ouvir.

Com "Back in Bahia" começam com o seu recomeço. Começam com o relato cantado do que foi voltar ao Brasil após três anos de exílio em Londres. Começam pelo fim de um capítulo da sua história pessoal que ao longo do espetáculo fazem questão de contar à plateia. Quem esperava só ter ido assistir a um memorável concerto de duas lendas vivas da música brasileira, enganou-se… fez também parte de uma interativa aula de história presidida pelos professores Caetano e Gil que, na primeira pessoa nos dizem que "Lá em Londres vez em quando me sentia longe daqui (…)" ou que "meu coração não se cansa, de ter esperança (…)", enquanto estão de costas voltadas para as 26 bandeiras dos estados brasileiros.

Após "É de manhã", a música mais antiga feita pelos dois, Caetano apresenta, depois de saudar o Coliseu, "As Camélias do Quilombo do Leblon", a música em ritmo de bossa samba mais recente da parceria. Mas nem tudo nestas quase duas horas de espetáculo são da autoria dos dois. Com "Eu vim da Bahia" e "É luxo só", a devida homenagem foi feita a João Gilberto, o pai da bossa nova e ídolo dos dois músicos.

Muitos foram os momentos que se podem considerar íntimos. Desde a cumplicidade dos dois amigos na troca de olhares até ao ambiente que se criou na sala quando a plateia cantou em uníssono "Terra" ou "A Luz de Tieta". Mas foi quando o foco de luz se concentrou em Gilberto Gil que usava o seu violão agora como instrumento de precursão e cantava em voz rouca sobre a morte, que a sala se calou para o ouvir.

Todo o espetáculo foi uma viagem pela vida destes dois impulsionadores do movimento tropicalista. Foi produzido à sua imagem e semelhança. O Porto gostou, pediu mais e por duas vezes conseguiu que voltassem ao palco. A noite acabou com o pedido do público de "Leãozinho" a ser-lhe concedido, com a mensagem de Bob Marley de que "every little thing, is gonna be alright" e, por último, com os dois amigos abraçados a agradecerem a receção da cidade do Porto, cada um com um cravo na mão, símbolo da liberdade pela qual também eles lutaram do outro lado do Atlântico e que daí resultou esta cumplicidade e esta tão rica obra.

 

Fonte: Noite e Música Magazine

Safadão grava música em para iniciativa social de Neymar; vem ouvir!

Que o cantou Wesley Safadão é um cara boa praça e está na crista da onda, o Brasil inteiro já sabe! Nesta semana, o artista deu mais uma amostra de que está ligado em causas sociais.

Safadão entrou para o time de artistas da música brasileira que gravaram a música “O Amor Tá Aí”, para comemorar 1 ano do Instituto Neymar Jr. O download pago da música já está disponível no iTunes. Toda renda obtida pelo projeto está sendo revertida em prol das crianças ajudadas pelo Instituto.

Dê o play e confira o clipe que Safadão gravou para “O Amor Tá Aí”:

 

 

Fonte: Cifra Club

Cachês de artistas sertanejos despencam em 2016

 

De acordo com o colunista Ricardo Feltrin, como a maior parte dos shows são contratados por órgãos públicos, como eventos de secretarias de Cultura, prefeituras, a recessão fez com que a verba fosse encurtada, o que resultou na redução do que era oferecido.

Um dos maiores exemplos é o cantor Wesley Safadão. Considerado o cantor mais bem pago do ano passado, com apresentação avaliada entre R$ 500 mil a R$ 800 mil, o famoso viu seu faturamento cair para R$ 200 mil, menos 75%.

Outros nomes da música nacional que também tiveram reduções foram Jorge e Mateus (de R$ 400 mil para R$ 320 mil), Ivete Sangalo (de R$350 mil para R$250 mil), Gusttavo Lima (de R$ 320 mil para R$ 220 mil), Anitta (de R$ 80 mil para R$ 40 mil), entre outros.

 

Fonte: Movimento Country

“Final suave”: Kid Abelha anuncia fim da banda e pega fãs de surpresa

Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato pegaram todo mundo de surpresa com o anúncio do fim do Kid Abelha. Os integrantes da banda de pop-rock assinaram um comunicado publicado no Facebook na noite de 22 de abril e logo a notícia se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

“A vontade de experimentar outras formas de criar e o desgaste natural de tanto tempo juntos nos levaram a essa decisão”, justificaram os três músicos na nota. Eles também aproveitaram para agradecer os fãs que acompanharam o grupo durante mais de 30 anos de carreira.


