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Música do Brasil

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CSS: fenómeno passageiro?

As CSS regressaram a Portugal com novo álbum, meses depois de terem cancelado a sua actuação no Alive! precisamente para se dedicarem ao seu novo trabalho de estúdio.
Para compensar os fãs nacionais, o grupo voltou para dois concertos, o primeiro deles na capital e numa casa incomparavelmente maior, o Coliseu, que a da sua última actuação na cidade, decorrida no Lux. Embora não chegando a encher, à mítica sala lisboeta muitos acolheram para ver o grupo, mas o salto na dimensão que conquistaram não teve correspondência na entrega esperada do lado de cá.
Se é facto que não é nas capacidades vocais de Lovefoxx ou na exímia execução dos instrumentos que as CSS, sob a batuta de Adriano Cintra, conquistaram o seu lugar ao sol também é verdade que a voz da cantora mal se fez ouvir, tanto nas músicas, com o som dos instrumentos consideravelmente acima, como nas frases de alegria apregoadas (mas pouco convincentes) pela partilha da mesma língua materna com os fãs que os recebiam esta noite. Acabavam quase sempre de forma imperceptível, tendo a cantora chegado confundir-se nos idiomas quando começou por pedir em inglês aplausos para o baterista convidado - John Harper. Várias vezes a festa se fez no palco mas não passou deste para a assistência e alternou com momentos para dançar e outros tantos apenas para abanar os ombros, aplacando a euforia, essa sim marca das CSS e que ficou hoje um pouco aquém das expectativas.
Apesar das desafinações, a dose de (boa) loucura de Lovefoxx, pela sua presença em palco - desde os dois fatos completamente diferentes em cores e padrões que exibiu, tendo aparecido no primeiro com penas pretas à volta do pescoço, à forma frenética com que interpretava os temas - ajudaram grandemente ao conceito de espectáculo. Este beneficiou do jogo bem sucedido entre as luzes - o cuidado com o cenário, repleto de balões, linhas de luzes psicadélicas, bolas de espelhos e CSS escrito no fundo do palco, foi notório - e o ritmo das músicas que se iam sucedendo. O concerto começou bem, com energia a rodos: 'Jager Yoga' a abrir, e a recordação do álbum de estreia através de 'Meeting Paris Hilton' ou 'This Month Day 10'. O público ávido do frenesim electro rock do grupo correspondia em entusiasmo. 'Left Behind', do novo disco, "Donkey", e um dos hits do seu antecessor, 'Off The Hook', ainda conseguiram segurar o Coliseu, mantendo-se uma constante mais ou menos até 'Music Is My Hot Hot Sex' , que ancorou a versão bem sucedida numa forma mais electrónica de 'Move' e um certo exagero no volume da componente instrumental de 'Rat is Dead (Rage) - ambas do novo disco.
'Give Up' e 'Reggae All Night' não convenceram por aí além, 'I Fly' revelou-se demasiado barulhenta. No meio destas 'Alcohol' teve menor impacto que o que se esperaria, apesar de ter sido uma das mais bem interpretadas. Por isso houve apenas insistência para um encore, que apesar de condensar três dos melhores momentos da noite não foi suficiente para apagar a sensação de "soube a pouco", tanto em duração (pouco mais de uma hora) como em intensidade. 'Air Painter', o ritmo dançante da electro, e hoje, um pouco mais disco sound de 'Let's Make and Listen to Death From Above', sem dúvida a mais aguardada e aclamada da noite, e 'Alala' fecharam bem o concerto. Mas ninguém ficou para ver se havia mais.

Em contraste os X-Wife, que fizeram a primeira parte mostraram porque razão Beth Ditto (Gossip) os destacou entres os companheiros de cartaz no Super Bock Super Rock de 2007. São acima de tudo (bons) músicos. E se o seu mais recente disco só veio confirmar isso mesmo, os concertos não são excepção. A banda portuense brindou os presentes com o seu electro rock coeso e aprimorado, mas desenjoado, onde desfilaram temas já familiares ao público, como 'Eno' e a muito aplaudida 'Ping Pong', ou, dentro das mais recentes, 'Fireworks' e o já célebre e contagiante 'On The Radio'.
 
Fonte: Cotonete