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Música do Brasil

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Marcelo Camelo não descarta volta dos Los Hermanos

Marcelo Camelo não descarta volta dos Los Hermanos

 

Com o lançamento de seu primeiro disco solo, Sou, e preparado para iniciar uma turnê este mês - com os paulistano do Hurtmold como banda de apoio-, Marcelo Camelo não desconsidera o retorno dos Los Hermanos, grupo carioca que o tornou conhecido e que está fora de atividade há mais de um ano. Em entrevista ao Terra, Camelo falou sobre a possibilidade de reunir novamente os Hermanos, de como o Rio de Janeiro influencia sua música e de seu trabalho como compositor.

 

Em certos momentos de Sou você soa carioca como nunca. Existe um clima bem praiano e relaxado que pontua todo o disco. O Rio de Janeiro influencia muito a sua música?
É o lugar de onde eu vejo o mundo. Durante a feitura das músicas eu estava no Rio e devo ter absorvido isso. É aquela coisa: muda-se o cenário, muda o julgamento. O disco também foi feito de um jeito bem relaxado, sem imprimir muito minha vontade sobre as músicas. Quando você toca toda noite uma música que evoca uma figura muito distante do que você é no seu estado relaxado, tocar torna-se um exercício de transformação muito desgastante. Isso ao longo de dez anos é muito cansativo. Então, a música que faço agora tem a ver com a minha vontade de quando eu tocá-la eu não esteja tão distante do que eu sou.

Você sentia esse desconforto com o Los Hermanos? É natural que seja assim, eu que tinha cantar gritando e tudo mais. Não que fosse um desconforto, mas um cansaço, eu tinha me vestir de um espírito aguerrido toda noite.

Você consegue apontar o que absorveu de música e literatura que você possa ter transpirando em Sou?
Em termos de influências, eu não me sinto numa linha em que as coisas de trás me empurram até as coisas da frente. É como se fosse uma sobreposição de planos, acho que estou girando em volta do mesmo lugar desde sempre. Mas ultimamente eu tenho ouvido muito a pianista Guiomar Novaes, que talvez seja uma das maiores influências desse disco. Outra influência é o Robert Anton Wilson, que era um filósofo americano, autor da Lógica do Talvez, assim como o Nilson Primitivo e os meus amigos.

Suas letras em Sou estão bem mais sintéticas e plácidas. Algo mudou no seu processo de escrever?
Não fiz nenhuma força para escrever nada. Eu cantava as músicas por meses e finalmente me sentava para escrever, e o texto simplesmente saía. O Zé Caixão costuma dizer: "não se importe em prestar atenção ao falar, mas preste atenção no que você diz porque nunca fala nada só por falar". Foi meio por aí as letras.

Quando formou o Los Hermanos há mais de dez anos você se imaginava na posição de compositor consolidado onde está hoje?
Para mim, não mudou muito de como era, não. Tenho muito a sensação de que a cada música que eu faço eu recomeço do zero. Talvez porque o meu processo criativo se dê a partir da negação do que eu já fiz, de tentar me recriar. A insegurança ainda é a de um compositor iniciante e a vontade é a de um compositor iniciante. É como se eu nunca tivesse feito uma música e quisesse fazer todas do mundo.

Você já foi gravado de Maria Rita a George Harrison. O que lhe dá mais satisfação: ouvir canção sua na voz de outro intérprete ou cantar suas próprias composições?
Gosto das duas coisas. Mas sabe do que gosto mesmo? É ver a versões de artistas amadores no YouTube, são as que mais me emocionam. Gosto de ver como eles alteram as melodias. Tem um vídeo de dois meninos tocando Mais Uma Canção enquanto, no primeiro plano, há um bebê aprendendo a andar. Jamais haverá uma versão mais de bonita de Mais Uma Canção do que essa.

Quem você gostaria que gravasse uma composição sua?
Guiomar Noaves, a própria Mallu Magalhães, Os Racionais, Ivete Sangalo, Fagner, Renato Teixeira... Todos. Eu gosto demais de música, queria que todo mundo gravasse as minhas canções.

Já se passou mais de um ano desde o último show dos Los Hermanos. Os fãs ainda poderão ver banda tocando novamente?
Sim, mas para voltarmos tem que ser com um repertório novo. É claro que existe uma chance disso acontecer, mas não por agora. No momento, eu tenho a turnê do meu disco, o Rodrigo (Amarante) está envolvido com a banda dele, o Little Joy, o Bruno (Medina) teve filho, o Barba está tocando com o Canastra. Todos estão corredo atrás de seus projetos.
 

Fonte: Terra Música