Formado nos anos 80, o Kid Abelha gravou 16 álbuns e dois DVDs ao vivo, e já não fazia mais shows desde 2013.


Leia a íntegra do comunicado:

 

 

Fonte: Virgula Música

‘Na estrada, meu sistema é bem rock, não tem glamour’, diz Céu

 

Quando Herbie Hancock comparou Céu a Miles Davis, ele provavelmente estava falando de melodia e harmonia, mas talvez estivesse se referindo também a um traço de personalidade. Céu, como o mago negro, tem uma aura meio misteriosa. Ela é na dela, não faz o jogo de celebridade, mas é ela que dá as cartas. Se existe uma MPB indie, muito se deve a Maria do Céu Whitaker Poças.


“Eu aprendi muito mais a lidar com o palco. Eu era muito mais tímida, não tinha essa estrada. Acho que tocar, fazer turnê, enfrentar diferentes plateias que falam línguas outras, não entendem o que eu estou falando, tudo isso foi muito importante. Na estrada, meu sistema é bem rock mesmo, não tem glamour nenhum. É como se fosse uma banda de rock, a gente vai, um show depois do outro. E isso me fez ficar mais confiante, mais segura e cada vez mais eu no palco”, afirma Céu ao Virgula Música, em entrevista exclusiva.
Em Tropix (Slap), quarto álbum, Céu promove mais uma mutação no DNA da música nômade planetária, fruto da produção de Pupillo, da Nação Zumbi, e do francês Hervé Salters, da General Eletriks.

 

Fazer um disco diferente do outro, é um processo natural por querer não se repetir, ou é um processo das suas mudanças?
Céu - Olha, eu concordo em parte com você, eu não acho tão diferente um do outro, eu acho que tem uma roupagem diferente das coisas, mas se você tira os arranjos e fica só as canções que é o que de fato faz o meu trabalho ser o meu trabalho, eu acho que existe uma unidade.

Eu concordo com você que eu, sim, eu gosto de dar aquela puxadinha de tapete pra mudar, o Caravana era um disco que falava muito de um Brasil específico, que passava por uma linguagem meio circense, meio de estrada, meio cinema nacional, tal, esse é um disco que é uma ode às máquinas, é uma coisa mais estética, mas, assim é superbrasileiro, é uma máquina que não é exatamente a máquina alemã. É uma máquina sintética, mas que no trópico. Uma máquina no trópico enferruja (risos), não é a mesma.

A minha tropicalidade do samba, do maxixe, do xaxado, do que quiser que seja, sempre está, sempre tem essa marca nos discos, mas eu acho legal pode fazer, sim, novos arranjos, e surpreender as pessoas que curtem meu trabalho com uma nova roupagem, vamos dizer assim.

Nos shows aqui no Brasil, você vai ter outra banda, João Leão no teclados?
Céu – É, tem o João no teclado, Luquinhas, o Lucas Martins que toca comigo desde sempre, no baixo, o Pupilo, que produziu o disco, e o Davi Bovee na guitarra.

Como que você conheceu o Hervé Salters, do General Eletriks?
Céu – Foi o Lucas,  ele também toca com o Curumin e os dois fizeram uma turnê acho que nos Estados Unidos. A gente sempre se trombava na estrada. Eu via o Hervé, ia aos shows da General Eletriks e o achava muito talentoso, me identificava com o jeito dele como músico, produtor. O jeito dele de pensar parecido com o meu.

E quando eu decidi fazer o disco com o Pupilo a gente achou que seria legal trabalhar com uma pessoa que tivesse um olhar mais distante do Brasil, sabe? Não tão imerso como a gente mesmo é. Então a gente chamou uma terceira figura que se encaixou superbem com a tropicalidade natural que o próprio Pupilo traz nas baterias, nos beats e tal, ele veio com uma coisa sintética europeia. E essa liga é superbonita entre eles dois.

