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Música do Brasil

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Marcelo Camelo volta mais econômico em seu primeiro trabalho solo

Em seu primeiro álbum solo, "Sou" (ou "Nós", conforme a posição da capa), o ex-Hermano se coloca como voz distinta e independente da banda que o projetou.

Com uma linguagem mais econômica e menos intensa do que antes, Marcelo Camelo leva mais longe o clima bucólico que o grupo já expressava vez por outra. Sem canções-hinos como as que costumava fazer, o álbum é uma compilação de estilos distintos, do folk à marchinha, unidos por uma doçura sensível que preenche os corações aflitos, mas pode fazer o ouvinte mais roqueiro clamar por insulina.

O maior mérito do disco é justamente a harmonia entre estilos diferentes e sentimento comum. "Sou" caminha por dois eixos principais, um "paulista" e outro "carioca". No primeiro, feito com a banda paulistana Hurtmold, a aspereza dos arranjos misturadas aos vocais ternos de Camelo em músicas como "Téo e a Gaivota" e "Tudo Passa", formam um interessante amálgama de pós-rock com mpb (emo-pebê?). No segundo, faixas como "Vida Doce", explora uma sonoridade mais polida e brasileira ao lado de músicos da como o baterista Domenico Lancellotti, conhecido por seu trabalho com Caetano Veloso no disco "Cê" e o cubano Pepe Cisneros, nos teclados.

Entre as canções atípicas, se destacam "Liberdade", cujo arranjo se resume à voz e violão de Marcelo e a sanfona de Dominguinhos; "Janta", com Mallu Magalhães, em seu estilo folk meigo (fofolk?); e finalmente a música mais cativante de "Sou", "Copacabana", que em ritmo de marchinha, capta como uma polaroid antiga o espírito do bairro carioca e soa como trilha-sonora de documentário sobre o futebol dos anos 50.

 

Fonte: UOL Música