Você curte sons eletrônicos?
Céu –  Curto. Quando eu estava fazendo o Tropix, eu estava ouvindo bastante sons mais eletrônicos. Estava ouvindo coisas de pós-punk, de glam rock, mas sempre ouvindo as coisas de sempre, Jorge Ben, afrosambas, isso ainda tem no meu trabalho, mas a roupagem ficou mais sintética, mais dura, vamos dizer assim.

E como que na Europa onde você esteve recentemente, perceberam que havia essa coisa fria no meio do quente?
Céu – Sim, completamente. Inclusive é engraçado, você começou falando, “é diferente e tal”, mas na Europa, eu vi o Guardian, por exemplo, é “Céu volta às suas próprias origens”. É justamente isso, eles entendem que o que eu estou fazendo não é tão diferente do que eu sempre fiz. É só uma outra leitura, uma outra maneira de mostrar o trabalho. O quente, o frio, mas muito ainda do que foi feito. O primeiro disco já flertava com eletrônico, com beat, tinha base, uma coisa meio do rap.

Esse também tem, eu queria voltar a usar beat, que eu usei no primeiro show, no primeiro disco. Mas com isso, com essa brincadeira de ser o quente/frio como você mesmo disse e transitar nesse universo frio, mas sendo quente.

Quanto tempo de carreira você tem, Céu?
Céu – O primeiro foi de 2005, né? Estou fazendo 11 anos.

Que mudança você percebeu na cena em geral e da música brasileira estar mais forte?
Céu -Eu acho que mudou muita coisa. Eu peguei a rebarba de uma época em que a música ainda tinha aquela coisa de gravadora. Hoje mudou completamente, a internet veio devastadora e mudou todo o sistema de venda, de escuta de música. Hoje, pode-se dizer que a música virou um serviço. Como se fosse uma conta de água, de luz, você tem a conta de música. Você tem ali o streaming. E o vinil mostrou que realmente veio para ficar, uma coisa superanalógica, no mundo superdigital.

Eu aprendi muito mais a lidar com o palco. Eu era muito mais tímida, não tinha essa estrada. Acho que tocar., fazer turnê, enfrentar diferentes plateias que falam línguas outras, não entendem o que eu estou falando, tudo isso foi muito importante.

Na estrada, meu sistema é bem rock mesmo, não tem glamour nenhum. É como se fosse uma banda de rock, a gente vai, um show depois do outro. E isso me fez ficar mais confiante, mais segura e cada vez mais eu no palco.

Isso se reflete até na capa do disco, você tá de frente…
Céu - O Tropix eu acho que é um disco que eu me sinto mais madura nesse aspecto. Até pra olhar de frente, fazer uma capa preto e branco. Preto e branco é uma coisa supersucinta, preto no branco e fora esse conceito do Pixel, da leitura digital, só que meio zoada, que até o clipe trouxe do glitch e tal, eu também estava querendo composições bem sucinta, bem simples, onde você pega os arranjos, pega o violão e toca, sabe?

Você compõe no violão?
Céu – Não, eu componho mais no piano, eu não toco violão. Eu até gosto de ter um violão, brinco, mas eu não sei tocar violão, eu toco piano.

É mais completo, né?
Céu – Eu pra mim é mais fácil, eu aprendi no piano e o violão eu achava bem diferente, esquisito para por os acordes, eu acabei ficando no piano mesmo.

Quem for ao show, o que pode esperar? Como você gostaria que as pessoas saíssem do seu show ou mesmo após ouvisse o disco?
Céu – Olha, eu acho que o Tropix se rendeu mais ainda à dança, mais ainda que meus outros shows. Então, eu convido as pessoas a escutarem e dançarem. Eu adoro quando o show é sem cadeiras, é gostoso pra mim também, a turma se solta.

 

Fonte: Virgula Música

7 discos (e meio) para entender o reinado de Roberto Carlos

Nunca houve um cantor no Brasil com tanto apelo e poder de fogo como Roberto Carlos. É como se os Beatles fossem condensados na figura de um franzino e sedutor artista, que, em plenos 75 anos, completados nesta terça-feira, ainda encanta uma legião de fãs.

Musicalmente, entretanto, Roberto foi perdendo a relevância com o passar do tempo. As apresentações repetidas e o repertório engessado o afastaram de um público mais jovem, que o via como um artista quase 'brega'. Mas nem sempre foi assim. 

Para fazer jus ao título de Rei, recordamos a fase em que a coroa de Roberto mais brilhou – do momento em que ele despontou como príncipe da Jovem Guarda, em 1966, até o flerte com a música romântica em 1972.

São sete joias, lançadas na sequência, e mais um bônus vindo dos anos 1980, para entender o reinado de Roberto Carlos.

A fase áurea do Rei

 
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Roberto Carlos (1966)

Roberto tinha acabado de estourar nacionalmente com o disco anterior "Jovem Guarda", mas é neste trabalho que seu reinado definitivamente começa. Toscamente gravado, o álbum traz aquela inocência dos anos 1950 em "Namoradinha de um Amigo Meu" (escrita por Roberto para Os Beatniks) e "Esqueça", mas dá um passo além. É um álbum de rock, criativo e enérgico, seja no riff que abre "Eu Te Darei o Céu" à bateria tribal em "Querem Acabar Comigo" -- uma das melhores composições da carreira, reflexo de todas as críticas e pressões que o atingiam na época. Em 1966, o cantor não tinha dimensão de seu próprio sucesso e ele passava os dias achando que sua hora ia passar. Destaque para o solo de sax em "O Gênio" e para o órgão de Lafayette que dá o tom em todo o disco.

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Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967)

Prestes a gravar seu primeiro filme (que dá nome ao álbum), Roberto ampliou sua cozinha musical. Escolheu um trio de metais e formou o RC-7. O que viria a ser a trilha sonora do longa, dirigido por Roberto Faria, o álbum só ganhou com a aquisição e também com a participação de dois maestros arranjadores contratados da CBS: José Pacheco Lins, o Pachequinho, e o maestro Alexandre Gnattali. "Eu Sou Terrível" e "Quando" são, até hoje, clássicos absolutos. A evolução segue com o baixo nervoso de Paulo César Barros em "Você Não Serve Pra Mim". A batida funky de "Quando" já indicava um novo caminho para Roberto: a jovem guarda era muito pouco para o artista.

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"O Inimitável" (1968)

Primeiro disco do Roberto a ter uma produção realmente boa. Havia um investimento da gravadora, assim como nas letras, que deram um salto de qualidade. Saíram as bobinhas, como "O Feio", "O Gênio" e "O Sósia" e entraram temas mais românticos, como "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo", marcando o início da grande obra de Roberto. O marco inaugural desse processo foi a canção "Se você Pensa". Pedrada funk, a canção se tornou uma das favoritas de Caetano Veloso na época e fez a cabeça justamente dos artistas ditos "mais cabeça", sendo regravada por Elis e Gal Costa. Erasmo Carlos dizia na época: "Nós somos legais mesmo". Roberto também se destaca como intérprete em "O Tempo Vai Apagar" (Getúlio Cortes) e "E Não Vou Deixar Você Tão Só" (Antonio Marcos).

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"Roberto Carlos" (1969)

Com o cabelo longo e pinta de artista soul, com colares e pulseiras, Roberto queria se desvincular totalmente da Jovem Guarda e dar passos maiores. Sabia que podia contar com Tim Maia, seu amigo de infância, quando o mesmo lhe procurou para oferecer uma canção. Pediu o que queria: Black music. O velho Tião compôs na hora "Não Vou Ficar". O disco é dominado por canções de amor lancinantes, embebidas nessa referência, como "As Curvas da Estrada de Santos", "Sua Estupidez" e "Nada Vai Me Convencer". "O Diamante Cor de Rosa", que viria a ser tema de seu segundo filme, é a única instrumental na discografia de Roberto, com o cantor tocando gaita na faixa. A turnê do disco, dirigido por Ronaldo Bôscoli, foi o primeiro a ter a orquestra no palco, o que faria a fama do Rei nos anos vindouros.

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"Roberto Carlos" (1970)

Roberto abre a década de 1970 no ápice da influência da Black music. Da balada "Ana" a funkeada "Se Eu Pudesse Voltar no Tempo", é um disco pulsante, com menos baladas. Até "Jesus Critso", sua primeira incursão em terreno espiritual, é um petardo no estilo. Influenciada pelo gospel americano e pelos musicais como "Hair" e "Jesus Cristo Superstar", a canção causou polêmica justamente por seu groove, o que incomodou os mais conservadores. "O Astronauta", diferente de tudo que viria a gravar, tem até vocalise ai fundo. A capa do disco mostra o cantor no palco do Canecão, em pose que se tornaria marca registrada: segurando o microfone com as mãos e erguendo o corpo pra trás.

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"Roberto Carlos" (1971)

Único disco sem a imagem de Roberto na capa. A ilustração, com os cabelos do artista ao vento, se tornou icônica em sua discografia. A produção é do tamanho de um artista internacional . A partir dali, gravaria sempre nos melhores estúdios do mundo. É o disco que marca sua transição para um repertório mais romântico -- e é o que traz suas melhores composições no estilo, como "De Tanto Amor", "Como 2 e 2" (de Caetano Veloso) e "Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos" (escrito por Roberto em referência a cabeleira do amigo baiano). "Detalhes", um dos maiores clássicos da música brasileira, é citada até hoje pelo cantor como a sua canção preferida. O maestro norte-americano Jimmy Wisner merece o reconhecimento pela introdução da canção. Ao mesmo tempo, o disco encerrou a fase rock-soul com as faixas "Todos Estão Surdos" e "Eu só Tenho Caminho".

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"Roberto Carlos" (1972)

Em um dos álbuns mais soturnos da carreira, Roberto reflete sobre o tempo. O tema está na regravação de "Acalanto", de Dorival Caymmi, em que revive a infância, e na confessional "O Divã", em que encara reminiscências, algo que já havia experimentado em "Traumas", do disco anterior. É a primeira vez em que ele fala sobre o acidente que o fez perder a perna ainda criança: "Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco". Até este momento, Roberto se via como um hippie, e ele próprio observa seu próprio amadurecimento em "À Janela", sobre um jovem que está prestes a deixar a sair da casa dos pais. É o fim da fase mais juvenil de Roberto e o começo em que os especiais de fim de ano da Globo o moldariam criativamente.

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"Roberto Carlos" (1981)

Longe da fase áurea, este disco serve como bônus -- é, talvez, o último grande trabalho do cantor e um dos grandes lançados nos confusos anos 1980, década pela qual muitos medalhões não conseguiram passar sem um escorregão. A janela dos tempos hippies havia sido devidamente fechada, dando ainda mais espaço para a onda religiosa ("Ele Está Para Chegar") e discursos ecológicos ("As Baleias"). É deste álbum que surgiu "Emoções", uma das canções mais regravadas e tocadas pelo próprio. Em uma pegada levemente dançante, arranjos no estilo pop rock e metais, o disco cresce com as baladas eróticas "Tudo Para" e "Cama e Mesa", hit dos inferninhos e motéis
 
Fonte: UOL Música

Vanessa da Mata regressa para dois concertos nos Coliseus em Junho

 

A cantora e escritora brasileira Vanessa da Mata regressa a Portugal para dois concertos em Junho.

 

Um dos maiores nomes de MPB, Vanessa da Mata, pisará o palco do Coliseu de Lisboa a 24 de Junho e no dia seguinte o Coliseu do Porto.

A artista que completou 40 anos no passado dia 10 de Fevereiro, lançou sete álbuns e um CD/DVD ao vivo, este último gravado em Paraty (Rio de Janeiro).

Entre os grandes sucessos da sua discografia estão "Não me deixe só", "Ainda Bem", "Ai, Ai, Ai", "Boa Sorte/Good Luck", "Baú", "Amado", "O Tal Casal", "As Palavras" e "Segue o Som".

O seu primeiro romance "A Filha das Flores" foi editado em 2013 e já teve reedições em Portugal, México e Alemanha.

A última vez que cantou em Portugal, foi em terras alentejanas, no Festival MEO (na altura TMN) Sudoeste.

Para além de ter feito um dueto com o Diogo Piçarra, na final do "Ídolos" em que o cantor se sagrou vencedor, Vanessa actuou com Ben Harper, na Zambujeira do Mar.

Nos Coliseus irá apresentar um concerto acompanhada ao piano por Danilo Andrade e violão e guitarra por Mauricio Pacheco.

Segundo comunicado de imprensa "Vanessa da Mata despe nesses shows - exclusivos - canções que têm formado o repertório da turnê atual, 'Segue o Som'. E também aproveita para visitar músicas antigas da carreira e até de outros compositores, que lhe serviram de referência".

 

Fonte: Hardmúsica

Leo Santana lança “Santinha”

 

Em seu perfil oficial do Instagram, o pagodeiro posou nos braços de uma morena, mas seguiu fazendo mistério sobre a identidade da nova companheira. “Feliz dia do beijo pra geral Um beijo especial pra minha #Santinha”, escreveu na legenda.

Léo continuou com o mistério sobre o romance que já vinha fazendo em algumas postagens anteriores. “Obrigado por me fazer tão feliz minha #Santinha”, postou na primeira foto com a moça. Já na imagem em que mostra somente as mãos dadas do casal, o pagodeiro se mostrou com saudade do novo amor. “Minha #Santinha linda seu preto tá morrendo de saudade”.

Tudo não passou de um marketing bem bolado para lançar a sua nova música de trabalho nas rádios de todo o Brasil. Ouça agora “Santinha”

 

 

Fonte: Yhaa!

Fábio Allex

 

O cantor e compositor maranhense Fábio Allex, em fase de pré-lançamento do seu segundo álbum – De Volta ao Passado que Nunca Vivi, com produção de Memel Nogueira –, libera uma das faixas desse novo trabalho, intitulada Música & Poesia.

 

A canção tem o vocal dividido com a cantora paulista Mary Luz, que lançou recentemente o videoclipe da música “Me Ensina”.

 

O álbum, que conta com outras participações, como a de Marcos Lamy, Camila Boueri e Mario Fernando, está previsto para ser lançado em abril deste ano.


Confira o novo single do artista:

https://soundcloud.com/fabioallex/musica-poesia-part-mary-luz-1?in=fabioallex/sets/de-volta-ao-passado-que-nunca
 

 

Ouça “Era Domingo”, novo single de Zeca Baleiro

 

O cantor Zeca Baleiro está de single novo!

“Era Domingo” chega nessa sexta-feira (15/04) às plataformas digitais e é o primeiro single do álbum com previsão de lançamento para 13 de maio.

“A canção ‘Era Domingo’ foi composta há cerca de dois anos, num amanhecer (de um domingo, naturalmente) em Fortaleza, Ceará, durante a turnê do show ‘Chão de Giz’, depois de interminável noite de insônia. É uma canção sobre luz e sombra, solidão e esperança, ou, trocando em miúdos, da sobrevivência da alma no mundo contemporâneo”, conta Zeca Baleiro em comunicado.

Além de cantor, Zeca Baleiro tem se dedicado a sua gravadora, Saravá Discos. “É um projeto apaixonado, que viabiliza projetos com os quais me envolvo afetivamente”, disse à Billboard Brasil. Pela Saravá, Zeca já lançou trabalhos de Odair José, Vanusa e Sérgio Sampaio.

Ouça “Era Domingo”.

 

Fonte: Billboard Brasil

"Temos que fazer das tripas coração para continuar", diz Rogério Flausino

 

Algo incomoda o vocalista Rogério Flausino, do Jota Quest. E não é a resistência que o pop rock vem enfrentando atualmente nas rádios. O problema é o festival de vídeos e selfies que viraram lei nos shows no Brasil. Mas ele também faz lá sua "mea culpa".

"É uma verdadeira pandemia, em todos os lugares. Um negócio muito louco. Quando você vê, você já está filmando", diz ao UOL por telefone Rogério, que neste sábado (16) se apresenta na Fundição Progresso do Rio de Janeiro, e que depois desembarca em São Paulo, no Espaço das Américas, no dia 7 de maio.

O show é parte da nova turnê nacional do grupo, divulgando o álbum "Pancadélico". Gravado em Belo Horizonte e lançado em novembro do ano passado, o disco repete a parceria com a lenda Nile Rodgers, guitarrista do grupo americano Chic, que produz e toca em três faixas do novo trabalho.

"Ter um guru como o Nile assinando coisas do seu álbum, para uns branquelos que começaram fazendo black music 20 anos atrás, é o maior presente que a gente poderia ganhar", afirma Rogério, que planeja tocar com o ídolo em outubro no Brasil. Quem sabe para a gravação de um DVD? Falta acertar as agendas.

Apesar da boa fase musical da banda, nem tudo é fácil para os mineiros. Em tempos de monopólio sertanejo nas rádios é inegável que o som do Jota Quest hoje interessa menos a quem investe em música. E, consequentemente, ao próprio público. "A gente do rock e do pop rock tem que fazer das tripas coração para seguir em frente."

 

Leia os principais trechos da entrevista.

UOL – Como começou a aproximação com o Nile Rogers?

Rogério Flausino - O PJ [baixista do Jota Quest] sempre vem tentando costurar coisas legais. Já tínhamos trabalhado no disco "La Plata" com Ashley Slater, que vinha fazendo coisas com o Fat Boy Slim. No caso do Nile, o destino ajudou demais. Em 2011, a gente fez um evento corporativo internacional da Sky, e o Chic veio tocar também. Nos camarins, o PJ conheceu o Jerry Barnes, o baixista deles que substituiu o Bernard Edwards. Foi aí que a gente entrou na parada.

Ficamos amigos e fomos nos Estados Unidos conhecer o estúdio que ele trabalha. Convidamos o Jerry para produzir umas duas músicas nossas. Ele topou, veio para o Brasil, e saiu daqui com 12 músicas, que acabaram virando o "Funky Funky Boom Boom" [álbum de 2013]. Ele virou o produtor do disco, e mostrou nosso som para o Nile. Ele ouviu, gostou de "Mano Bem", "Imperfeito", botou guitarra. Foi tudo por Skype.

Como ele é?

É um cara muito gente boa. É tipo um guruzão. Ele viveu tanta coisa. E ele quase morreu recentemente de câncer. E deu a volta por cima. Depois que você lê a biografia do cara, que saiu recentemente, você pensa: "meu Deus do céu, o que esse cara passou na vida". Não só dificuldades na infância, mas as loucuras que viveu com os caras com o qual trabalhou, e agora acabou sendo redescoberto pelo mundo por causa do Daft Punk e o Pharrell. Ter um guru como o Nile assinando coisas do seu álbum, para quem começou fazendo black music 20 anos atrás, uns branquelos de BH, é o maior presente que a gente poderia ganhar.

Vocês vão sair em turnê novamente. Estão preparados para o mar de celulares da plateia?

Cara, acho que isso é uma verdadeira pandemia mundial, em todos os lugares. Um negócio muito louco. Quando você vê, você já está filmando. Quem sou para dizer que não gosto nem que não faço. Talvez seja uma forma de eternizar o momento.

Uma vez, a gente estava tocando numa festa corporativa. Na primeira música, você via que mais da metade do público estava filmando. Aí veio a segunda música, a terceira. Parei e falei: "Galera, abaixa a câmera. Vamos dançar, cantar, curtir. Depois vocês filmam!". Esse dia foi realmente impressionante. Acho que esperto mesmo é o Coldplay que já coloca pulseirinha no braço de todo mundo, e você não sabe o que é pulseira e o que é celular (risos).

Acha que o público perdeu interesse pelo pop rock?

Putz. Já passamos por vários momentos. Somos filhos da geração dos 1980, que teve nos 1990 um momento muito bom. De muita criatividade. As gravadoras ainda eram muito fortes. A gente tinha uma MTV só para nós, que apontava os movimentos. As gravadoras contratavam, davam oportunidade, investiam. As rádios tocavam.

Com o enfraquecimento da indústria, por causa da pirataria e depois com a internet, acabou o investimento no tipo de música que a gente faz. Abriu-se espaço no mercado de shows e rádios para outros segmentos que soubessem se organizar. É uma coisa de "business" mesmo, que aconteceu e prejudicou muito nosso segmento. Não estou falando só de dinheiro. Existia uma cultura em cima desse tipo de som. Os festivais aconteciam. Hoje, a gente do rock e do pop rock tem que fazer das tripas coração para seguir em frente.

Não é fácil estourar uma "Fácil" hoje em dia, né?

(risos) Compor uma canção hoje em dia, algo mais lento, e fazer isso acontecer no Brasil é muito mais difícil. Isso é uma coisa que a gente fica pensando o tempo todo, porque o Jota tem uma história de canções. A gente quebra a cabeça na hora de lançar uma música. Em que lugar ela pode ser executada? Que veículos vão apoiar? Como somos uma banda grande, temos que pensar nisso. Antigamente, a gente podia ser mais instintivo. Porque a gente sabia que teria apoio. Hoje, a gente tem que pensar muito mais sobre o que vai lançar.

 

Fonte: UOL Música

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